No Brasil, Lawtechs e Legaltechs são termos usados para designar empresas que inovam o setor jurídico com tecnologias como IA, automação e análise de dados. Voltadas à modernização de escritórios e acesso à justiça, são representadas pela AB2L. Embora em outros países haja distinção, aqui compartilham o mesmo propósito: transformar a forma de advogar.
O que você vai encontrar neste conteúdo:
- Como surgem as lawtechs e legaltechs e de que forma a tecnologia vem redesenhando a prática da advocacia no Brasil;
- Por que essas soluções deixaram de ser apenas inovação e passaram a impactar diretamente tempo, riscos e decisões estratégicas de advogados e escritórios;
- Quais são as principais categorias de lawtechs e que tipo de problema cada uma resolve na rotina jurídica;
- Exemplos práticos de como a tecnologia já está sendo aplicada no dia a dia da advocacia, em diferentes contextos e portes de operação;
- As tendências que estão moldando o futuro da advocacia, com destaque para inteligência artificial, dados e eficiência operacional;
- E quais critérios considerar para escolher a lawtech mais adequada ao momento, à estrutura e aos objetivos do seu escritório.
Em setores como o financeiro, a tecnologia mudou completamente a forma como as pessoas se relacionam com serviços essenciais. Resolver tudo pelo aplicativo do banco tornou-se natural. Ir até uma agência, enfrentar filas ou lidar com processos manuais passou a parecer coisa de outro tempo.
E a pergunta que fica é: por que com a advocacia seria diferente?
À medida que a tecnologia avança, o exercício do Direito também passa por uma mudança estrutural. O que antes dependia de papel, controles paralelos e retrabalho constante começa a dar lugar a sistemas inteligentes, automações e dados que apoiam decisões mais seguras e estratégicas.
Não se trata de acelerar o trabalho a qualquer custo, mas de mudar o foco da atuação jurídica. Menos energia gasta com tarefas operacionais. Mais espaço para análise, estratégia, relacionamento e impacto real.
É nesse contexto que as lawtechs e legaltechs ganham relevância: não como uma tendência passageira, mas como respostas concretas a uma nova forma de advogar — mais conectada à realidade, às exigências do mercado e ao futuro da profissão.
Continue a leitura e entenda o que são lawtechs e legaltechs, como elas funcionam na prática e de que forma já estão transformando a rotina de advogados e escritórios!
O que são Lawtechs e Legaltechs?
Lawtechs e legaltechs são empresas que desenvolvem produtos e serviços de base tecnológica para melhorar o setor jurídico. Na prática, estamos falando de soluções criadas para tornar a advocacia mais eficiente, organizada e conectada à realidade atual.
Essas empresas atuam em diferentes frentes: softwares de gestão para advogados e escritórios, automação de documentos, monitoramento de processos, jurimetria, legal analytics, inteligência artificial aplicada ao Direito e até plataformas que aproximam cidadãos de profissionais jurídicos mais adequados para cada caso.
As lawtechs ajudam a simplificar a rotina jurídica, reduzir tarefas manuais, minimizar riscos operacionais e apoiar decisões baseadas em dados.
Ao automatizar atividades repetitivas e burocráticas, elas liberam tempo para aquilo que realmente gera valor na advocacia: estratégia, análise, relacionamento com clientes e crescimento sustentável do negócio.
O Astrea e o Themis, desenvolvidos pela Aurum, são exemplos de soluções criadas para apoiar advogados e escritórios na gestão da rotina jurídica de forma mais intencional e confiável.
Existe diferença entre Lawtech e Legaltech?
Na prática, não existe uma diferença clara entre os termos lawtech e legaltech, especialmente no mercado brasileiro. Ambos são usados como sinônimos para se referir a empresas que aplicam tecnologia ao setor jurídico.
Em algumas abordagens mais conceituais, costuma-se dizer que:
- Legaltech seria um termo mais amplo, englobando soluções voltadas para advogados, empresas, cidadãos e até para o próprio Judiciário;
- Lawtech teria um foco maior na advocacia e na prática profissional do Direito.
Apesar dessa tentativa de distinção, ela não é adotada de forma consistente na prática. No Brasil, instituições como a AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) utilizam os dois termos para representar o mesmo ecossistema de inovação jurídica.

