erros como parte do processo na advocacia

[Entrevista] Advogada fala sobre erros como parte do processo de desenvolvimento

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Pensar em erros como parte do processo de desenvolvimento na advocacia – uma profissão com tanto impacto na vida das pessoas – parece até irreal. Porém, por mais que se evite falar sobre, as falhas são inerentes aos seres humanos, em maior ou menor escala; no âmbito profissional ou no pessoal. A grande questão é onde se permitir errar e como lidar com os atos falhos.

Nós já falamos aqui no blog sobre como os erros são vistos como parte do processo de inovação da Aurum. Agora, para aproximar o tema ainda mais da realidade da sua advocacia, conversamos com a advogada Samirys Verzemiassi, que em um bate papo inspirador compartilhou como enxerga e lida com as falhas em sua carreira.

O resultado da conversa é esta entrevista, que reúne lições de início de carreira, aprendizados da prática jurídica e conselhos de uma profissional para outros colegas. Continue a leitura e confira! 

Como Samirys vê erros como parte do processo de desenvolvimento

Atualmente, Samirys Verzemiassi é advogada autônoma com atuação na área do Direito da Família e Sucessões, em Jundiaí-SP. Além disso, é professora, mentora de jovens advogados e produtora de conteúdo digital – inclusive, colunista do blog da Aurum.

Sua trajetória profissional na advocacia começou em 2012, quando foi contratada em um escritório de São Paulo-SP. No entanto, conta que seu início de carreira não foi planejado e, por conta disso, trabalhou por certo tempo em áreas diferentes da que gostaria.

Sempre fui apaixonada por Direito de Família, mas não comecei a trabalhar nesse ramo no início da carreira – e aí acho que está o primeiro erro que eu gostaria de compartilhar com vocês.”

Aurum: Como foi, então, o início da sua trajetória profissional?

Samirys: Eu deixei “a vida me levar”, e isso acabou desviando um pouco meus objetivos. 

Sempre gostei da área de Família, mas, ao mesmo tempo, eu tinha que começar a trabalhar por questões financeiras. Assim que peguei minha OAB,  já comecei a fazer entrevistas e fui para o primeiro escritório onde consegui emprego. Comecei a advogar em um lugar que era muito legal, que gostei, e onde aprendi muito, mas não era na área que eu gostaria. 

Então, quando falo de planejamento, hoje, com muito mais experiência de vida e profissional, acho que é algo que deve ser feito desde a faculdade. Para o jovem advogado não perder muito tempo no seu desenvolvimento, nem levar tantos tombos que a leva por causa disso [a falta de planejar a carreira]. 

É preciso traçar um caminho. Óbvio, as coisas podem mudar um pouco, pode acontecer. Mas acho importante começar daí. A gente  sai meio desesperado da faculdade, sem saber por onde começar. Não sabe como montar um escritório, se deve ou não ser associado, se tem que arriscar abrir um negócio.

Quando você é de uma família que já atua com o Direito, que tem um escritório, até pode ficar mais fácil: pode trabalhar com a família e ponto. Mas, se não é de uma família com advogados, você fica um pouco perdido. Foi o que aconteceu comigo. Eu não tinha condições de ter um escritório ainda e tinha que trabalhar, então fui trabalhar para outros advogados – e acho que a maioria dos colegas acaba fazendo isso também.

Hoje vejo que eu poderia ter traçado um plano já na faculdade. Poderia ter pensado “vou procurar um estágio já na área de Família, para que eu possa, de repente, ser promovida quando eu passar na OAB e começar a trabalhar lá naquele escritório”. 

Não foi o que eu fiz. Os anos foram passando, eu trabalhei em vários escritórios de São Paulo, nenhum deles em Direito de Família. Eu estava trabalhando na área em paralelo, eu sempre peguei casos dessa área, mas não pelo escritório. E aí você pode ver que foi uma trajetória longa até que eu realmente tomasse coragem para largar tudo e me dedicar ao que eu queria.

Aurum: Como aconteceu essa virada de sair do escritório antigo para a atuação que você tem hoje?

Samirys: Chegou um momento que eu decidi arriscar – isso foi em 2018. 

Em 2015 eu já comecei a falar mais sobre Direito de Família, fiz o meu blog sobre a área, e três anos depois larguei o escritório anterior e comecei a atuar no meu negócio, como autônoma. Quando resolvi sair do escritório onde trabalhava foi porque eu já não estava mais satisfeita por estar atuando em outra área da forma que eu queria atuar.

