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Carreiras jurídicas: fazer concurso público ou seguir na advocacia?

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Qual estudante de direito ou advogado nos primeiros anos na área que nunca se deparou com esse dilema: entre todas as carreiras jurídicas, qual seguir? Não foi à toa que eu escolhi esse tema para ser o meu “cartão de visita” aqui no Blog da Aurum. Nesse texto, vou te ajudar a decidir entre o concurso público e a advocacia.

Meu nome é Thiago Helton, sou advogado e ex-servidor efetivo do Poder Judiciário. Isso mesmo! Já estive do lado de dentro do balcão por alguns anos e por conhecer de perto essas duas realidades, resolvi fazer um comparativo para ajudar os operadores do direito que ainda convivem com essa dúvida. Afinal, esse dilema que pode acabar frustrando tanto o sonho da carreira pública, quanto o sonho de ser um advogado de sucesso.

Carreiras jurídicas: por que troquei um cargo público pela advocacia?

Fui servidor público desde os meus 18 anos de idade, quando tomei posse no meu primeiro cargo público, na área administrativa do IBGE. Em 2008, aos 20 anos de idade, sofri um grave acidente que me deixou tetraplégico e mudou totalmente os rumos da minha vida (se você quiser conhecer um pouco mais dessa história clique aqui).

Na nova condição de pessoa com deficiência, eu direcionei todo meu foco para os concursos de tribunais. Fiz essa escolha porque o judiciário paga os melhores salários para quem ainda não tem uma formação superior, o que também viabilizaria recursos para bancar meus estudos. Esse plano deu certo e, em 2011, eu tomei posse como servidor efetivo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde servi por cinco anos em uma vara de competência mista, cível e família, na comarca de Belo Horizonte. Neste mesmo ano ingressei na faculdade de Direito.

Durante a faculdade eu ganhava bem, tinha tranquilidade e não precisei me desesperar atrás de estágios jurídicos sabendo que iria me formar sem a pressão do mercado de trabalho. Entretanto, a rotina forense me fez ter contato com diferentes áreas do Direito e, ainda durante o curso, comecei a ter uma leve atração pelo outro lado do balcão.

A princípio, o serviço público era, para mim, a única forma de alguém com tantas limitações físicas ter a sonhada estabilidade financeira, pois o mercado de trabalho privado é cruel, além do normal, com as pessoas com deficiência.

Mas a minha visão foi se abrindo nos últimos períodos da faculdade. No 9º período, quando fui aprovado no Exame de Ordem, eu já estava praticamente certo do que queria, só faltava coragem para tomar a decisão. Afinal de contas, mesmo ocupando um cargo de oficial de nível médio no TJMG, eu tinha um salário bem superior ao que mercado oferece para um advogado nos primeiros anos de carreira. Morava a 5 minutos do meu local de trabalho, sem falar na desejável carreira cheia de progressões e nas regalias que o judiciário oferece para os seus servidores.

Contudo, ciente de que os servidores do judiciário são impedidos de advogar e atento ao Código de Ética e Disciplina da OAB, eu tive que escolher entre a segurança do serviço público e o propósito de advogar. Eu escolhi pelo propósito e pedi exoneração do TJMG.

Não me arrependendo de ter mudado de lado. Profissionalmente, estou satisfeito e vejo um futuro promissor pela frente. Entre as diversas áreas do Direito eu identifiquei o nicho do direito das pessoas com deficiência, um público que carece de profissionais especializados para oferecer serviços jurídicos de qualidade.

Apaixonei-me rapidamente pelo que faço e encontrei o meu lugar. Não demorou para começar a colher bons frutos já no início de carreira. Atualmente, além de advogar para este segmento, conquistei um espaço fixo na Record TV Minas, onde comando um quadro semanal direcionado para a temática dos direitos das pessoas com deficiência.

Não foi uma decisão nada fácil de se tomar, por isso vou registrar aqui 3 fatores dos que levei em consideração. Eles também que podem fazer toda a diferença para ajudar você a definir, entre as diferentes carreiras jurídicas, qual seguir. Vamos lá!

O que levar em conta na decisão entre diferentes carreiras jurídicas

1. Tranquilidade e Estabilidade

Um dos maiores atrativos para quem decide perseguir uma carreira pública é a tal da estabilidade profissional e financeira. Ter a tranquilidade de programar a sua vida sem pressões, com a certeza de que não terá surpresas ao longo dos anos e sabendo que a sua aposentadoria estará bem encaminhada.

Na advocacia isso também é possível, ao contrário do que muita gente pensa. Contudo, na advocacia você é o responsável por construir a sua tranquilidade. Se no serviço público essa segurança vem da lei, na advocacia essa segurança é fruto de uma combinação de fatores.

O seu nível de comprometimento com a profissão, a construção da sua marca, o domínio de boas estratégias de marketing jurídico, a construção de boas parcerias em diferentes áreas do Direito, o uso correto e adequado de técnicas de empreendedorismo, todos esses fatores possibilitam a tranquilidade e a estabilidade de um advogado de sucesso.

2. Remuneração

Esse é um dos pontos chaves no dilema entre advogar ou fazer concurso público. Muita gente se sente extremamente atraída pelos salários do serviço público, principalmente das carreiras jurídicas. Além disso, no serviço público haverá algum progresso na carreira do servidor periodicamente, com possibilidades de promoção, além dos reajustes regulares.

Contudo, uma coisa precisa ser pontuada: os editais de concursos trazem os rendimentos brutos. Muitos se esquecem dos diferentes descontos que podem chegar a quase 40% do salário do servidor (imposto de renda, contribuições previdenciárias, planos de saúde, entre outros).

