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O que é lawtech e legaltech, afinal?

O que são Lawtechs e Legaltechs e como elas beneficiam advogados

15 fev 2021
ìcone Relógio Artigo atualizado 27 set 2021
O termo lawtech, ou legaltech, é utilizado para nomear empresas que desenvolvem produtos e serviços tecnológicos voltados para o mercado jurídico, como softwares de gestão, jurimetria e extração de dados públicos. É a abreviação de Legal Technologylaw (advocacia) e technology (tecnologia). 

Assim como as fintechs – combinação de financial (finanças) e technology (tecnologia) – mudaram o setor financeiro e bancário no Brasil, as lawtechs querem fazer (e estão fazendo!) com o mercado jurídico. Hoje em dia, se você recorre a soluções como Nubank ou GuiaBolso, por exemplo, ir a uma agência bancária, usar caixa eletrônico e precisar superar burocracias de atendimento são coisas do passado.

E é seguindo essa maré de revolução e evolução que as lawtechs estão transformando o mercado jurídico. Aliás, é muito provável que, agora mesmo, você esteja sendo impactado por essa nova realidade. Pensando nisso, preparamos este conteúdo especialmente para aproximar você do conceito e das soluções das lawtechs e legaltechs.

Afinal, o que é legaltech ou lawtech?

Os termos são usados para nomear startups que criam produtos e serviços de base tecnológica para melhorar o setor jurídico. Essa é a explicação curta.

Trazendo para o universo prático, podemos dizer ainda que lawtechs (ou legaltechs) são empresas que desenvolvem soluções para facilitar a rotina dos advogados, conectar cidadãos ao direito e mudar, em menor ou maior grau, a forma de atuação do poder Judiciário.

Software de gestão para advogados e escritórios de advocacia, serviços que se baseiam em dados para facilitar acordos judiciais, plataformas que promovem o encontro do cliente com o advogado mais qualificado para seu caso. Todas essas soluções existem e foram criadas por lawtechs brasileiras. O software para advogados Astrea, desenvolvido aqui na Aurum, também é uma dessas soluções.

O cenário de desenvolvimento das lawtechs no Brasil

A Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) já conta que existem centenas de startups jurídicas no Brasil. Ao que tudo indica, esse número não vai parar por aí.

O mercado está crescendo e, com isso, novas soluções estão sendo criadas para tornar a sua vida mais fácil. Só para ilustrar, em 2010, os portais Angel List e Crunch Base contabilizavam menos de 20 legaltechs. Oito anos depois, o mundo conta com mais de 1500 startups atuando no segmento jurídico.

Aqui no Brasil, o desenvolvimento do mercado se deve a dois fatores principais: o avanço na modernização do setor jurídico (processos e peticionamento eletrônico são alguns exemplos) e a formação de novos advogados a cada ano. Quando você percebe que os jovens advogados de hoje lidam com a tecnologia de forma muito mais natural do que as gerações anteriores, entender a recente “aceleração” no processo de modernização do setor fica ainda mais fácil.

Leia também: Como ser um excelente advogado home office.

Soluções criadas por lawtechs e como elas beneficiam os advogados

Até aqui, deu para entender que lawtech e legaltech têm o mesmo significado e representam as startups voltadas para soluções da rotina jurídica, certo? Então, chegou a hora de conhecer como as soluções criadas por essas empresas realmente beneficiam o seu cotidiano.

Atualmente, as lawtechs brasileiras estão divididas em 13 categorias. Como o nosso objetivo é desvendar o universo das legaltechs e solucionar suas principais dúvidas, vamos explicar as de maior destaque.

Automação e Gestão de Documentos

Nós até procuramos, mas não encontramos nenhum estudo que tivesse medido o tempo gasto com a criação e o preenchimento de documentos nos escritórios de advocacia. Infelizmente, vamos ficar devendo esse número, mas você deve concordar que essas tarefas consomem muitas horas da semana, não é mesmo?