Como as Lawtechs beneficiam advogados e escritórios de advocacia
As lawtechs impactam diretamente a rotina jurídica ao mudar os resultados da atuação profissional. Mais do que falar de ferramentas, esse impacto aparece na forma como advogados trabalham, decidem e se organizam no dia a dia.
Na prática, os principais benefícios se concentram em três frentes: tempo, risco e estratégia.
Mais tempo para o trabalho jurídico de valor
Grande parte da rotina advocatícia ainda é consumida por tarefas operacionais que não exigem análise jurídica profunda. Ao automatizar essas atividades, as lawtechs ajudam a liberar tempo para aquilo que realmente demanda conhecimento técnico e raciocínio estratégico.
O resultado é uma rotina com:
- Menos esforço dedicado a tarefas repetitivas;
- Mais foco em análise, argumentação e tomada de decisão;
- Melhor aproveitamento do tempo da equipe.
Esse ganho de tempo não significa trabalhar mais rápido, mas trabalhar melhor, com mais qualidade e menos sobrecarga.
Menos riscos e mais previsibilidade
A perda de prazos, a descentralização de informações e o uso excessivo de controles manuais aumentam o risco operacional na advocacia. Ao estruturar melhor a rotina, as lawtechs contribuem para uma atuação mais previsível e segura.
Na prática, isso se reflete em:
- Menor exposição a falhas humanas;
- Mais consistência no cumprimento de prazos e compromissos;
- Maior controle sobre informações críticas do escritório.
Com menos improviso, o advogado ganha confiança para atuar com mais tranquilidade e responsabilidade.
Decisões mais estratégicas e embasadas
Além de organizar a rotina, as lawtechs permitem que a advocacia avance para um modelo mais estratégico, no qual decisões são tomadas com base em informações concretas.
O uso de dados jurídicos, análises históricas e indicadores de desempenho ajuda a:
- avaliar riscos com mais clareza;
- escolher estratégias com maior embasamento;
- planejar a atuação do escritório no médio e longo prazo.
Nesse contexto, a tecnologia não substitui o julgamento humano, ela qualifica a decisão.
O cenário das Lawtechs e Legaltechs no Brasil
O Brasil se consolidou como um dos mercados mais relevantes para lawtechs e legaltechs no mundo, formando um ecossistema robusto de inovação jurídica. A AB2L posiciona o país como um dos maiores polos de tecnologia jurídica globalmente, reunindo startups, escritórios, departamentos jurídicos e outros atores interessados na transformação do Direito.
Esse crescimento está ligado à digitalização do sistema jurídico — incluindo processos eletrônicos, peticionamento digital e maior disponibilidade de dados públicos — e à demanda por maior eficiência diante da complexidade do Judiciário brasileiro.
Crescimento do mercado jurídico tecnológico
Nos últimos anos, o número de lawtechs e legaltechs ativas no Brasil tem crescido de forma consistente. De acordo com levantamentos recentes da AB2L, o total de associadas saltou de cerca de 100 para mais de 600 startups associadas em menos de seis anos, sinalizando um avanço acelerado do setor tecnológico aplicado ao Direito no país.
Esse movimento acompanha uma tendência global de adoção de tecnologia no jurídico: mais empresas surgem para automatizar tarefas, gerar inteligência de dados e apoiar decisões planejadas, o que tem impacto direto na operação de advogados e escritórios.
O fortalecimento das lawtechs brasileiras está relacionado a três tendências principais:
- Digitalização do Judiciário, com a expansão de processos e peticionamento eletrônicos e maior oferta de dados acessíveis;
- Maior complexidade e volume de demandas jurídicas, que exigem ferramentas mais eficientes de organização e análise;
- Mudança no perfil profissional, com advogados e gestores mais abertos à adoção de tecnologia no dia a dia.
Além disso, a busca por escala, eficiência operacional e um atendimento mais ágil impulsionou escritórios a adotarem soluções que automatizam tarefas, organizam a gestão e apoiam decisões estratégicas no dia a dia jurídico.
Nesse contexto, as lawtechs deixam de ser vistas apenas como iniciativas inovadoras e passam a ocupar um papel central na modernização do mercado jurídico brasileiro, tornando-se aliadas essenciais para a sustentabilidade e a evolução da advocacia.