Mesmo assim, no serviço público o servidor sabe quanto vai cair na conta dele durante todo o ano e consegue se programar com certa segurança. Se for uma pessoa controlada, vai conseguir financiar alguns sonhos e fazer boas viagens em suaves parcelas.

Por outro lado, na advocacia, a incerteza pode parecer algo negativo, principalmente no início da carreira. Mas é possível ser bem remunerado quando você aprende administrar os seus honorários com disciplina e fazer uma boa gestão do seu negócio. Da mesma maneira que você pode passar alguns meses sem uma receita considerável, você pode se deparar com uma causa de encher os olhos ou criar um produto jurídico, nas mais diversas áreas do Direito, capaz de resolver toda a sua vida financeira.

Detalhe: por melhor que seja a remuneração de um cargo público, ela sempre estará sujeita ao teto constitucional. Você pode ter uma vida financeira regular, mas jamais ficará rico. Já na advocacia, você não tem limites e com uma boa gestão de negócios e com marketing jurídico bem feito, pode alcançar a regularidade financeira e ainda é possível ficar rico.

3. Rotina e satisfação profissional

Certamente este foi o fator mais relevante na minha decisão de abandonar o serviço público. Muita gente opta por fazer concursos pensando somente nos fatores estabilidade e remuneração, mas acaba esquecendo que a satisfação profissional é um dos pilares da qualidade de vida.

No serviço público você tem que estar preparado para a rotina, em regra fixa, um ciclo sem fim. Quem escolhe esse caminho tem que estar psicologicamente pronto para fazer praticamente a mesma coisa todos os dias.

Já na advocacia, principalmente para quem escolhe empreender no mundo jurídico, em regra, sua rotina será bem mais maleável. Você decide com o que vai trabalhar nos diversos ramos da advocacia e do Direito e se torna o dono da sua agenda.

Com isso, pode organizar seu trabalho e seus compromissos pessoais da forma que melhor te atenda. Esse talvez seja um dos maiores charmes da advocacia: ter a certeza de que cada dia será diferente do outro, com a certeza de que você é o maior responsável pelo sucesso de todos eles.

A satisfação profissional é um dos requisitos essenciais para o equilíbrio emocional e psicológico. Ela interfere em todas áreas da vida de qualquer trabalhador, em seus relacionamentos familiares e na sua interação com a sociedade.

Toda vez que você, advogado, se deparar com um servidor público ranzinza, aquele que constantemente está de mau humor, pode ter certeza que profissionalmente ele não está satisfeito. Isso vale, inclusive, para cargos de relevância no mundo jurídico como juízes, promotores, defensores públicos entre outros. O mesmo vale para os advogados que não aprendem a amar o seu ofício.

Conclusão

Ser detentor de um cargo público é motivo de orgulho e, querendo ou não, gera status social. Mas não podemos esquecer que o advogado também é indispensável para a justiça e o seu comprometimento com a profissão vai consolidar o seu nome no mercado e garantir o seu respeito.

Seja qual for a sua decisão de qual das carreiras jurídicas seguir, viva intensamente e aprenda a amar a o que você faz. Nessa viagem que é nossa vida profissional, a melhor parte está no caminho, não no destino.

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Gostou do texto do Thiago? Tem alguma dúvida sobre as diferentes carreiras jurídicas? Então conte para a gente nos comentários! E para acompanhar todas as novidades no blog da Aurum, assine a nossa newsletter. 🙂

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  • Welerson Ramos Camacho disse:

    Boa tarde, meu nome e Welerson tenho 34 anos, sou servidor público Estadual e trabalho como agente penitenciário efetivo a 12 anos , casado e pai de 02 filhos fiz direito e fui aprovado na OAB/MG e tenho um grande sonho de advogar o problema e que fico inseguro mesmo sendo meu grande sonho de advogar porque penso muito em ter dificuldades para cuidar da minha família, fiquei feliz em ver uma pessoa como você disposta a enfrentar as mudanças e buscar seu sucesso profissional e sua vocação espero seguir seu exemplo e desde já agradeço pela postagem que me fez refletir nessa vida passageira que devemos ser o que temos vontade termos a felicidade no que fazemos obrigado.

    • Thiago Helton disse:

      Oi Welerson, entendo seu dilema. A rigor, o cargo que você exerce é incompatível com a advocacia, também passei por isso quando estava no TJMG. Então penso que o primeiro passo é estudar o mercado enquanto você garante a segurança da sua família para uma possível fase de transição. Você já é formalmente um advogado, ou seja, já está na frente de milhões que tem o mesmo sonho. Agora é planejar a melhor forma de tornar isso uma realidade na vida prática. De toda sorte, parabéns por estar refletindo e sucesso na sua decisão!

  • Abraão Marinho disse:

    Thiago Helton, que história incrível de superação a sua!
    Sou empregado de um banco público, me formei em direito em 2011 e nunca encontrei motivação/paixão para advogar, mas nos últimos 2 anos venho repensando minha vida. Ter um salário fixo é muito bom, mas eu queria crescer mais e lendo seu artigo, me acendeu uma centelha e me acendeu uma luz. Nunca encontrei paixão em um trabalho e neste momento pode ser que tenha achado. Minha filha mais velha tem Down e em algum momento cheguei a pensar em me especializar nisso, contudo não evoluiu minha ideia. Militando para pessoas com deficiência pode ser algo que eu me sinta útil para a sociedade e sem contar que como trabalho 30 horas por semana terei um bom tempo pra estudar e me dedicar a esta segunda atividade.
    Sou grato, de verdade, por você ter compartilhado sua história e com isso me ajudar a mudar a minha.
    Um grande abraço!

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