Advogado autônomo: os desafios do empreendedorismo na advocacia

Advogado autônomo: os desafios do empreendedorismo na advocacia

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A jornada do advogado empreendedor é cheia de desafios e descobertas, mas pode ser também muito gratificante. É o que acredita André Azevedo Kageyama, um advogado autônomo de 33 anos. Apaixonado pelo ofício, que exerce há sete anos, ele aceitou conversar com a gente sobre o empreendedorismo na advocacia.

Se você montou um escritório de advocacia ou atua como advogado autônomo, você também é um empreendedor. E conciliar a rotina jurídica com as atividades do negócio requer curiosidade constante, uma boa porção de coragem e capacidade de correr riscos.

Em um descontraído bate-papo, André nos contou sobre os motivos que o levaram para essa decisão, quais as dificuldades que precisou enfrentar para se estabilizar no mercado e como conseguiu contorná-las, como equilibra as atividades da advocacia com as demandas do negócio e muitas outras questões importantes sobre os temas. Ele falou mais sobre empreendedorismo jurídico em outra oportunidade aqui no blog.

Se você já tomou coragem e começou o próprio negócio, irá se identificar com a reflexão do advogado André e encontrar novos pontos de vista sobre alguns temas relevantes. E se você está pensando em abrir um escritório, vai encontrar dicas e insights importantes para seguir com mais confiança.

Confira a entrevista!

Os desafios de ser um advogado autônomo e empreender na advocacia

Como foi a decisão de abrir o próprio escritório?

André: Sempre tive vontade de trabalhar por conta própria. A ideia de ser subordinado a alguém e atender ordens nunca me apeteceu. Na minha concepção, esse tipo de relação te deixa preso à ideia de outra pessoa, e isso não é legal. Eu sempre gostei de criar mais e me envolver diretamente com as coisas. Pensava que poderia chegar mais longe se eu estivesse sozinho ou próximo de pessoas afins. Se eu não fosse advogado, teria outra empresa.

Mas a ideia de ser empreendedor começou depois que eu fui concursado. Trabalhei em uma autarquia por cinco anos. Sempre me questionei sobre a forma como os meus antigos patrões tratavam o negócio e os funcionários. Depois de cinco anos, percebi que não queria continuar na carreira pública. Surgiu, então, a ideia de montar o meu escritório e eu mergulhei de cabeça.

Que dificuldades você encontrou no início da sua atuação como advogado empreendedor?

André: De início, fiquei inseguro. Eu não me sentia preparado para advogar porque nunca tinha atuado em um escritório, apesar de ter um grande conhecimento teórico. Então, resolvi buscar sociedade, para me dar essa segurança. Me envolvi em três sociedades. Nessa época, adquiri muita experiência, até sentir que tinha aprendido a caminhar com as minhas próprias pernas.

Outra grande dificuldade que eu tive foi com a organização administrativa. Eu precisava entender qual estrutura física e saber como organizar as demandas — receber, processar e devolver a demanda para o cliente. Na faculdade, você aprende como ser advogado ou promotor. Mas você não aprende como administrar um negócio. Faz muita falta uma disciplina de administração, justamente para aquelas pessoas que vão organizar um departamento jurídico dentro de uma empresa ou vão gerir o próprio escritório de advocacia.

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Como você superou essas dificuldades?

André: Pesquisei muito na internet e optei por um modelo de negócio que não é muito comum entre os advogados: o home office. Eu vou até a casa do cliente para fazer o atendimento.

No início, os clientes ficaram um pouco assustados. Eles se questionavam sobre como confiariam suas documentações e a sua vida a mim, se nem sabem onde eu exerço meu ofício. Precisei romper essa barreira. Com os clientes mais antigos, foi mais fácil. Mas com os que eu prospectei depois de virar advogado autônomo, foi muito mais difícil.

Quais as desvantagens de não ter sócio?

André: Eu tenho audiências marcadas para o mesmo dia e sou sozinho para fazer tudo, mas não encaro isso exatamente como uma desvantagem. Eu faço um planejamento conforme a demanda, para não prejudicar nenhum processo, cronograma ou o direito do cliente. Por isso, eu já tenho uma provisão de fundos para contratar uma pessoa de forma emergencial, caso não consiga a redesignação da audiência.

Já em termos particulares, uma desvantagem é não ter ninguém para conversar, discutir soluções estratégicas sobre os processos, trocar ideia e receber feedback.
Existem algumas coisas, como essa, que fazem falta, mas não são insubstituíveis.

Você cometeu algum erro quando começou a empreender? Faria algo diferente?

André: Eu teria contabilizado e escriturado todas as minhas operações. Eu teria estudado mais sobre contabilidade para deixar toda a parte contábil em ordem. Eu teria feito um planejamento melhor dos meus gastos, dos meus investimentos, da minha porcentagem de lucro e investimento em cada processo. Hoje é fácil falar isso, depois de sete anos de caminhada.

Lá no começo, eu não tinha como ter toda essa visão e bagagem para poder estruturar da forma como faço atualmente. Hoje em dia, eu utilizo ferramentas para o controle, já sei quanto tempo tenho para cada processo e consigo mensurar melhor o lucro.