Na época eu já tinha aprendido como gerir um negócio, porque estava exercendo um cargo de gestão de equipe e do escritório, não estava só na elaboração de peças. Então aproveitei essa experiência para arriscar. 

Só que eu não tinha feito planejamento financeiro. Eu tinha minhas reservas pessoais, que acabei usando para me bancar por um tempo, porque até você conseguir seus clientes e esses clientes conseguirem sustentar seu negócio e trazer lucro demora. E está aí um erro grave da minha trajetória profissional, que é não fazer um planejamento financeiro e ir de cara nessa loucura.

Aurum: E qual foi a saída para resolver a questão financeira?

Samirys: Eu tive o apoio do meu marido, tanto pessoalmente quanto financeiramente. Ele via que eu estava completamente infeliz com a minha carreira antes, então a mudança foi toda conversada. Além disso, eu não tinha feito o planejamento para o escritório, mas, pessoalmente, sempre tive uma organização financeira, então não tive também esse prejuízo. 

Mesmo assim, não foi fácil. Eu não tinha ideia de quando teria uma carteira de clientes suficiente para conseguir fazer entrar o dinheiro todo mês e conseguir me manter. 

Foi passando o tempo, eu tive dificuldades e algumas vezes até pensei em desistir. Cheguei a falar “nossa, como é difícil! Será que não devo voltar ao escritório anterior? Quando vai começar a ter força isso aí, conseguir os clientes que eu quero, estar tudo da forma que eu quero?” E realmente demora, algumas vezes você quer desistir sim. Mas, tô aí até hoje.

Aurum: Além do planejamento financeiro, quais habilidades você acha importante desenvolver que muitas vezes não são vistas na formação de advogados?

Samirys: Na minha opinião, nas faculdades falta muita coisa para a prática da advocacia. Faltam [aulas de] ética, gestão, planejamento financeiro, marketing, oratória, os limites éticos da OAB. Quando a gente sai da faculdade deveria ter noção disso, mas a gente aprende muito por cima. 

Infelizmente, essa questão do Código de Ética da OAB, por exemplo, não é muito clara para nós. Agora, nos últimos anos, que tem se falado mais, com a internet a gente tem essa vantagem. Muitos perfis jurídicos no Instagram, muitos blogs falando sobre isso, então tem esclarecido um pouco melhor. Mas, alguns anos atrás, realmente não tinha informação nenhuma, não tinha o que fazer.

A gente aprende que não pode comercializar, não pode mercantilizar a advocacia. Mas aí você pensa “o que é mercantilizar? Como vou vender meu serviço, se não sei o que é isso, se não sei o que eu posso e não posso fazer?” Então é muito complicado, no começo é complicado mesmo.

Essa falta de visão estratégica também prejudica muito nós advogados, porque você fica naquela dúvida: não posso mercantilizar, mas o escritório de advocacia é um negócio. E você não pode se esquecer disso. Porque quando tira da mente, fica com dó de cobrar, não sabe precificar, não como organizar, como gerir… fica uma bagunça! Por esse motivo tem muito advogado que desiste, que prefere realmente trabalhar em um escritório que já está estabilizado, porque não sabe por onde começar e fica essa confusão. 

Entrevista com advogada Samirys Verzemiassi
Samirys Verzemiassi fala sobre como erros podem ser parte do processo

Aurum: Quais aprendizados você tira da sua trajetória profissional e das situações que compartilhou acima? 

Samirys: Acho que o maior aprendizado é você seguir aquilo que está te fazendo feliz

Acho que nenhuma carreira, nada que você fizer, vai ser 100% maravilhoso, 100% tranquilo, fácil… não é. Mas, acho que quando você está fazendo algo que é realmente o que te faz feliz, que é o que você quer, mesmo com esses problemas e complicações, é mais fácil dar sequência. 

É muito pior você passar por essas situações num lugar que você não quer, trabalhando num escritório que você não quer, numa área que você não gosta, que não se identifica. É horrível acordar todo dia de manhã e ir para um lugar que você não quer ir, trabalhando numa coisa que você não quer, todos os dias, 5 dias da semana, de manhã até a noite. 

Era uma coisa que estava me deixando chateada, triste. Eu acordava desanimada, eu não via a hora voltar pra casa. Não dá… uma pessoa viver esperando pelo final de semana não é vida.