O papel da AB2L no desenvolvimento das lawtechs
A AB2L tem sido peça-chave na consolidação desse ambiente de inovação jurídica no Brasil. Como associação sem fins lucrativos fundada em 2017, ela atua para fomentar a cultura de tecnologia no Direito, conectar os diferentes participantes do ecossistema e ampliar o impacto das soluções tecnológicas no mercado jurídico brasileiro.
Entre suas principais contribuições estão:
- Mapear lawtechs e legaltechs brasileiras e disponibilizar esses dados para o mercado;
- Promover eventos e experiências de conexão, como o AB2L Lawtech Experience;
- Criar programas de certificação e reconhecimento, como a Certificação AB2L Infinite;
- Facilitar networking e parcerias entre startups, advogados, escritórios, departamentos jurídicos e instituições públicas
Ao fomentar esse ambiente colaborativo, a AB2L impulsiona não apenas o crescimento quantitativo de startups jurídicas no Brasil, mas também a qualidade e o impacto das soluções tecnológicas no dia a dia da advocacia.
Principais categorias de Lawtechs e Legaltechs
Se os benefícios mostram o que muda na advocacia, as categorias ajudam a entender como essas mudanças acontecem na prática.
Cada tipo de lawtech responde a uma necessidade específica da rotina jurídica, com soluções diferentes para problemas distintos.
Confira as principais categorias e como elas impactam o dia a dia de advogados e escritórios!
Automação e gestão de documentos jurídicos
Essa categoria reúne soluções voltadas à criação, organização e gerenciamento de documentos jurídicos ao longo do tempo.
Na prática, essas ferramentas atuam no:
- Uso de modelos e estruturas automatizadas;
- Organização do ciclo de vida de contratos e peças;
- Apoio à elaboração inicial de documentos com inteligência artificial.
O foco aqui não é o resultado final, mas o processo de produção documental, tornando-o mais estruturado e menos dependente de controles manuais.
Gestão para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos
Os softwares de gestão jurídica atuam na estruturação da operação do escritório ou do departamento jurídico. São soluções voltadas à organização do trabalho como um todo.
Essas plataformas permitem:
- Centralizar processos, clientes, documentos e dados financeiros;
- Estruturar fluxos de trabalho e responsabilidades;
- Visualizar atividades, prazos e demandas em andamento;
- Acompanhar equipes e operações em um único ambiente.
Recursos como quadros Kanban, painéis e relatórios ajudam a dar visibilidade e controle à rotina jurídica, especialmente em operações mais complexas.
Jurimetria e Legal Analytics
As lawtechs dessa categoria trabalham com análise de dados jurídicos. A partir do cruzamento de decisões judiciais, jurisprudência e históricos processuais, essas soluções revelam padrões do comportamento do Judiciário.
Na prática, elas oferecem:
- Leitura estatística de decisões;
- Identificação de tendências e recorrências;
- Suporte analítico para estratégias processuais.
Aqui, o foco está no uso de dados como insumo estratégico, não na execução da rotina.
Monitoramento de processos judiciais e dados públicos
Essa categoria reúne soluções dedicadas ao acompanhamento automatizado de informações jurídicas públicas, como processos, publicações e alterações relevantes.
Essas ferramentas atuam principalmente em:
- Captura e atualização automática de andamentos;
- Organização de informações públicas em ambientes estruturados;
- Redução da dependência de consultas manuais.
O valor está na continuidade e confiabilidade do acompanhamento, especialmente em operações com grande volume de processos.
Resolução de conflitos online
As lawtechs de resolução de conflitos online oferecem plataformas digitais para mediação, negociação e arbitragem, fora do fluxo tradicional do processo judicial.
Essas soluções viabilizam:
- Acordos realizados em ambiente digital;
- Comunicação estruturada entre as partes;
- Alternativas mais rápidas ao litígio judicial.
O foco está na forma de resolução, não na gestão do processo.
Conteúdo jurídico, educação e consultoria
Manter-se atualizado é essencial para a prática jurídica. Por isso, há lawtechs focadas em conteúdo jurídico, educação continuada e serviços de consultoria especializada.
