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Tire as suas dúvidas sobre o art. 319 do Novo CPC

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O art 319 do Novo CPC é responsável por determinar quais elementos são obrigatórios em uma petição inicial.

Esse é um dos artigos mais importantes para a prática advocatícia por ser “uma receita” para a confecção de uma petição inicial.

Na graduação, estudamos os sete incisos do dispositivo para entender como funciona uma ação na prática, afinal, nem todos chegam a realizar estágios.

Meus professores costumavam dizer que se você deseja que sua petição inicial esteja bem elaborada e não corra risco de o juiz determinar a emenda a inicial, é necessário seguir a receita de bolo que se encontra no art 319 do CPC.

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  1. O que é o art 319 do CPC?
  2. Quais são os requisitos da petição inicial?
  3. Art 319 do CPC/15 X art 282 do CPC/73
  4. Art 319 do CPC comentado

O que é o art 319 do CPC?

O art 319 do Novo CPC nada mais é do que o artigo responsável por determinar quais elementos são obrigatórios em uma petição inicial

Segundo o doutrinador Fernando Augusto de Vita Borges Sales, a petição inicial é a peça processual que inaugura uma ação. Por isso a importância do art 319, já que trata da peça processual que provoca o judiciário e começa o processo.

Quais são os requisitos da petição inicial?

A petição inicial é responsável por materializar o direito de ação de uma pessoa que teve seu direito violado. 

Trata-se de uma peça de suma importância, pois é ela que indica quem são as partes, bem como define os limites e o objeto da lide, expondo ao juiz os fatos e pedidos formulados.

A estrutura da petição inicial deve ser seguida à risca como determina o artigo 319 do NCPC. Caso contrário, o juiz determinará emenda a inicial e isso é algo que os advogados devem evitar sempre que possível. 

Os requisitos da petição inicial são os seguintes:

  • o juízo a que se destina; 
  • a qualificação das partes; 
  • a causa de pedir, ou seja, os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido; 
  • o pedido; 
  • o valor da causa; 
  • as provas que pretende produzir; 
  • a opção pela realização – ou não – da audiência de conciliação ou mediação; 
  • e a apresentação dos documentos indispensáveis à apresentação de seu pedido.

Esses são os elementos estruturais que uma petição inicial deve conter. Por isso, antes de protocolar a inicial, sempre dê uma “olhadinha” no Novo Código de Processo Civil para conferir se está tudo correto, assim evitamos surpresas no processo.

Art 319 do CPC/15 X art 282 do CPC/73 

Apesar de parecerem sutis as mudanças no NCPC em relação aos requisitos da petição inicial, houveram mudanças significativas que alteraram alguns pontos no momento de redigir uma petição. 

O artigo 282 do CPC de 1973 previa que a petição inicial deveria indicar o juiz ou o tribunal a que é dirigida. Já o art 319 do CPC de 2015, existe a determinação de que a petição inicial deve ser dirigida ao juízo.

No CPC de 1973, para qualificar as partes, o advogado deveria apresentar os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu. 

Já na atual redação, foram incluídas a obrigatoriedade de apresentar a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu.

Em suma, o artigo 319 possui mais requisitos a serem cumpridos do que haviam no artigo 282 do antigo CPC. Isso não quer dizer que tenha ficado mais rígido, mas sim que mais elementos são necessários para garantir o adequado andamento do processo. 

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Art 319 do CPC comentado 

Vale muito a pena conferir sobre o que se trata cada inciso do art 319, assim não deixamos nada de fora e ainda entendemos melhor a parte prática.

I – Endereçamento 

Trata-se de uma parte muito importante no quesito competência, já que no endereçamento irá constar para qual juízo está sendo encaminhado o processo. 

Em razão disso, a petição inicial deve indicar o juízo a qual é dirigida, respeitando as regras de competência previstas nos artigos 42 a 53 do Novo CPC.

II – Qualificação das partes

Nessa parte são definidas as pessoas que irão compor o processo. Quem define as partes que irão compor o processo é sempre o autor, que na petição inicial irá qualificá-las.

Como relatei anteriormente, no CPC de 1973 determinava menos requisitos para qualificar as partes. Por isso, o NCPC de 2015 traz novos requisitos para auxiliar que a outra parte seja encontrada e devidamente discriminada.

Com isso, o inciso II determina que a qualificação das partes deve conter:

  • Nome completo
  • Estado civil
  • Existência de união estável, profissão
  • Número de RG ou CPF ou CNPJ
  • Endereço eletrônico, domiciliar e residencial

A inovação trazida pelo Novo CPC é a indicação de endereço eletrônico, já que em tempos atrás jamais seria um requisito obrigatório, mas com o avanço da tecnologia, se tornou indispensável.