Hoje eu não tenho horário. Eu posso começar um dia super cedo e acabar cedo, ou começar cedo e acabar tarde, começar à tarde… sabe? Eu não tenho horários. Às vezes acabo trabalhando de final de semana. Mas, é muito mais gratificante do que a forma que era antes, com horário assim.

Aurum: Você citou que agora não precisa seguir horários, que pode “fazer” os seus horários. Como é a sua dinâmica de trabalho atual? Qual o formato do seu escritório?

Samirys: No começo eu não tinha um lugar para o escritório. Eu morava próximo da Avenida Paulista, em São Paulo, e vi aí uma vantagem, porque lá tem muitas salas, muito coworking, muito lugar para atuar. E aí comecei a alugar uma sala e atender os clientes lá. 

Pra mim, essa escolha foi vantajosa, porque o espaço já tinha toda a estrutura, eu só precisava pagar a locação da sala. E foi assim que comecei a atender os clientes, sempre na Paulista. Em algumas situações eu ia até o cliente, ia em cafés, fazia essas adaptações. E aí foi passando o tempo, eu mudei de cidade, e quando vim pra cá [Jundiaí] comecei a fazer a mesma coisa. Procurei salas para locação, alugo a sala até hoje. 

Assim, minha ideia de ter um escritório, de ter um local físico, bonito, grande, foi ficando de lado. Eu vi que não é só essa realidade, a gente não precisa ter uma estrutura assim se não quiser. E isso não faz de você menos profissional por causa disso. Respeito quem quer, quem tem essa vontade e acha necessário. Mas não é necessário para todos. 

Eu acho que é muito complicada essa visão de que advogados têm que ter um escritório lindo, grande, maravilhoso. As pessoas acabam gastando o que não tem, e às vezes o retorno de clientes não vem rápido, acabam surgindo dívidas, e vão desistindo da advocacia. 

A gente tem que ter essa cautela, porque a advocacia não é esse glamour que muitas pessoas acham – e tem compartilhado até! Muitas pessoas falam de uma forma como se a advocacia fosse muito fácil, como se fosse uma fórmula: você compra uma sala, equipa tudo certinho, contrata pessoas, e o cliente vai bater na sua porta pagando milhões. Isso não existe, tá bom? Risos. Eu não conheço uma pessoa que tenha conseguido isso! Risos.

A pandemia também trouxe algumas mudanças, eu comecei a fazer atendimentos online. Hoje, meu escritório é a minha casa… e é na minha casa, na verdade. Então, eu faço os atendimentos online de casa, e quando precisa também tenho minha sala para os presenciais. Minha advocacia hoje é dessa forma. Tem dado certo. 

Hoje eu até conseguiria montar esse escritório que eu pensei anos atrás, mas não tenho mais essa vontade. Para você ver que às vezes a gente pode até ter uma ideia, mas mudar. Pode acontecer.

Aurum: Você acredita que teve mais erros ou acertos desde que saiu da faculdade até agora?

Samirys: Olha, graças a Deus eu acho que tive mais acertos! 

Mas, isso não significa que não tive muitos erros. Inclusive na própria advocacia, né, por falta de experiência, por falta de alguém que te ensine.

A nossa área também tem muito isso, infelizmente, muita disputa de ego. Pessoas que não gostam de ajudar, pessoas que também não gostam de perguntar, porque querem passar a imagem de que sabem tudo. E se você fala que não sabe, é um “advogado ruim”. 

Então acho que falta um pouco disso na nossa área, a parceria, o coleguismo. Falta e ajudaria bastante em relação aos erros na profissão.

Aurum: Qual você entende que foi o seu erro mais marcante na sua carreira e como você se sentiu nessa situação?

Samirys: Acho que a falta de planejamento de carreira, que citei no início, foi o mais impactante. Eu perdi um pouco de tempo por conta disso. 

Eu fiz alguns estágios durante a faculdade, mas nenhum que eu tinha a perspectiva de continuar como advogada. Um deles foi na Fazenda Pública, onde sabia que não ia ficar, e outro na própria faculdade, que era voluntário. Nesse segundo eu aprendi muito sobre direito de família, porque atendia essa e outras áreas, só que eu sabia que não era algo que eu poderia continuar como advogada. Eu não tinha essa noção, não tinha essa ideia. 

Hoje, se eu fosse estudante de Direito faria muita coisa diferente. 