Essa categoria inclui:
- Portais de notícias e informação jurídica;
- Plataformas de acesso à legislação e jurisprudência;
- Cursos, treinamentos e capacitações profissionais.
Empresas de consultoria que oferecem serviços especializados, como segurança da informação, compliance e assessoria tributária, também fazem parte dessa categoria. O Jusbrasil é um exemplo de lawtech que atua nesse grupo!
Outras categorias de Lawtechs e Legaltechs
Além das categorias mais conhecidas, a AB2L mapeia outras frentes de atuação das lawtechs e legaltechs no Brasil, que ampliam ainda mais o impacto da tecnologia no ecossistema jurídico:
- Compliance: soluções voltadas ao cumprimento de leis, normas regulatórias e políticas internas em organizações públicas e privadas;
- IA aplicada ao Setor Público: inteligência artificial desenvolvidas para apoiar tribunais, órgãos públicos e instituições governamentais;
- Regtech: ferramentas criadas para lidar com exigências regulatórias, facilitando controle, adequação e gestão de conformidade;
- Taxtech: soluções tecnológicas focadas em questões tributárias, como apuração, planejamento e gestão de tributos;
- Civic Tech: iniciativas que fortalecem o relacionamento entre cidadãos e instituições, promovendo transparência, participação e acesso a serviços públicos;
- Real Estate Tech: voltado ao mercado imobiliário e cartorário, incluindo gestão de registros, contratos e informações patrimoniais.
Exemplos de Lawtechs brasileiras
O ecossistema de lawtechs e legaltechs no Brasil é diverso e segue em expansão, com soluções que atendem desde advogados autônomos até grandes escritórios, empresas e o próprio Judiciário.
Aurum e soluções de gestão jurídica
A Aurum desenvolve soluções de gestão jurídica que combinam tecnologia, inteligência e proximidade com a rotina real da advocacia, atendendo diferentes níveis de complexidade operacional.
Astrea: gestão jurídica inteligente para advogados e escritórios
O Astrea, desenvolvido pela Aurum, é uma solução de gestão jurídica inteligente pensada para advogados autônomos e escritórios de advocacia que precisam de mais controle, clareza e fluidez na rotina.
Mais do que centralizar informações, o Astrea atua como um apoio ativo à tomada de decisão, antecipando dados relevantes do dia a dia jurídico e sugerindo ações práticas para que nada importante passe despercebido.
Entre as soluções oferecidas, destacam-se:
- Gestão centralizada de processos, clientes e documentos, com acesso rápido às informações que realmente importam;
- Controle de prazos, tarefas, eventos e audiências, com alertas inteligentes que ajudam a priorizar o que exige atenção imediata;
- Monitoramento automático de processos judiciais, garantindo atualizações constantes e reduzindo o risco de falhas manuais;
- Recursos visuais para organização do fluxo de trabalho, como o módulo de Gestão Kanban, que facilita a visualização das atividades, identifica gargalos e orienta os próximos passos;
- Funcionalidades com inteligência artificial que vão além da automação, apoiando a elaboração de peças jurídicas, interpretando informações processuais e sugerindo ações operacionais para tornar a rotina mais estratégica e menos reativa.
O próximo ano pode ser mais leve com o Astrea

Themis: gestão jurídica estratégica para operações complexas
Enquanto o Themis, também desenvolvido pela Aurum, é uma solução voltada à gestão jurídica de departamentos jurídicos e grandes escritórios de advocacia, que lidam com operações mais complexas, alto volume de demandas e múltiplos stakeholders.
Ele foi concebido para oferecer controle, visão estratégica e inteligência aplicada à tomada de decisão, apoiando equipes jurídicas internas e bancas de maior porte a atuarem de forma mais integrada, previsível e orientada a dados.
Entre as soluções oferecidas, destacam-se:
- Gestão automatizada de processos, prazos e demandas, garantindo previsibilidade, organização e redução de riscos operacionais;
- Inteligência estratégica para a tomada de decisão, com relatórios, dashboards e indicadores de desempenho customizáveis;
- Gestão financeira e contratual integrada, incluindo controle do ciclo de vida dos contratos, faturamento e emissão de nota fiscal eletrônica;
- Centralização e produtividade jurídica, com criação, gestão de documentos e unificação do consultivo e contencioso em uma única plataforma;
- Integrações avançadas e APIs robustas, que permitem conectar o Themis a outros sistemas corporativos e desenvolver soluções sob medida;
- Análise preditiva e conformidade com uso de inteligência artificial, para antecipar riscos, identificar padrões e integração com o eSocial para cumprimento de obrigações legais.
