Visual Law: o que é e como pode transformar a sua advocacia

Visual Law: o que é e como pode transformar a sua advocacia

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Visual Law é uma solução derivada do Legal Design que utiliza recursos visuais para tornar a comunicação jurídica mais acessível para o público final. Entre as técnicas de Design aplicadas estão o uso de infográficos, fluxogramas, vídeos, storyboards, bullet points, ícones, entre outros.

Como advogado ou advogada, você já sabe o poder que tem uma boa comunicação – especialmente quando se trata de ir em busca de direitos dos clientes. Porém, se comunicar bem não é sinônimo de usar palavras rebuscadas e difíceis. Pelo contrário, o importante, neste caso, é passar a informação.

Tanto com magistrados já familiarizados com termos jurídicos, quanto com o público leigo (seus clientes!), é imprescindível que as informações em suas petições ou documentos estejam compreensíveis. E por que não utilizar recursos mais dinâmicos para facilitar o processo?

Essa é a proposta do Visual Law, assunto que você confere com mais detalhes neste texto. Confira o conteúdo para entender essa solução na prática, seus benefícios para a advocacia e como colocar em prática! 😉

Aqui você confere:

Fique a vontade para navegar pelo conteúdo com o menu clicável acima.

O que é Visual Law?

Como definido acima, o Visual Law utiliza recursos visuais, como fluxogramas, infográficos e storyboards, para facilitar a compreensão do público sobre temas do Direito. 

Acabou se tornando bastante difundido porque contrapõe a forma mais tradicional de se comunicar no Direito: o texto jurídico, redigido de forma rebuscada, extensa e pouco atrativa. Ao trazer formatos mais dinâmicos, o Visual Law contribui para melhor entendimento desta comunicação sem deixar de lado sua seriedade.

A solução deriva de outro recurso do Design adotado pelo Direito, o Legal Design. Assim, não podemos falar do Visual Law sem antes entendermos o que é o Legal Design e a sua importância no processo de construção de uma comunicação mais útil para o usuário, ou seja, para o cliente.

Os dois conceitos são relativamente novos para o meio jurídico. Apesar de haver notícias de que já vinham sendo aplicados por alguns vanguardistas na Nova Zelândia, na França e na Alemanha, só ganharam popularidade mais tarde, por meio dos estudos da professora Margareth Hagan, do Curso de Direito da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. 

Ela passou o observar a forma de pensar dos designers na resolução de problemas complexos e fez a conexão com a área jurídica. Percebeu que a conexão entre Direito, Design e Tecnologia poderia promover a construção de soluções inovadoras para prestar um serviço jurídico com foco do ser humano. Assim, surgiu o Legal Design Lab da Universidade de Stanford.

Afinal, Visual Law e Legal Design são a mesma coisa?

Não, eles não são a mesma coisa.

De forma bem resumida, o Legal Design é a aplicação de técnicas, ferramentas e metodologias de Design ao Direito para solucionar problemas jurídicos com foco no destinatário final. Já o Visual Law é uma das soluções que podem ser geradas a partir de um processo de Legal Design

Que tal visualizar isso em uma situação mais próxima da prática?

Digamos que um determinado cliente, dono de uma pequena empresa, procura o seu escritório com diversas citações de ações indenizatórias movidas pelos usuários do serviço que ele oferece. Após a aplicação de técnicas de Legal Design, você descobre que o problema está no contrato de prestação de serviço que ele utiliza. Então, sugere melhorar a forma com que a informação está sendo transmitida no documento através do Visual Law.

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Entendendo o funcionamento do Legal Design 

Agora que já temos definido que Visual Law é uma solução, que tal entender melhor se processo de origem? Nada melhor do que exemplos para descomplicar a explicação! 😉

Imagine um escritório de Direito de Família. Quantos deles você conhece que tem um espaço destinado a receber uma criança? Não me refiro a um playground, mas um cantinho simples com acessórios que possam entreter crianças enquanto o pai, a mãe ou os dois resolvem com o advogado os problemas que assolam aquela família?

Escritórios de advocacia, na sua maioria, seguem padrões por mera tradição. Ambientes sóbrios, com móveis na sua maioria de madeira, muitos livros dispostos em um ambiente nada empático para uma criança. Na verdade, nada acolhedor para quem procura ajuda para resolver um problema, já que é essa a nossa função, não é?!