Eu procuraria um escritório que é da área que eu quero atuar – e eu sei que às vezes não é possível, é muito fácil falar, mas a realidade de cada um é diferente. Então, se possível, eu tentaria fazer isso, se eu não precisasse trabalhar com outra coisa, como muita gente precisa fazer faculdade e ter um emprego. 

Também já começaria a estudar mais a fundo a área que eu gostaria de atuar. Faria cursos, mesmo que pela internet. Hoje a gente tem muitos cursos bons, a internet está ajudando bastante, então tiraria esse preconceito que as pessoas têm com cursos online

Aproveitaria e já faria meu plano de carreira. Óbvio, o plano pode mudar com o tempo. Você pode mudar de ideia, muita coisa pode acontecer. Você pode casar, engravidar, ter que parar um ano da faculdade… pode acontecer. Mas, se você tiver uma estratégia, um plano do que você quer, mesmo que tenha que mudar um pouco, facilita. Você já vai ter um objetivo traçado, um passo a passo traçado. Então, eu faria isso hoje.

E a questão do planejamento financeiro também. Se eu tivesse me planejado durante os anos em que eu comecei na advocacia, quando eu sabia que não queria aquilo [de trabalhar em escritório], o começo da minha advocacia autônoma teria sido mais fácil. Teria sido um pouco mais tranquilo.

Aurum: Depois dessas vivências, como você lida com os erros hoje em dia?

Samirys: No começo, quando você erra, isso acaba te deixando para baixo. Você começa a colocar em dúvida se realmente tem condições de continuar sozinha, se não precisaria de mais experiência, de mais tempo. 

O erro muitas vezes te coloca para baixo, faz você pensar. Mas ele faz parte. E não falo só da questão do planejamento de negócio. O erro na advocacia faz parte. A gente não sabe tudo e nunca vai saber. 

Precisamos tomar cuidado, é claro, porque muitas vezes os erros podem trazer prejuízos para o cliente. É complicado errar na advocacia. É como um erro médico, não existe dizer “foi sem querer, passou”. Não é assim. 

A gente tem que evitar errar, mas pode acontecer. Aí vai de você: como enxergar as falhas? 

Eu prefiro olhar para frente do que me prejudicar e me colocar para baixo. Eu sei que todo mundo erra, não tem uma pessoa que não tenha errado e não vai continuar errando até o fim da vida. Tem advogados aí com 20 anos de profissão e continuam errando, tendo dúvidas, trocando experiências com colegas. Erros sempre vão existir, mas 

Aurum: Com certeza, erros fazem parte de qualquer aprendizado. Mas, como prevenir que eles aconteçam? Como você faz essa prevenção?

Samirys: O planejamento do escritório eu aprendi muito na prática. Como falei, eu já estava exercendo algumas funções de coordenação e de gestão, e isso já me fez ter uma noção quando iniciei.

Outro ponto que vale destacar é que atuo sozinha no escritório. Tenho algumas parcerias, alguns colegas para quem passo casos de outras áreas, mas eles não integram o escritório em si, são meus parceiros e cada um atua no seu próprio escritório. Então, quem faz a organização e planejamento do escritório sou eu.

Atualmente, eu uso o software jurídico Astrea, então toda a minha organização de prazos está no sistema. E eu tenho o duplo controle: eu tenho o Astrea e tenho o meu planner, porque sou também da moda antiga. Risos. 

Então recebo as publicações, faço os agendamentos e confiro se realmente estão certos. E aí também elaboro, reviso e peticionou o prazo. Sou sempre eu, então tenho que ter essa organização de dias.

Não dá para fazer tudo em cima da hora. Por exemplo: um prazo de 10 dias, não adianta eu deixar para fazer tudo no oitavo dia, porque não vai dar certo. Tenho que ter essa organização desde que eu recebo a publicação para lançar no sistema direitinho, fazer o agendamento e o prazo com dias de antecedência e revisar até conseguir protocolar. 

Eu evito protocolar no dia do prazo, porque pode acontecer um monte de coisa. Pode sair do ar o sistema, pode acontecer um imprevisto e eu estar na rua, não conseguir fazer o protocolo, e como eu sou sozinha tenho que ter essa organização. 

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O ṕlanejamento financeiro a mesma coisa. Eu tenho o valor que entra no escritório e desse valor do escritório eu tenho um valor fixo que tiro para mim todo mês. Sempre foi assim? Não! Risos. Às vezes não tinha um valor considerável para tirar, então a gente vai adaptando. Sempre questionei “o que posso tirar aqui? O que tenho que deixar na reserva do escritório?” Assim fui me adaptando e me organizando. 