Sabendo disso, algumas lawtechs criaram softwares de automação de documentos jurídicos e gestão do ciclo de vida de contratos e processos. O maior benefício que você pode ter com esse tipo de solução é a economia de tempo. Assim, o profissional e o escritório podem se dedicar mais às questões fundamentais da advocacia.

A Linte, por exemplo, se enquadra nessa categoria ao oferecer uma solução para gerenciar processos e contratos.

Gestão de Escritórios e Departamentos Jurídicos

Um escritório de advocacia é um negócio. E um departamento jurídico é uma das áreas mais importantes das grandes empresas. Para dar conta do volume de informações, da gestão de processos, de equipes, de clientes ou áreas da empresa, financeira e vários outros setores é preciso contar com uma ferramenta completa.

É nesse cenário que surgem os softwares de gestão para escritórios e departamentos jurídicos. 

A Aurum é um exemplo de lawtech focada nesse setor. A empresa desenvolve o Astrea, voltado para advogados autônomos e escritórios de advocacia, e o Themis, destinado a departamentos jurídicos e grandes bancas.

Os benefícios para quem utiliza esse tipo de ferramenta são muitos e vão desde produtividade até o aumento no faturamento do escritório. Como essa é a área que nós mais dominamos, temos muitos conteúdos aqui no Portal sobre os benefícios de um bom software jurídico

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Analytics e jurimetria

A partir da coleta e da análise de dados jurídicos, algumas lawtechs oferecem soluções que contribuem para o entendimento de como os casos são julgados. Algumas plataformas conseguem medir, inclusive, a porcentagem de êxito de um processo baseado em jurisprudência.

Um exemplo de lawtech desse setor é a Digesto, um serviço de busca de jurisprudência e organização de repositório.

Resolução de conflitos online

Muitas vezes, o caminho do processo judicial é lento e não garante o direito do seu cliente. Sabendo disso, algumas lawtechs criaram soluções dedicadas à resolução de conflitos. Por meio de softwares específicos para isso, é possível contar com as ferramentas online para mediação, arbitragem e negociação de acordos.

Um exemplo é a Sem Processo, que busca celebrar acordos diretamente com as empresas sem a necessidade de ir à Justiça.

Conteúdo Jurídico, Educação e Consultoria

Se manter atualizado sobre sua área de atuação e saber o que está acontecendo no mercado jurídico como um todo é essencial para a sua carreira e para a saúde do seu negócio jurídico, certo? É por isso que existem sites de notícias para advogados, portais de informação e legislação.

Empresas de consultoria, com serviços que vão desde a segurança da informação até a assessoria tributária, também entram nessa categoria. O Jusbrasil é um bom exemplo de lawtech desse grupo.

Extração e monitoramento de dados públicos

Quanto mais os dados públicos se tornam disponíveis virtualmente, mais oportunidades as lawtechs têm de reunir e organizar essas informações para beneficiar os advogados. Um exemplo disso são as ferramentas de monitoramento e gestão de informações públicas, como andamentos, legislações, publicações e documentos cartorários.

A upLexis é uma lawtech que oferece esse tipo de solução. Por meio da plataforma da empresa, é possível investigar com riqueza de detalhes pessoas físicas e jurídicas.

Com mais de 1.900 fontes de consultas, os gestores podem ter em mãos informações relevantes para análise e tomada de decisão, como: dados cadastrais, financeiros, relações societárias, existência de processos judiciais, bens, mídias negativas, identificação de pessoas politicamente expostas, entre outras.

Redes de Profissionais

Você já pensou em como a tecnologia pode ajudar na prospecção de clientes? As lawtechs do grupo de Redes Profissionais, já. Empresas desse setor criam redes de conexão entre profissionais do direito, facilitando que os advogados conquistem clientes e pessoas ou empresas encontrem um representante para seus casos.

Um exemplo de legaltech desse nicho é a Jurídico Certo, que permite o encontro de advogados e correspondentes jurídicos em todo o Brasil.