Como você divide as atividades de advocacia e administração do seu negócio?

André: Divido em dois momentos distintos. Deixei um dia reservado na semana só pra cuidar das burocracias. De segunda a quinta, eu advogo, me atualizo, estudo. Nas sextas-feiras eu cuido da parte estrutural do negócio. Nesse momento, penso em como melhorar meu trabalho, em como o feedback do meu cliente pode me influenciar positivamente. Coloco as questões contábeis e administrativas em ordem. Escrevo artigos, invisto em ações no Facebook, no meu site, publico vídeos. Tento sempre conciliar a paixão pela advocacia com as atividades práticas, para manter o equilíbrio.

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O que é sucesso para o você? Você se considera um advogado bem sucedido?

André: Objetivamente, sucesso é perceber o resultado do seu trabalho. Desde que eu comecei a atuar sozinho, tenho recebido ótimos feedbacks de clientes, alguns bem emocionantes. Nesse sentido, eu tenho muito sucesso. Financeiramente, também me considero um advogado bem sucedido. Trato todos os meus clientes e colegas da maneira mais empática e íntima possível. Acredito que tudo isso contribui para um bom trabalho. Dessa forma, os clientes se sentem próximos, prestam todas as informações de forma mais sincera e rápida que você precisa, pagam os honorários corretamente e participam dos processos. Conduzindo o trabalho dessa forma, eu consegui até chamar a atenção do Astrea e hoje eu estou aqui, conversando com vocês [risos].

Que conselho você daria para advogados que querem abrir o próprio escritório?

André: Reflita sobre o motivo que te motivou abrir um negócio. Foi por obrigação? Por não conseguir passar em um concurso? É porque você gosta? Você tem paixão em fazer o que faz? Qual o propósito de estar na advocacia, como autônomo ou em sociedade?

Não adianta advogar só para ganhar dinheiro. O ideal é se perguntar: como posso melhorar a vida das pessoas? Ganhar dinheiro é consequência daquilo que você faz com paixão. E, assim como as pessoas identificam o medo, a raiva e a angústia, elas também percebem a naturalidade dos atos. Uma atividade exercida sem paixão não passa confiança para as pessoas. Quando você lida com empresas, isso talvez não seja tão importante. Mas quando você atende pessoas de maneira individual, elas percebem isso.

Saiba enxergar onde você está agora e até onde quer chegar. Que ferramentas você pode usar nesse processo? Faça uma autoavaliação e seja franco consigo mesmo. Em que pontos você é muito bom, em quais aspectos você é bom, regular e ruim. Com essas respostas, se preocupe em melhorar sempre o que é regular e ruim. Se você não se exercitar esses pontos ou estudar sobre os assuntos que não domina, vai continuar sendo ruim naquilo. Não fuja das dificuldades.
André Azevedo Kageyama é cliente Astrea e utiliza nosso software para otimizar o trabalho e organizar a rotina.

Gostou da entrevista? Gostaria de participar da conversa? Deixe um comentário aqui embaixo dizendo o que você achou! 🙂 Se você gostou do artigo, baixe o ebook Primeiros passos para o atendimento na advocacia e descubra como encantar seus clientes desde a primeira interação!

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  • Vanessa Santana Rodrigues Duar disse:

    A entrevista com o Dr. André está maravilhosa, sou advogada há 10 anos, possuo escritório próprio e também trato meus clientes com muito carinho e respeito. Meu primeiro cliente é meu cliente até hoje, me lembro quando bateu em minha porta e eu sem qualquer experiência, a mão ficou gelada, as pernas tremeram embaixo da mesa, mas, sabem o que fiz? Falei: o senhor é meu primeiro cliente, não sei como ajudá-lo, mas eu garanto que vou dar o melhor de mim para ajudá-lo, só não posso prometer que ganharemos, pois, não sou eu quem decido…graças a Deus ganhamos a causa…kkkkk
    Luto muito pelos meus clientes, normalmente compartilho as mesmas angustias e sofrimentos, por este motivo, os que se arriscaram a procurar outros colegas, voltaram correndo. Quando ganho um cliente é para a vida toda. Amo o o que faço, não sou apaixonada, paixão é coisa passageira, amor é na dor e na alegria…somente os fortes permanecem neste ramo…Um grande abraço Dr. André, desejo muito sucesso.

    • Marcela Quint disse:

      Oi, Vanessa! Muito obrigada por compartilhar sua história conosco! 🙂 Aposto que muitos advogados passam pela mesma “tensão” nas primeiras causas, mas pouco se ouve falar sobre o assunto. Gostamos muito de divulgar histórias inspiradoras como a do Dr. André. Acreditamos que relatos como esse ajudam os advogados iniciantes a escolherem melhor os primeiros passos com confiança. E, principalmente, saber que está tudo bem errar no início, desde que haja dedicação e amor pela profissão. Abs!

  • Maria José disse:

    Muito bom o comentario

4 Comentários
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