O que é lawtech e legaltech, afinal?

O que é legaltech e lawtech e como beneficiam os advogados?

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O que você sabe sobre lawtech, também conhecida como legaltech? No último ano esses termos conquistaram cada vez mais espaço, dentro e fora da internet, em colocações e debates sobre o futuro da advocacia.

Assim como as fintechs – combinação de financial (finanças) e technology (tecnologia) – fizeram com o setor financeiro e bancário no Brasil, as lawtechs querem fazer (e estão fazendo!) com o mercado jurídico. Hoje em dia, se você recorre a soluções como Nubank ou GuiaBolso, ir a uma agência bancária para falar com seu gerente, usar caixa eletrônico para checar seu extrato e precisar superar obstáculos de atendimento para solicitar aumento de crédito são coisas do passado.

E é seguindo essa maré de revolução e evolução que as lawtechs estão transformando o mercado jurídico. Aliás, é muito provável que, agora mesmo, você esteja sendo impactado por essa nova realidade. Pensando nisso, preparamos este conteúdo especialmente para aproximar você do conceito e das soluções das lawtechs ou legaltechs.

Mas o que é legaltech ou lawtech, afinal?

Abreviação de Legal Technologylaw (advocacia) e technology (tecnologia) –, o termo lawtech é usado para nomear startups que criam produtos e serviços de base tecnológica para melhorar o setor jurídico. Essa é a explicação curta.

Trazendo para o universo prático, podemos dizer ainda que lawtechs (ou legaltechs) são empresas que desenvolvem soluções para facilitar a rotina dos advogados, conectar cidadãos ao direito e mudar, em menor ou maior grau, a forma de atuação do poder Judiciário.

Software de gestão para advogados e escritórios de advocacia, serviços que se baseiam em dados para facilitar acordos judiciais, plataformas que promovem o encontro do cliente com o advogado mais qualificado para seu caso. Todas essas soluções existem e foram criadas por lawtechs brasileiras. O software para advogados Astrea, desenvolvido aqui na Aurum, também é uma dessas soluções.

O cenário contribui para o desenvolvimento das lawtechs

A Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) já conta que, atualmente, existem mais de 50 startups jurídicas no Brasil. Ao que tudo indica, esse número não vai parar por aí.

O mercado está crescendo e, com isso, novas soluções estão sendo criadas para tornar a sua vida mais fácil. 😉 Só para ilustrar esse nosso papo, em 2010, os portais Angel List e Crunch Base contabilizavam menos de 20 legaltechs. Oito anos depois, o mundo conta com mais de 1500 startups atuando no segmento jurídico.

Aqui no Brasil, o desenvolvimento do mercado se deve a dois fatores principais: o avanço na modernização do setor jurídico (processos e peticionamento eletrônico são alguns exemplos) e a formação de novos advogados a cada ano. Quando você percebe que os jovens advogados de hoje lidam com a tecnologia de forma muito mais natural do que as gerações anteriores, entender a recente “aceleração” no processo de modernização do setor fica ainda mais fácil.

Que soluções as lawtechs estão criando e como elas beneficiam os advogados?

Até aqui, deu para entender que lawtech e legaltech têm o mesmo significado e representam as startups voltadas para soluções da rotina jurídica, certo? Então, chegou a hora de conhecer como as soluções criadas por essas empresas realmente beneficiam o seu cotidiano.

Atualmente, as lawtechs brasileiras estão divididas em sete categorias. Como o nosso objetivo é desvendar o universo das legaltechs e solucionar suas principais dúvidas, vamos explicar cada um dos grupos.

Automação e Gestão de Documentos

Nós até procuramos, mas não encontramos nenhum estudo que tivesse medido o tempo gasto com a criação e o preenchimento de documentos nos escritórios de advocacia. Infelizmente, vamos ficar devendo esse número, mas você deve concordar que essas tarefas consomem muitas horas da semana, não é mesmo?

Sabendo disso, algumas lawtechs criaram softwares de automação de documentos jurídicos e gestão do ciclo de vida de contratos e processos. O maior benefício que você pode ter com esse tipo de solução é a economia de tempo. Assim, o profissional e o escritório podem se dedicar mais às questões fundamentais da advocacia.

A Linte, por exemplo, se enquadra nessa categoria ao oferecer uma solução para gerenciar processos e contratos.

