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Golpe do Falso Advogado: como funciona e como proteger seus clientes

20 mar 2026
Artigo atualizado 20 mar 2026
20 mar 2026
ìcone Relógio Artigo atualizado 20 mar 2026
O golpe do falso advogado é um tipo de fraude em que criminosos utilizam informações verdadeiras de processos judiciais para entrar em contato com vítimas, geralmente pelo WhatsApp, fingindo ser advogados. Eles solicitam pagamentos antecipados, normalmente via Pix, alegando que o valor é necessário para liberar uma suposta indenização.

O que você vai encontrar neste conteúdo:

  • Dados públicos são a matéria-prima do golpe: informações processuais acessíveis no PJe e SAJ, combinadas com vazamentos e engenharia social, dão aos criminosos credibilidade suficiente para enganar vítimas desatentas.
  • O roteiro é previsível: contato inesperado, urgência fabricada, solicitação de Pix e sumiço imediato. Reconhecer esse padrão é a primeira linha de defesa para clientes e equipes.
  • O escritório pode ser responsabilizado: se houver negligência na proteção dos dados que alimentaram o golpe, o escritório responde civilmente, tornando a conformidade com a LGPD uma proteção jurídica para o próprio negócio.
  • Prevenção exige três frentes simultâneas: canais oficiais documentados desde o contrato, treinamento periódico da equipe e softwares jurídicos com controle de acesso hierárquico são indispensáveis para blindar clientes e reputação.

A digitalização do sistema judiciário trouxe ganhos inegáveis de agilidade e transparência, mas também abriu espaço para um tipo de fraude que cresce a cada ano: o golpe do falso advogado.

Nesse esquema, criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para enganar clientes vulneráveis, geralmente em momentos de tensão emocional e urgência processual. O resultado quase sempre é o mesmo: prejuízo financeiro para o cliente e dano à reputação do escritório.

Com a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) desde agosto de 2021, ficou ainda mais evidente que escritórios de advocacia precisam adotar uma postura proativa em relação à segurança dos dados que gerenciam. Afinal, são esses dados como nomes, CPFs e números de processo que alimentam esse tipo de golpe.

Continue a leitura 😉

O que é o golpe do falso advogado?

O golpe do falso advogado é uma fraude em que criminosos se apresentam como advogados, estagiários ou assistentes jurídicos para extorquir dinheiro de pessoas que possuem processos em andamento ou que acabaram de sofrer algum evento judicial.

O contato pode acontecer por telefone, WhatsApp, e-mail ou até presencialmente. Em muitos casos, o golpista já possui informações reais sobre o cliente, o que confere uma falsa credibilidade à abordagem.

Os valores cobrados variam: podem ser taxas inventadas, custas processuais falsas, honorários adiantados ou até pedidos de depósito para desbloqueio de uma indenização inexistente. A vítima realiza o pagamento acreditando estar resolvendo uma situação legítima.

Como os golpistas obtêm dados processuais?

Essa é a pergunta que mais surpreende as pessoas: como eles sabem tantos detalhes? A resposta está na natureza pública dos processos judiciais e no fato de vivermos na sociedade da informação. Boa parte das informações processuais é acessível a qualquer pessoa nos sistemas dos tribunais como o PJe e o sistema SAJ.

Além disso, golpistas podem obter dados por meio de:

  • Vazamentos de dados de empresas e órgãos públicos, algo que a LGPD busca coibir.
  • Engenharia social, por meio de táticas como urgência e autoridade falsa para extrair informações da própria vítima.
  • Redes sociais e grupos onde pessoas comentam sobre processos ou buscam indicações.
  • Táticas de Spoofing, em que o remetente de um email ou número de telefone é falsificado para parecer legítimo.

Como funciona a abordagem ao cliente

Na maioria dos casos, o golpe do falso advogado segue um roteiro relativamente previsível. Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social e manipulação emocional para criar confiança e pressionar a vítima a tomar decisões rápidas, sem tempo para verificar as informações.

Em geral, a abordagem acontece em etapas bem definidas:

  1. O contato inesperado: o golpista entra em contato apresentando-se como advogado ou como integrante do escritório responsável pelo processo do cliente.
  2. A criação de urgência: a mensagem costuma mencionar um prazo imediato, risco de arquivamento do processo ou a necessidade urgente de liberar um valor judicial.
  3. A solicitação de pagamento: o criminoso pede um depósito para supostas custas processuais, taxas judiciais ou valores necessários para emissão de alvará.
  4. O desaparecimento após o pagamento: após a transferência — normalmente feita via Pix — o contato é interrompido e o golpista deixa de responder às mensagens.

Sinais de alerta: como identificar a fraude

Conhecer os sinais mais comuns desse golpe é uma das formas mais eficazes de prevenção. Tanto clientes quanto escritórios de advocacia podem identificar indícios de fraude ao prestar atenção em alguns comportamentos recorrentes.

Alguns dos principais sinais de alerta são:

  • Para os clientes: contato feito por número desconhecido, pressão para realizar pagamentos urgentes via Pix (especialmente para contas de pessoa física) e promessas de liberação imediata de valores mediante pagamento antecipado.
  • Para o escritório: relatos de clientes sobre contatos suspeitos ou dúvidas sobre cobranças que não foram feitas oficialmente, além de ligações de pessoas que afirmam ter sido contatadas pelo escritório sem que exista qualquer registro interno dessa comunicação.