Como escolher a melhor Lawtech para meu escritório?
A escolha de uma lawtech deve partir das necessidades reais do escritório, e não apenas da quantidade de funcionalidades oferecidas. Em um mercado cada vez mais amplo, avaliar critérios estratégicos ajuda a evitar investimentos que não geram retorno e facilita a adoção do sistema no dia a dia da equipe.
Mais do que “ter tecnologia”, o objetivo é contar com soluções que façam sentido para o seu momento, sua rotina e seus objetivos de crescimento.
Critérios essenciais antes da contratação
Antes de contratar uma lawtech ou legaltech, vale analisar alguns pontos fundamentais:
- Problema que a solução resolve: identifique se a o que está sendo ofertado responde às dores reais do escritório, como gestão de prazos, organização de processos, produtividade da equipe ou apoio à tomada de decisão;
- Facilidade de uso: ferramentas intuitivas reduzem o tempo de adaptação e aumentam a adesão do time, evitando que o sistema vire mais uma barreira na rotina;
- Centralização de informações: priorize soluções que reúnam processos, tarefas, documentos e dados em um único ambiente, reduzindo retrabalho e perda de informações;
- Automação e inteligência: recursos como monitoramento automático, alertas e uso de inteligência artificial ajudam a diminuir tarefas manuais e riscos operacionais;
- Suporte e evolução constante: um bom atendimento, aliado a atualizações frequentes, faz diferença no uso contínuo da ferramenta;
- Escalabilidade: a solução deve acompanhar o crescimento do escritório, sem exigir trocas frequentes de sistema ou reestruturações complexas.
Avaliar esses critérios aumenta as chances de a lawtech escolhida realmente contribuir para a eficiência, a organização e a sustentabilidade da advocacia.
Custos e desafios de implementação
Além do valor financeiro, é importante considerar os custos operacionais e os desafios envolvidos na implementação do sistema no dia a dia do escritório.
Pontos como o tempo de adaptação da equipe, a necessidade de ajustes nos processos internos, a migração de dados e a análise do custo-benefício real merecem atenção no momento da escolha da solução.
Uma adoção bem-sucedida acontece quando a lawtech é percebida como aliada da advocacia, apoiando a rotina e a estratégia do escritório — e não como uma obrigação ou um obstáculo à forma de trabalhar.
Tendências futuras para Lawtechs e Legaltechs
As lawtechs e legaltechs continuam evoluindo à medida que o mercado jurídico se torna mais digital, orientado por dados e consciente da necessidade de eficiência. Mais do que acompanhar avanços tecnológicos, a advocacia passa a refletir sobre como e para que usar essas ferramentas.
O futuro da advocacia não está na substituição do trabalho humano, mas na adoção intencional da tecnologia para fortalecer uma atuação mais estratégica, ética e sustentável — alinhada à realidade do mercado e às expectativas de clientes e profissionais.
Nesse cenário, a inovação deixa de ser promessa e passa a fazer parte do cotidiano, moldando novas formas de organizar o trabalho, tomar decisões e exercer o Direito.
Inteligência artificial aplicada ao Direito
A inteligência artificial desponta como uma das tendências mais transformadoras dos próximos anos. Não como ameaça ao papel do advogado, mas como um recurso capaz de ampliar sua capacidade de atuação.
Na prática, a IA vem sendo aplicada para:
- Apoiar a elaboração e organização de peças e documentos jurídicos;
- Lidar com grandes volumes de informações de forma estruturada;
- Identificar padrões e tendências em decisões judiciais;
- Automatizar tarefas repetitivas da rotina.
Quando utilizada de forma responsável, a inteligência artificial devolve ao advogado aquilo que é mais valioso: tempo e foco. Tempo para análise crítica, estratégia, interpretação e relacionamento, mantendo o profissional no centro das decisões e da responsabilidade jurídica.