As pessoas acham que o planejamento é só para quem está ganhando muito dinheiro, e não é! Se você não está ganhando muito, você precisa planejar, senão vai ficar sem dinheiro algum. Não vai ter lucro, não vai conseguir pagar nada. Então é para todo tipo de escritório, de advogado, é muito importante.

Aurum: Quais conselhos você daria para outros colegas em relação a erros e a importância de planejamento e organização?

Samirys: Sobre erros, é o que falei. A gente tem que ter ideia de que a gente vai errar. Não importa se você é um advogado recém formado, um estudante, ou se já é advogado de muitos anos. 

Então, nesse sentido, o conselho é para ficarem mais tranquilos

Lógico, a gente tem que ter cuidado, porque a nossa profissão é muito séria, a gente lida com problemas muito sérios. Na minha área, então, nem se fala, a gente trata de questões emocionais, familiares, então tem que ter muita cautela. 

Mas, os erros acontecem, e a gente tem que transformar a forma como os enxergamos. 

Temos que ver as falhas como obstáculos que estamos ultrapassando e que ver elas vão nos fazer crescer. Além disso, depois de errar, certamente não vamos fazer aquilo novamente, pois estamos aprendendo. Esses são meus conselhos.

Aurum: Você tem dicas práticas para advogados que já estão há mais tempo na advocacia e se sentem perdidos em relação a planejamento? 

Samirys: Acho que hoje a gente tem muitos cursos e muitos mentores à disposição. Então acho que se uma pessoa que trabalha com advocacia e se sente insegura profissionalmente, ela deve contar com alguém que a ajude, fique em cima, converse, mostre o caminho. Essa é uma dica importante. 

Eu não tive ninguém que me falasse o que fazer, que me auxiliasse guiando meus passos. Todas as vezes que eu errei, eu tive que me levantar sozinha e pronto. E isso é difícil, especialmente no início. Você não ter com quem contar, ou alguém para ajudar, é muito complicado. Então, se você conhece alguém que pode ajudar nesse momento de planejar a carreira e a advocacia, se agarre a essa pessoa, peça ajuda para ela.

Além disso, tenha cuidado para que não aconteça o contrário. Às vezes aquilo que você se apoia está te trazendo muito mais prejuízo, está te deixando muito mais para baixo do que te levantando. 

Então, tome cuidado com o conteúdo que você está consumindo, especialmente nas mídias sociais. Você pode admirar e torcer pelas pessoas, mas tem que ter cuidado porque nem tudo o que está na internet é verdade. E advocacia não é glamour.

Muita gente acha que está ajudando outros profissionais ao publicar certas informações nas redes sociais, mas, na verdade, não. Há casos em que profissionais falam que fecharam um contrato milionário, e não é a realidade. Publicam só para criar certa autoridade, e acabam desestimulando outros colegas, gerando questionamentos sobre o conhecimento e a competência de advogados e advogadas.

Para fechar, eu espero que as pessoas que leram essa entrevista se sintam mais confortáveis com a carreira e que possam tirar proveito do que compartilhei, possam ver que tem jeito, que a gente consegue, mesmo que não seja um caminho fácil. 

Onde encontrar Samirys Verzemiassi

Agora é a sua vez! Conta pra gente como enxerga os erros na advocacia. Você sente que eles podem trazer desenvolvimento, inovação e aprendizados? Compartilhe nos comentários abaixo! 😉

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  • Igor disse:

    Excelente conteúdo. Erros fazem parte da nossa trajetória profissional. E as lições são a parte mais importante dos erros. Parabéns à dra. Samirys!

  • CLAUDIO disse:

    Interesse a matéria e a trajetória é semelhante à minha. Porém, na minha época, procurava qualquer estágio que fosse atrativo e remunerado. Claro, tinha que ser na área jurídica e que acrescentasse aprendizado. Tive sorte, pois o primeiro foi num tribunal onde aprendi o básico da parte recursal, depois foi numa procuradoria jurídica, que aprendi direito do trabalho e processual, mais direito portuário trabalhista. Por fim, peguei num escritório de advocacia generalista fazendo muita audiência e atendendo clientes. Mas nunca fiz planejamento e comecei do “quase” zero.

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