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Como o escritório pode se proteger e proteger seus clientes

A proteção contra esse tipo de fraude passa por três frentes fundamentais: procedimentos claros, cultura de segurança e boas práticas de proteção da informação. Vejamos cada uma delas:

1. Procedimentos e canais oficiais

Definir e comunicar de forma transparente quais são os canais oficiais de contato do escritório é uma das medidas mais importantes para evitar fraudes.

Esses canais devem ser informados ao cliente desde o início da relação profissional, preferencialmente registrados no contrato de honorários ou em outros documentos formais de comunicação.

Canal de ComunicaçãoNível de Segurança RecomendadoConformidade LGPD
EmailUso de criptografia e autenticação de dois fatoresGarantia da confidencialidade (Art. 6)
Mensageria InstantâneaPlataformas com criptografia ponta a ponta e contas gerenciadasMinimizar riscos de acessos não autorizados
Plataformas de ReuniãoUso de salas protegidas por senha ou salas de esperaControle de acesso e proteção contra interceptação
ArmazenamentoServiços de nuvem com criptografia em repouso e políticas de acessoMedidas técnicas aptas a proteger os dados (Art. 46)

2. Cultura e treinamento

A segurança digital também depende do comportamento das pessoas que lidam com os dados. Relatórios de segurança apontam que uma parcela significativa dos incidentes de dados ocorre por falhas humanas ou tentativas de engenharia social.

Por isso, é importante investir em treinamentos periódicos para que a equipe saiba reconhecer abordagens suspeitas, lidar com solicitações incomuns e seguir protocolos seguros de comunicação com clientes.

3. Segurança da informação

Além das boas práticas internas, é essencial utilizar ferramentas tecnológicas que ofereçam mecanismos de proteção de dados.

Softwares jurídicos que permitem definir hierarquias de acesso, permissões por usuário e controle sobre documentos e informações sensíveis ajudam a garantir que os dados dos clientes sejam acessados apenas por pessoas autorizadas, reduzindo riscos de exposição indevida ou uso incorreto das informações.

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O que fazer quando um cliente for vítima?

Mesmo com medidas preventivas, situações de fraude podem acontecer. Quando um cliente relata ter sido alvo do golpe do falso advogado, é importante agir com rapidez, acolhimento e organização para registrar o ocorrido e orientar os próximos passos.

Algumas medidas recomendadas são:

  1. Registrar as evidências do golpe: reúna capturas de tela das conversas, números de telefone utilizados, comprovantes de pagamento e quaisquer outras informações que possam ajudar na identificação da fraude.
  2. Orientar o cliente a registrar um boletim de ocorrência: o registro formal do caso é fundamental para que as autoridades possam investigar o crime e também para eventual tentativa de recuperação de valores.
  3. Avaliar possíveis implicações de segurança de dados: caso exista qualquer indício de vazamento ou acesso indevido a informações do escritório, analise a necessidade de comunicação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme previsto na LGPD.

Conclusão

Proteger clientes contra o golpe do falso advogado é um imperativo que vai além da técnica jurídica pois toca no maior ativo de um escritório: a confiança.

A implementação da LGPD na advocacia não é apenas uma conformidade burocrática mas sim a construção de uma infraestrutura segura que resguarda a dignidade do titular dos dados e a perenidade do negócio jurídico.

Um escritório que possui processos estruturados e uma equipe treinada para reconhecer táticas de engenharia social posiciona se no mercado como um parceiro moderno e confiável.

A transparência sobre o uso das informações e a clareza nos protocolos de pagamento geram uma credibilidade que se torna um diferencial competitivo real em um cenário cada vez mais digitalizado. A ética no tratamento de dados é agora o novo padrão de excelência na advocacia brasileira.

Perguntas frequentes

O golpe do falso advogado é crime previsto em lei?

Sim. A conduta se enquadra no crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena de reclusão de um a cinco anos. Quando praticado por meio eletrônico ou contra pessoa idosa, a pena pode ser agravada. A vítima deve registrar boletim de ocorrência imediatamente e guardar todas as evidências do contato fraudulento.

O escritório pode ser responsabilizado se um cliente cair no golpe usando o nome do escritório?

Em regra, o escritório não responde pelos atos de terceiros que se passam por ele. No entanto, se ficar comprovado que houve negligência na proteção dos dados dos clientes, como o vazamento de informações processuais por falha interna, pode haver responsabilização civil. Por isso, adotar boas práticas de segurança da informação e estar em conformidade com a LGPD é também uma forma de proteção jurídica para o próprio escritório.

Como devo orientar um cliente que já realizou o pagamento ao golpista?

O primeiro passo é acalmar o cliente e orientá-lo a registrar o boletim de ocorrência o quanto antes, incluindo prints, números de contato e comprovantes da transferência. Em seguida, ele deve entrar em contato com o banco para tentar o bloqueio ou estorno da transação via Pix, o que é possível em alguns casos por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Documente também o relato do cliente para fins de eventual ação judicial contra o golpista.

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