Outras categorias

A AB2L indica ainda outras seis categorias de lawtechs e legaltechs no Brasil, que são:

  • Compliance: empresas para fazer cumprir as leis, normas e políticas internas em instituições;
  • IA – Setor Público: focadas em Inteligência Artificial para tribunais e setor público;
  • Regtech: soluções para resolver problemas gerados por exigências de regulamentação;
  • Taxtech: tecnologias e soluções para fins tributários; 
  • Civic Tech: com foco no relacionamento entre pessoas e instituições; 
  • Real Estate Tech: soluções voltadas ao mercado imobiliário e cartorário.

Você confere o radar completo da AB2L clicando aqui.

Principais perguntas sobre lawtech e legaltech

O que são Lawtechs e Legaltechs?

Lawtechs e Legaltechs são empresas que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas para o mercado jurídico, como software de gestão, jurimetria e extração de dados públicos. O termo é a abreviação de Legal Technology – law (advocacia) e technology (tecnologia). 

O que é uma startup jurídica?

É uma empresa jovem, com modelo de negócios escalável e inovador, que desenvolve produtos e serviços para o setor jurídico. Suas soluções utilizam da tecnologia para aprimorar e facilitar processos de trabalho de advogados e outros operadores do Direito. Pode ser chamada também de “lawtech” ou “legaltech”.

Quantas Lawtechs e Legaltechs há no Brasil?

Segundo dados da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), existem no Brasil centenas de startups e empresas voltadas ao mercado jurídico. Elas são classificadas em 13 categorias, entre as quais: Analytics e Jurimetria; Gestão; Compliance; Resolução de Conflitos Online e Automação e Gestão de Documentos.

Conclusão

Quando falamos em legaltechs, novas tecnologias e soluções para melhorar o sistema jurídico, é muito comum surgir a pergunta “as máquinas vão roubar o emprego dos advogados?”. A resposta é não. 

Em sua palestra no Aurum Summit 2019, o advogado especialista em tecnologia e inovação Victor Fonseca tocou no assunto. Segundo ele, “a humanidade é o que diferencia as pessoas de qualquer máquina” e por mais que surja esse questionamento, o advogado sempre será fundamental para olhar a tecnologia com senso de moral e ética.

Como nós endossamos sempre por aqui: a tecnologia existe para valorizar o tempo dos advogados. Dessa forma, é possível priorizar questões realmente importantes, como o atendimento ao cliente, o marketing jurídico, a definição de estratégia e várias outras questões que necessitam de inteligência tática.

Agora é a sua vez de compartilhar sua experiência e opinião! Gostou do conteúdo sobre lawtech e legaltech? Tem alguma história para contar aos leitores do Portal? Comenta aqui embaixo, vamos adorar saber o que você pensa sobre o assunto.

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  • onilda 09/06/2020 às 12:18

    Gostaria de saber como funciona na prática?

  • Alline Rosa de Santana 04/04/2020 às 22:49

    Sou formanda em Direito, sou bacharel tenho conhecimento em tais áreas.
    Como consigo adequar o meu conhecimento, com lawtechs?

  • Adriane Oliveira 13/06/2018 às 23:31

    Olá,
    gostaria de transformar tudo que tenho hoje do físico em online, e otimizar meu tempo, pois também sou professora.
    aguardo retorno

    • Luis Filipe 12/04/2019 às 17:07

      Todo escritório/advogado que se preze, atualmente utiliza software jurídico e/ou de gestão, ou até um software único que engloba serviços jurídicos e de gestão. Quase impossível pensar em um advogado/escritório que tenha bastante contencioso que não trabalhe com esse tipo de ferramenta. Isso é inclusive arriscado, pois a chance de perder prazos e não dar feedback aos clientes é grande.

      Com relação a software que servem para poupar tempo, como montadores automáticos de petições para ações de massa ou repetitivas, de teses prontas para apenas juntar de forma pre-programada, para documentos etc; são mais velhos que andar para a frente, já existem desde que eu era estagiário e a internet ainda engatinhava aqui no Brasil, a única diferença é que hoje são on-line, com uma roupagem moderna e chamados de startup, mas não são disruptivos e não criaram um novo nicho, são modelos modernos de velhos serviços.