Automação, dados e eficiência jurídica
Outra tendência que se consolida é a integração entre automação de processos, uso estratégico de dados e busca por eficiência operacional. Escritórios e departamentos jurídicos que avançam nesse caminho passam a operar com mais clareza, previsibilidade e capacidade de adaptação.
Esse movimento permite:
- Rotinas mais organizadas;
- Decisões menos reativas e mais planejadas;
- Operações jurídicas mais sustentáveis no médio e longo prazo.
Nesse contexto, as lawtechs deixam de ser apenas ferramentas de apoio e passam a exercer um papel estruturante na gestão e na evolução do negócio jurídico. Elas ajudam a construir uma advocacia preparada não apenas para responder ao presente, mas para escolher conscientemente o futuro que quer ocupar.
Relatório de tendências na advocacia 2026
Quer dar o próximo passo nessa reflexão?
As transformações que você viu aqui fazem parte de um movimento mais amplo, que já está redesenhando a profissão jurídica. No Relatório Tendências da Advocacia 2026, reunimos os principais sinais de mudança do mercado, com insights sobre tecnologia, carreira, gestão e o papel do advogado nos próximos anos.
É um material pensado para quem não quer apenas acompanhar o futuro, mas se posicionar melhor diante dele.
Acessar o relatório grátis[CTA: Acessar o relatório gratuitamente]
Conclusão
As lawtechs e legaltechs já não representam uma promessa distante para o mercado jurídico — elas fazem parte da realidade de uma advocacia que busca mais eficiência, organização e capacidade estratégica.
Ao longo deste conteúdo, ficou claro que a tecnologia, quando adotada de forma consciente, não substitui o papel do advogado, mas amplia seu impacto e fortalece sua atuação.
Entender esse ecossistema, suas categorias, benefícios e tendências é um passo importante para tomar decisões mais alinhadas ao momento e aos objetivos de cada escritório ou profissional. Mais do que escolher ferramentas, trata-se de escolher como advogar daqui para frente.
A advocacia do futuro começa com escolhas feitas no presente — e a tecnologia pode ser uma aliada essencial nesse caminho.
Mais conhecimento para você
- Legal Analytics: para que serve e como usar em departamentos jurídicos
- Como a Inteligência Artificial pode aumentar a eficiência do seu departamento jurídico?
- Relatórios jurídicos: função, exemplos e como gerar
- Legal Operations: porque é peça-chave para departamentos
- Entenda como o advogado pode usar o ChatGPT na rotina jurídica
- Aurum Summit: o evento para a sua próxima advocacia
- Entenda o que é a herança digital e qual a sua regulamentação
- Usufruto: conceito, características e espécies
- Entenda o que é e como solicitar o auxílio-acidente
Agora é a sua vez de compartilhar sua experiência e opinião! Gostou do conteúdo sobre lawtech e legaltech? Tem alguma história para contar aos leitores do Portal? Comenta aqui embaixo, vamos adorar saber o que você pensa sobre o assunto.
Muito prazer, nós somos a Aurum! Desenvolvemos softwares jurídicos há mais de 30 anos e entregamos produtos de qualidade para aperfeiçoar a gestão e elevar a produtividade dos advogados. Temos dois softwares no mercado: o Astrea, criado para atender as...
Ler maisDeixe seu comentário e vamos conversar!
Gostaria de saber como funciona na prática?
Sou formanda em Direito, sou bacharel tenho conhecimento em tais áreas.
Como consigo adequar o meu conhecimento, com lawtechs?
Olá,
gostaria de transformar tudo que tenho hoje do físico em online, e otimizar meu tempo, pois também sou professora.
aguardo retorno
Todo escritório/advogado que se preze, atualmente utiliza software jurídico e/ou de gestão, ou até um software único que engloba serviços jurídicos e de gestão. Quase impossível pensar em um advogado/escritório que tenha bastante contencioso que não trabalhe com esse tipo de ferramenta. Isso é inclusive arriscado, pois a chance de perder prazos e não dar feedback aos clientes é grande.