Gestão de Escritórios e Departamentos Jurídicos

Um escritório de advocacia é um negócio. E um departamento jurídico é uma das áreas mais importantes das grandes empresas. Para dar conta do volume de informações, da gestão de processos, de equipes, de clientes ou áreas da empresa, financeira e vários outros setores é preciso contar com uma ferramenta completa.

É nesse cenário que surgem os softwares de gestão para escritórios e departamentos jurídicos. A Aurum é um exemplo de lawtech focada nesse setor. A empresa desenvolve o Astrea, voltado para advogados autônomos e escritórios de advocacia e o Themis, destinado a departamentos jurídicos.

Os benefícios para quem utiliza esse tipo de ferramenta são muitos e vão desde produtividade até o aumento no faturamento do escritório. Como essa é a área que nós mais dominamos, temos muitos conteúdos aqui no blog sobre os benefícios de um bom software jurídico. Se você se interessa pelo o assunto, vale a pena dar uma olhada nos artigos da categoria “Software jurídico”.

Analytics e jurimetria

A partir da coleta e da análise de dados jurídicos, algumas lawtechs oferecem soluções que contribuem para o entendimento de como os casos são julgados. Algumas plataformas conseguem medir, inclusive, a porcentagem de êxito de um processo baseado em jurisprudência.

Um exemplo de lawtech desse setor é a Digesto, um serviço de busca de jurisprudência e organização de repositório.

Resolução de conflitos online

Muitas vezes, o caminho do processo judicial é lento e não garante o direito do seu cliente. Sabendo disso, algumas lawtechs criaram soluções dedicadas à resolução de conflitos. Por meio de softwares específicos para isso, é possível contar com as ferramentas online para mediação, arbitragem e negociação de acordos.

Um exemplo é a Sem Processo, que busca celebrar acordos diretamente com as empresas sem a necessidade de ir à Justiça.

Conteúdo Jurídico e Consultoria

Se manter atualizado sobre sua área de atuação e saber o que está acontecendo no mercado jurídico como um todo é essencial para a sua carreira e para a saúde do seu negócio jurídico, certo? É por isso que existem sites de notícias para advogados, portais de informação e legislação.

Empresas de consultoria, com serviços que vão desde a segurança da informação até a assessoria tributária, também entram nessa categoria. O Jusbrasil é um bom exemplo de lawtech desse grupo.

Extração e monitoramento de dados públicos

Quanto mais os dados públicos se tornam disponíveis virtualmente, mais oportunidades as lawtechs têm de reunir e organizar essas informações para beneficiar os advogados. Um exemplo disso são as ferramentas de monitoramento e gestão de informações públicas, como andamentos, legislações, publicações e documentos cartorários.

A upLexis é uma lawtech que oferece esse tipo de solução para proporcionar inteligência de negócios para gestores que precisam tomar decisões de forma estratégica.

Redes de Profissionais

Você já pensou em como a tecnologia pode ajudar na prospecção de clientes? As lawtechs do grupo de Redes Profissionais, já. Empresas desse setor criam redes de conexão entre profissionais do direito, facilitando que os advogados conquistem clientes e pessoas ou empresas encontrem um representante para seus casos.

Um exemplo de legaltech desse nicho é a Jurídico Certo, que permite o encontro de advogados e correspondentes jurídicos em todo o Brasil.

Conclusão

Quando falamos em legaltechs, novas tecnologias e soluções para melhorar o sistema jurídico, é muito comum surgir a pergunta “as máquinas vão roubar o emprego dos advogados?”. A resposta é não. Em uma entrevista para o nosso blog, Bruno Feigelson, presidente da AB2L, explicou por que isso não vai acontecer e falou mais sobre o presente e o futuro da tecnologia para advogados. Se você se interessa pelo assunto, vale muito a pena conferir o bate-papo.

Assim como o Bruno esclareceu na entrevista e nós endossamos sempre por aqui: a tecnologia existe para valorizar o tempo dos advogados. Dessa forma, é possível priorizar questões realmente importantes, como o atendimento ao cliente, o marketing jurídico, a definição de estratégia e várias outras questões que necessitam de inteligência tática.

