Argumentação jurídica: como melhorar a sua retórica?

Argumentação jurídica: Como melhorar a sua retórica?

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Um bom profissional da advocacia está acostumado a construir argumentos convincentes, certo? Ele trabalha constantemente com a argumentação jurídica para convencer os participantes de uma reunião, para elaborar uma peça jurídica ou na tribuna durante uma sustentação oral. Ou seja, é tarefa do advogado convencer e persuadir o seu interlocutor, fazendo com que este compartilhe da mesma versão dos fatos e do mesmo entendimento acerca das consequências jurídicas que ele. Assim, o advogado insere na cabeça do seu interlocutor a ideia de uma decisão igual a sua.

Existem duas técnicas bastante utilizadas durante o processo de argumentação jurídica: a identidade ideológica e a mobilização das emoções. O objetivo deste texto não é esgotar todo o tema, mas falar rapidamente sobre essas técnicas, de modo que o leitor possa se aperfeiçoar na arte do convencimento e da retórica.

Conheça duas técnicas de argumentação jurídica mais usadas por advogados

Identidade ideológica

Argumentar com identidade ideológica não significa dizer que o advogado e o interlocutor devem compartilhar de forma absoluta e total as suas ideias. O importante é que os argumentos utilizados pelo advogado não sejam incompatíveis com as ideias de seu interlocutor, o que torna os argumentos mais aceitáveis aos ouvidos do receptor da ideia. Afinal, se o argumento for mais compatível com as ideias do interlocutor, este será mais receptivo ao discurso.

Porém, utilizar a técnica da identidade ideológica também não quer dizer que o advogado deve renunciar aos seus valores para convencer o seu interlocutor. Na verdade, o advogado precisa ser sensível para perceber quando a identidade ideológica poderá influir negativamente ou positivamente no convencimento de seu interlocutor, para então acentuá-la ou neutralizá-la e utilizar outros recursos de argumentação jurídica para persuadi-lo.

Mobilização das emoções

Como seres humanos, nós nem sempre decidimos de maneira racional. Algumas das deliberações que fazemos levam em consideração a nossa postura perante a sociedade, as nossas experiências e nossos sentimentos. Então, utilizar as emoções como ferramenta retórica é importante para o advogado.

Soa um pouco estranho dizer isso, especialmente porque o Direito é visto como um sistema racional. Mas a realidade é diferente, especialmente porque estamos falando de pessoas.

Assim, é fundamental que o advogado tenha a habilidade de dar um caráter lógico aos argumentos emocionais, para torná-los mais fortes e persuasivos. Eu costumo dizer que devemos “carregar a tinta da caneta” em certos pontos da narrativa, principalmente naqueles que possam sensibilizar o destinatário e trazê-lo para o seu lado. Nesse sentido, ganham força as falácias não formais.

Lembrando que as falácias não formais são aquelas que, apesar de não possuirem consistência lógica, fundamentam um argumento convincente, se a ambiguidade ou irrelevância da premissa for imperceptível ao interlocutor. Em outras palavras, são aquelas que decorrem de premissas irrelevantes para aceitação da conclusão e são utilizadas para convencimento, por meio das emoções do interlocutor.

Exemplos comuns de utilização de argumentos com falácia não formal são: ad hominem, que consiste em desacreditar determinada pessoa para que as suas afirmações sejam comprometidas; ad misericordiam, segundo o qual o convencimento se dá pelo apelo à piedade; e o argumento de autoridade, em que o advogado se utiliza de opinião de terceiro para fundamentar a sua ideia. Assim, o argumento pode ser falacioso, do ponto de vista lógico, mas eficaz do ponto de vista retórico em razão da mobilização das emoções.

Importante dizer que não existe uma fórmula para dominar os recursos retóricos de convencimento. Cada profissional desenvolve um estilo próprio de argumentação jurídica, que passa, por diferentes graus, entre as técnicas da identidade ideológica, mobilização de emoções e intercâmbio intelectual. Além disso, a linguagem corporal e o tom de voz são importantes ferramentas e auxiliam no convencimento, especialmente durante uma reunião ou na tribuna.

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E você, quais ferramentas usa para melhorar a sua argumentação jurídica? Compartilhe com a gente nos comentários! Outras dicas e sugestões sobre o blog da Aurum também são bem-vindas! 🙂

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