A empatia é a base do processo de Legal Design, porque o foco sempre deve ser o ser humano. O que ele espera daquele serviço, quais são suas dores, suas necessidades, expectativas. É uma etapa que deve fazer parte da jornada do usuário no serviço jurídico. 

Começa na empatia para, em seguida, advogado e cliente identificarem o problema e construírem, juntos, a solução que melhor atenda as necessidades daquela pessoa, e não a que for mais conveniente. É assim que se constrói uma relação de confiança e transparência.

Após levantar as possíveis soluções, é preciso testar e validar para saber se ela irá alcançar o resultado. Nesse momento, é muito comum que a solução encontrada seja reproduzida através de um documento. Mas de nada adianta todo esse processo se a forma de exteriorizar for incompreensível, cansativa, rebuscada, inacessível. É aí que entra como solução o Visual Law.

Dica de leitura: Principais conceitos de Design Thinking para advogados 

Como aplicar o Visual Law na Advocacia

Lembre-se sempre, Visual Law não é só um documento bonitinho! O uso de recursos visuais deve ser visto como um apoio para melhorar a comunicação, já que o texto jurídico será sempre a base da argumentação.

Portanto, se aprendermos a nos comunicar de forma clara através do texto, talvez nem haja necessidade de utilizar uma imagem, um gráfico ou uma tabela, porque você já se fez entender. Nessa hora, vale a boa e velha premissa: “Menos é mais!”. E não faz sentido algum querer inserir cores, imagens e elementos visuais em um texto apenas para “surfar uma onda está todo mundo entrando”. 

É perfeitamente possível “fazer visual law” somente com texto, porque o foco da comunicação é o ser humano, o usuário com quem você pretende se comunicar. Se apenas com palavras você conseguiu transmitir a mensagem, o objetivo foi alcançado.

Mas atenção, quando me refiro a se fazer entender, esse critério não pode ser avaliado por você! Nem por outro colega advogado, a menos que a mensagem esteja direcionada para ele. Pense na infinidade de documentos jurídicos que são redigidos por advogados para estruturar relações cujas partes são totalmente leigas sobre o assunto.

São contratos, relatórios, notificações extrajudiciais, e-mails e muitos outros documentos que os advogados escrevem pensando que apenas outros advogados irão ler, e muitas vezes sequer percebem o quanto de juridiquês foi empregado naquele texto ou naquela conversa.

Exemplos do Visual Law aplicado na advocacia e suas vantagens

Eu poderia escrever um artigo inteiro com infindáveis exemplos de como o Visual Law pode ser aplicado na advocacia e gerar resultados efetivos que otimizam o tempo e aumentam os ganhos do profissional jurídico. Para esta pauta, foquei em três pontos principais e as possibilidades de formatos: 

Narrativas dos fatos e personagens

Para explicar a narrativa de fatos muito extensos e com muitos personagens, que podem dificultar a compreensão do magistrado em ações judiciais. 

O uso de infográficos, fluxogramas e até mesmo uma linha do tempo, podem tornar a comunicação mais objetiva e diminuir o risco de confusão quando envolvem muitos personagens e muito elementos descritivos.

Apresentação de informações

Para tornar a leitura mais fluída e evitar pausas e quebras durante o texto, o uso de tabelas e planilhas com o resumo de informações que constam nos documentos anexos. Isso agiliza a análise do magistrado, que pode finalizar o texto sem precisar fechar a peça processual na tela para abrir o documento, basta realizar a conferência posteriormente.

Além disso, em casos muito técnicos que envolvem matérias não jurídicas e é crucial a explicação ao magistrado de informações que servirão de subsídios para os fatos. Nesses casos, o uso de imagens, fotografias, fluxos, gráficos, cores para delimitar segmentos e variados recursos visuais, podem ser cruciais para definir a procedência do mérito.

Cláusulas contratuais

Em contratos, o uso de fluxos para explicar cláusulas de rescisão, aplicação de multas e índices de correção facilitam bastante e podem servir de apoio visual para o texto.

Além disso, uma folha de rosto com resumo das cláusulas em linguagem extremamente simples, preferencialmente dispostas em retângulos ou outras formas simétricas colocadas lado a lado, permitem uma visão geral do assunto que será tratado e agiliza as discussões durante a fase de negociação.