Com relação a software que servem para poupar tempo, como montadores automáticos de petições para ações de massa ou repetitivas, de teses prontas para apenas juntar de forma pre-programada, para documentos etc; são mais velhos que andar para a frente, já existem desde que eu era estagiário e a internet ainda engatinhava aqui no Brasil, a única diferença é que hoje são on-line, com uma roupagem moderna e chamados de startup, mas não são disruptivos e não criaram um novo nicho, são modelos modernos de velhos serviços.
Tem mais, para ações repetitivas, como as que envolvem os planos econômicos (Collor e Bresser), por exemplo, hoje existe a internet, que fornece modelos prontos e de graça.
Ademais, a IBM tem o Watson (que é caro, mas vale o investimento), que há um bom tempo já faz análise de contratos; petições; tendências de julgamentos de acordo com cada tipo de ação, tese ou pedido; interpretação de jurisprudência etc. Basta ter a grana para investir e comprá-lo. Para isso, necessário é achar um investidor ou se socorrer do velho e bom financiamento bancário, o que pode até ser uma alternativa a se considerar, mesmo ante os juros abusivos, dado o retorno a médio e longo prazo que um investimento como esse pode trazer.
Meios alternativos de solução de conflitos de forma on-line também já existem há um tempo, estão aí disponíveis para qualquer advogado usar e oferecer como serviço agregado aos seus clientes, como a MOL (Mediação On-Line), por exemplo.
Fora isso, o Marketing Digital e agregar valor ao serviço se tornou mais que uma necessidade, trata-se de obrigação, uma condição de sobrevivência no mercado jurídico atualmente. Com a proliferação de cursos de direito, sem nenhum critério e/ou qualidade (diga-se de passagem), houve uma comoditização dos serviços jurídicos de baixa complexidade e repetitivos, sendo necessário agregar valor ao serviço por meio de diferenciais competitivos e especialização, exatamente para sair da vala comum e disputa apenas de preços. Não fosse assim, não existiriam tributaristas, penalistas, dentre outros especialistas fazendo milhões de reais com a advocacia.
Outro ponto a ser considerado são essas plataformas que visam conseguir clientes (Jusbrasil ou Jurídico Certo) são uma roubada. Uma pesquisa rápida na avaliação dos usuários revela que seu serviço será aviltado com preços muito abaixo do mercado, pois não há diferenciação, o cliente não enxerga o valor (especialização ou qualidades que o diferencie), procura apenas preço, ou seja, procura a commodity mais barata.
Quer valorizar o seu serviço? Então se especialize; estude mais que os outros a ponto de ser melhor que os demais; ofereça um serviço diferenciado, principalmente no aspecto de tratamento ao cliente, motivo de grande reclamação das pessoas em relação a advogados; invista em marketing, principalmente o digital, para que as pessoas cheguem a você, afinal você oferece um bom serviço; use ferramentas que facilitem a sua vida, claro, mas principalmente que melhorem a experiência do cliente com a sua contratação, tais como montadores automáticos de relatórios para prestação de contas aos clientes; ofereça mais do que apenas o jurídico, ofereça orientação, faça parcerias; enfim, saia da vala comum.
Sendo assim, não consegui ver qual o objetivo das LegalTechs nesse contexto, trata-se de orientação para automação e uso de ferramentas de gestão para otimizar o tempo? Se for isso, me parece mais do mesmo, mas com uma roupagem nova e moderna, pois isso sempre existiu. Talvez antes fosse necessário um ou outro estagiário a mais para fazer trabalhos burocráticos, mas isso já acabou há muito tempo.
Sem duvida alguma a utilização de um software é fundamental para um escritório de advocacia. Não condigo imaginar um advogado sem o auxilio de um software, porém discordo quanto a falta de necessidade de contratar um estagiário para trabalhos burocráticos. Acredito que é sim muito importante, pois de qualquer maneira, independente de qual software seja utilizado, sempre terá que ser abastecido com informações e manutenção dos lançamentos. É um erro “vender” a ideia que com um software poderá fazer tudo sozinho e solucionará todos os problemas. A verdade é que se pode diminuir consideravelmente o apoio administrativo, mas nunca eliminar totalmente. Como exemplo da Professora Adriana Oliveira (pergunta acima), ela esta precisando de um auxilio administrativo, alguém para organizar seus processos, digitalização de documentos, unificar informações dos processos e clientes para “dentro” de um software.