      Tem mais, para ações repetitivas, como as que envolvem os planos econômicos (Collor e Bresser), por exemplo, hoje existe a internet, que fornece modelos prontos e de graça.

      Ademais, a IBM tem o Watson (que é caro, mas vale o investimento), que há um bom tempo já faz análise de contratos; petições; tendências de julgamentos de acordo com cada tipo de ação, tese ou pedido; interpretação de jurisprudência etc. Basta ter a grana para investir e comprá-lo. Para isso, necessário é achar um investidor ou se socorrer do velho e bom financiamento bancário, o que pode até ser uma alternativa a se considerar, mesmo ante os juros abusivos, dado o retorno a médio e longo prazo que um investimento como esse pode trazer.

      Meios alternativos de solução de conflitos de forma on-line também já existem há um tempo, estão aí disponíveis para qualquer advogado usar e oferecer como serviço agregado aos seus clientes, como a MOL (Mediação On-Line), por exemplo.

      Fora isso, o Marketing Digital e agregar valor ao serviço se tornou mais que uma necessidade, trata-se de obrigação, uma condição de sobrevivência no mercado jurídico atualmente. Com a proliferação de cursos de direito, sem nenhum critério e/ou qualidade (diga-se de passagem), houve uma comoditização dos serviços jurídicos de baixa complexidade e repetitivos, sendo necessário agregar valor ao serviço por meio de diferenciais competitivos e especialização, exatamente para sair da vala comum e disputa apenas de preços. Não fosse assim, não existiriam tributaristas, penalistas, dentre outros especialistas fazendo milhões de reais com a advocacia.

      Outro ponto a ser considerado são essas plataformas que visam conseguir clientes (Jusbrasil ou Jurídico Certo) são uma roubada. Uma pesquisa rápida na avaliação dos usuários revela que seu serviço será aviltado com preços muito abaixo do mercado, pois não há diferenciação, o cliente não enxerga o valor (especialização ou qualidades que o diferencie), procura apenas preço, ou seja, procura a commodity mais barata.

      Quer valorizar o seu serviço? Então se especialize; estude mais que os outros a ponto de ser melhor que os demais; ofereça um serviço diferenciado, principalmente no aspecto de tratamento ao cliente, motivo de grande reclamação das pessoas em relação a advogados; invista em marketing, principalmente o digital, para que as pessoas cheguem a você, afinal você oferece um bom serviço; use ferramentas que facilitem a sua vida, claro, mas principalmente que melhorem a experiência do cliente com a sua contratação, tais como montadores automáticos de relatórios para prestação de contas aos clientes; ofereça mais do que apenas o jurídico, ofereça orientação, faça parcerias; enfim, saia da vala comum.

      Sendo assim, não consegui ver qual o objetivo das LegalTechs nesse contexto, trata-se de orientação para automação e uso de ferramentas de gestão para otimizar o tempo? Se for isso, me parece mais do mesmo, mas com uma roupagem nova e moderna, pois isso sempre existiu. Talvez antes fosse necessário um ou outro estagiário a mais para fazer trabalhos burocráticos, mas isso já acabou há muito tempo.

      • Fabricio Martins 03/09/2019 às 11:57

        Sem duvida alguma a utilização de um software é fundamental para um escritório de advocacia. Não condigo imaginar um advogado sem o auxilio de um software, porém discordo quanto a falta de necessidade de contratar um estagiário para trabalhos burocráticos. Acredito que é sim muito importante, pois de qualquer maneira, independente de qual software seja utilizado, sempre terá que ser abastecido com informações e manutenção dos lançamentos. É um erro “vender” a ideia que com um software poderá fazer tudo sozinho e solucionará todos os problemas. A verdade é que se pode diminuir consideravelmente o apoio administrativo, mas nunca eliminar totalmente. Como exemplo da Professora Adriana Oliveira (pergunta acima), ela esta precisando de um auxilio administrativo, alguém para organizar seus processos, digitalização de documentos, unificar informações dos processos e clientes para “dentro” de um software.

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