Como fazer um contrato: dicas e aspectos importantes para o documento

Dicas para começar a descomplicar o Direito através do Visual Law

1. Não se apegue a ferramentas

Vejo muitos advogados preocupados em aprenderem a manusear ferramentas para empregar recursos visuais em seus documentos, mas esquecem que o foco principal desse processo é a comunicação efetiva. 

Portanto, de nada adianta a melhor ferramenta se você não conseguir passar a mensagem. Você pode acabar produzindo um documento visivelmente apresentável, mas nada efetivo.

Costumo dizer que quando se entende o processo a solução pode ser alcançada até com papel e caneta. Então, priorize antes o Visual Law como solução para, então, buscar aprender ferramentas mais complexas.

2. Conheça o usuário do seu documento

Quem é a pessoa a quem se destina o seu documento? Se for um juiz, isso não é motivo para você ignorar essas dicas, pois ele também almeja clareza e efetividade ao se comunicar com o advogado. 

É uma pessoa como nós e está sendo tão influenciado pela tecnologia como qualquer outro leigo ao mundo jurídico. 

Consome informação na internet, nas redes sociais, na tela de um celular. Informação rápida, visual e cada vez mais direcionada. Mas que, ao analisar o texto jurídico, continua se deparando com o mesmo padrão do século passado: textos gigantes, rebuscados e nada atrativos para uma leitura fluída. Não cobre do Judiciário um papel que também cabe a você. 😉

Se o usuário for uma pessoa leiga, maior ainda será a sua responsabilidade de transmitir a mensagem jurídica de forma clara, pois a norma demanda compreensão para que seja cumprida.

3. Foque no problema que você quer resolver

Costumo orientar em meus cursos que o motivo que leva você a redigir um documento precisa estar fresco na sua mente quando se debruçar sobre o computador. Caso contrário, a chance de gerar rodeios, idas e vindas desnecessárias no texto é muito grande. Acabamos escrevendo demais e perdendo a objetividade. 

Dica: anote sempre em um post it o que você pretende com a construção daquele documento e cole ao lado da tela do seu computador enquanto o produz. Isso ajuda a não perder o foco do que se que se pretende alcançar.

4. Comece devagar

Retomo um ponto que já mencionei aqui texto, inovação se faz com pessoas! 

Sempre que se deparar com uma mudança, não se deve começar “com o pé na porta”. Vá devagar. 

Mude uma cláusula muito rebuscada de um contrato, reformule a forma de apresentar os fatos de uma peça judicial, utilize uma única cor se quiser dar destaque em um texto. Faça aos poucos para errar menos. 

À medida em que for ganhando confiança e validando as novas soluções você se sentirá seguro (a) para inovar completamente a forma de se comunicar no mercado jurídico.

5. Valide! Teste!

Por fim, mas não menos importante, a dica de ouro: valide suas ideias

Não tenha medo de errar. Não há previsão em nenhuma lei que determine a maneira como um documento jurídico pode ser redigido, apresentado. 

Há, sim, os requisitos legais que devem ser respeitados. Mas o legislador não proibiu o advogado de apresentar um memorial em vídeo, de fazer uma petição utilizando cores, de elaborar um contrato em power point. 

Portanto, se você identificou uma forma mais útil de se comunicar com o seu usuário, teste, valide com ele, colha feedback e, se der errado, retome o processo e corrija, mas não desista de inovar.

Leia também: Como elaborar um excelente manual do cliente na advocacia

Conclusão

O Direito precisa ser compreensível para promover o acesso à Justiça, caso contrário estaremos aplicando a norma jurídica sem efetividade. Advogados e advogadas têm um papel fundamental nesse processo. 

Não podemos mais nos iludir achando que a nossa profissão não será impactada pela tecnologia, porque essa realidade não é mais futuro, ela já está presente na nossa rotina. E, com esse impacto, tivemos uma democratização da informação, que se torna cada vez mais acessível e abundante. 

O Legal Design e o Visual Law surgem como ferramentas fundamentais para auxiliar profissionais do direito a se conectarem com esse mundo em que o cliente não aceita mais as velhas formas de se comunicar e prestar o serviço jurídico.

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