 

Agora é a sua vez de compartilhar sua experiência e opinião! Gostou do conteúdo sobre lawtech e legaltech? Tem alguma história para contar aos leitores do blog? Comenta aqui embaixo, vamos adorar saber o que você pensa sobre o assunto. 😉

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  • Adriane Oliveira disse:

    Olá,
    gostaria de transformar tudo que tenho hoje do físico em online, e otimizar meu tempo, pois também sou professora.
    aguardo retorno

    • Luis Filipe disse:

      Todo escritório/advogado que se preze, atualmente utiliza software jurídico e/ou de gestão, ou até um software único que engloba serviços jurídicos e de gestão. Quase impossível pensar em um advogado/escritório que tenha bastante contencioso que não trabalhe com esse tipo de ferramenta. Isso é inclusive arriscado, pois a chance de perder prazos e não dar feedback aos clientes é grande.

      Com relação a software que servem para poupar tempo, como montadores automáticos de petições para ações de massa ou repetitivas, de teses prontas para apenas juntar de forma pre-programada, para documentos etc; são mais velhos que andar para a frente, já existem desde que eu era estagiário e a internet ainda engatinhava aqui no Brasil, a única diferença é que hoje são on-line, com uma roupagem moderna e chamados de startup, mas não são disruptivos e não criaram um novo nicho, são modelos modernos de velhos serviços.

      Tem mais, para ações repetitivas, como as que envolvem os planos econômicos (Collor e Bresser), por exemplo, hoje existe a internet, que fornece modelos prontos e de graça.

      Ademais, a IBM tem o Watson (que é caro, mas vale o investimento), que há um bom tempo já faz análise de contratos; petições; tendências de julgamentos de acordo com cada tipo de ação, tese ou pedido; interpretação de jurisprudência etc. Basta ter a grana para investir e comprá-lo. Para isso, necessário é achar um investidor ou se socorrer do velho e bom financiamento bancário, o que pode até ser uma alternativa a se considerar, mesmo ante os juros abusivos, dado o retorno a médio e longo prazo que um investimento como esse pode trazer.

      Meios alternativos de solução de conflitos de forma on-line também já existem há um tempo, estão aí disponíveis para qualquer advogado usar e oferecer como serviço agregado aos seus clientes, como a MOL (Mediação On-Line), por exemplo.

      Fora isso, o Marketing Digital e agregar valor ao serviço se tornou mais que uma necessidade, trata-se de obrigação, uma condição de sobrevivência no mercado jurídico atualmente. Com a proliferação de cursos de direito, sem nenhum critério e/ou qualidade (diga-se de passagem), houve uma comoditização dos serviços jurídicos de baixa complexidade e repetitivos, sendo necessário agregar valor ao serviço por meio de diferenciais competitivos e especialização, exatamente para sair da vala comum e disputa apenas de preços. Não fosse assim, não existiriam tributaristas, penalistas, dentre outros especialistas fazendo milhões de reais com a advocacia.

      Outro ponto a ser considerado são essas plataformas que visam conseguir clientes (Jusbrasil ou Jurídico Certo) são uma roubada. Uma pesquisa rápida na avaliação dos usuários revela que seu serviço será aviltado com preços muito abaixo do mercado, pois não há diferenciação, o cliente não enxerga o valor (especialização ou qualidades que o diferencie), procura apenas preço, ou seja, procura a commodity mais barata.

      Quer valorizar o seu serviço? Então se especialize; estude mais que os outros a ponto de ser melhor que os demais; ofereça um serviço diferenciado, principalmente no aspecto de tratamento ao cliente, motivo de grande reclamação das pessoas em relação a advogados; invista em marketing, principalmente o digital, para que as pessoas cheguem a você, afinal você oferece um bom serviço; use ferramentas que facilitem a sua vida, claro, mas principalmente que melhorem a experiência do cliente com a sua contratação, tais como montadores automáticos de relatórios para prestação de contas aos clientes; ofereça mais do que apenas o jurídico, ofereça orientação, faça parcerias; enfim, saia da vala comum.

      Sendo assim, não consegui ver qual o objetivo das LegalTechs nesse contexto, trata-se de orientação para automação e uso de ferramentas de gestão para otimizar o tempo? Se for isso, me parece mais do mesmo, mas com uma roupagem nova e moderna, pois isso sempre existiu. Talvez antes fosse necessário um ou outro estagiário a mais para fazer trabalhos burocráticos, mas isso já acabou há muito tempo.

2 Comentários
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