É importante qualificar corretamente para poder individualizar as partes e evitar a ocorrência de homônimos. Entretanto, caso o autor não disponha de todos os dados, poderá requerer ao juiz diligências para obter os dados faltantes (art. 319, § 1º, CPC).

III – Causa de pedir

Esse elemento confunde muitas pessoas, mas pode ser definido facilmente em uma única frase: são os motivos que vão embasar os pedidos do autor e servem como elemento para identificar a ação.

A causa de pedir pode ser divida em dois: causa de pedir próxima e causa de pedir remota.

A causa de pedir próxima se refere aos fatos e a causa de pedir remota se refere aos fundamentos jurídicos da lide. 

Um ponto interessante é que pelo princípio da congruência ou da correlação, a causa de pedir vincula o juiz (art. 141 do CPC), sendo um elemento objetivo da demanda.

IV – Pedido 

Para muitos, o pedido é o ponto mais importante de uma ação, pois este define a natureza da causa (condenatório, declaratório, constitutivo ou mandamental) e é o resultado que o cliente busca no judiciário.

Assim como a causa de pedir, o pedido também é um elemento objetivo e serve como identificador. O pedido tem o poder de vincular o juiz da mesma forma (art. 492 CPC) em que este não pode decidir de modo diverso do requerido.

O pedido se divide em dois: pedido imediato e pedido mediato.

O pedido imediato é a prestação jurisdicional que o autor busca com o processo. Já o pedido mediato é o bem da vida que o autor pretende com aquela demanda.

Isso faz com que o pedido seja uma parte importante a ser determinada pelo profissional no momento de redigir a petição inicial.

V – Valor da causa

Esse é um dos elementos que pode parecer complicado, já que existem muitos tipos de processos no judiciário e o valor da causa interfere em outras circunstâncias. 

Entretanto, para saber qual será o valor da causa é importante consultar as regras do artigo 292 do Novo CPC. Ali estará determinado o valor da causa para cada caso, já que o artigo 291 determina que a toda causa será atribuído valor certo. 

Além disso, determinar o valor também é importante para determinar o procedimento, arbitramento de honorários e cálculo do valor das custas processuais. 

VI – Especificação de provas 

Trata-se de um requisito que impõe que o autor indique os meios de prova que pretende provar os fatos alegados.

Apesar de ser um requisito que está presente na petição inicial há muito tempo, a doutrina classifica como dispensável, pois na prática o momento de apresentar as provas é na fase saneadora do processo (art. 357, II, CPC).

Grande parte dos doutrinadores alega que na prática forense a especificação das provas na petição inicial é realizada de forma genérica, e isso a torna dispensável no início do processo.

Contudo, por mais que a doutrina não esteja de acordo com o CPC, é obrigatório realizar a especificação das provas na petição inicial. Então, não esqueça disso ao redigir sua peça.

VII – Audiência de conciliação 

Esse é outro ponto novo na petição inicial, já que o CPC de 1973 não previa a manifestação sobre a audiência de conciliação na exordial.

Entretanto, o CPC de 2015 tem o intuito de promover os meios alternativos de solução de conflitos, trazendo a mediação e a conciliação como inovações no NCPC.

A princípio a audiência é obrigatória, mas o juiz poderá deixar de realizá-la se ambas as partes se manifestarem, expressamente, seu desinteresse por ela. 

Segundo o autor Fernando Augusto de Vita Borges Sales, a manifestação do autor de que não tem interesse na audiência de conciliação deve ser feita expressamente na petição inicial.

Perguntas frequentes sobre o artigo

O que diz o artigo 319 do CPC?

O art 319 do Novo CPC é o responsável por determinar quais elementos são obrigatórios em uma petição inicial. Confira o que diz cada inciso neste artigo!

Quais são os requisitos da petição inicial Novo CPC?

Os requisitos da petição inicial são os seguintes: o juízo a que se destina; a qualificação das partes; a causa de pedir; o pedido; o valor da causa; as provas que pretende produzir; a opção pela realização da audiência de conciliação ou mediação; e a apresentação dos documentos indispensáveis.

Conclusão

Alguns artigos do Novo CPC são fundamentais para um base sólida da prática advocatícia e o art. 319 está entre eles. 

O momento de propor uma ação judicial é de extrema importância porque o magistrado precisa entender claramente quais os pontos a serem discutidos na lide.

Por isso é tão importante a leitura do art. 319 ao redigir uma petição inicial, pois visa garantir o preenchimento dos elementos necessários para a devida análise do processo

Muitas vezes dispensamos ler a receita antes de fazer um bolo, mas posso garantir que essa é uma receita que vale a pena conferir antes de confeccionar uma petição inicial.

Por fim, para enviar a petição inicial para o Tribunal específico onde a ação será proposta, o advogado deve utilizar sistema online específico.

Em razão disso, antes de peticionar, vale a pena acessar o site do Tribunal competente e ler o manual sobre o sistema de peticionamento para garantir o envio da forma correta.

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