{"id":8890,"date":"2023-06-02T11:10:00","date_gmt":"2023-06-02T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aurum.com.br\/blog\/ativismo-judicial\/"},"modified":"2024-09-16T14:48:43","modified_gmt":"2024-09-16T17:48:43","slug":"ativismo-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/ativismo-judicial\/","title":{"rendered":"Ativismo judicial: o que \u00e9, hist\u00f3rico e exemplos"},"content":{"rendered":"<div id=\"bsf_rt_marker\"><\/div>\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Ativismo judicial<\/strong> \u00e9 quando o Poder Judici\u00e1rio se envolve ativamente e de forma expansiva, interferindo nas decis\u00f5es de outros poderes.<\/pre>\n\n\n\n<p>Tema da moda e pol\u00eamico por natureza. Muito deve ser falado sobre o ativismo judicial para que n\u00f3s, operadores do direito, saibamos o que \u00e9 bom ou n\u00e3o sobre esse assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse no in\u00edcio, o ativismo judicial \u00e9 um termo t\u00e9cnico, ou melhor: <strong>\u00e9 uma t\u00e9cnica do Poder Judici\u00e1rio<\/strong>. Apesar de possuir, atualmente, uma imagem pejorativa, o ativismo judicial recebeu este nome por conta de uma atua\u00e7\u00e3o expansiva e proativa do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, antes de adentrarmos nessa pol\u00eamica, vamos falar um pouco sobre a hist\u00f3ria do ativismo judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"1\">Breve hist\u00f3rico do ativismo judicial<\/h2>\n\n\n\n<p>Existe uma diverg\u00eancia sobre a origem do termo ativismo judicial. Por\u00e9m, prevalece o entendimento de que o termo fora criado pelo jornalista americano Arthur M. Schlesinger Jr., em 1947, em uma mat\u00e9ria jornal\u00edstica para a revista \u201cFortune\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo, <strong>o jornalista teve a miss\u00e3o de construir o perfil pol\u00edtico e ideol\u00f3gico dos nove membros da Suprema Corte norte-americana<\/strong>, que na \u00e9poca enfrentava um momento de tens\u00e3o pol\u00edtica com o governo Franklin Delano Roosevelt, cujo teor consubstanciava-se em aprovar um plano pol\u00edtico e econ\u00f4mico conhecido como <em>new deal<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano pol\u00edtico envolvia algumas medidas legislativas marcadas pelo tra\u00e7o da inconstitucionalidade. Tinha o principal escopo de resgatar o desenvolvimento econ\u00f4mico da na\u00e7\u00e3o americana, que entrou em decl\u00ednio ap\u00f3s o ocorrido pela grande depress\u00e3o da d\u00e9cada de 30. O artigo se intitulava <em>\u201cThe Supreme Court: 1947<\/em>\u201d, de Schlesinger Jr.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele contexto, <strong>o termo ativismo judicial n\u00e3o tinha muita rela\u00e7\u00e3o com o conceito atual<\/strong>. O artigo escrito por Arthur Schlesinger narrou a postura tomada por alguns ju\u00edzes da Suprema Corte, que diante de um comportamento de jurisdi\u00e7\u00e3o defensiva (<em>judicial restraint<\/em>), oriunda de um pensamento eminentemente positivista, se esquivavam de enfrentar casos relevantes e essenciais \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos aprofundar mais nesse contexto hist\u00f3rico. Afinal, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o relevante para o nosso artigo, tampouco para a defini\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea desse termo.<\/p>\n\n\n\n<p>Passado esse breve momento hist\u00f3rico, para entender o que \u00e9 ativismo judicial, temos que ter em mente o conceito de <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/judicializacao\/\">judicializa\u00e7\u00e3o<\/a>, j\u00e1 que \u00e9 comum confundi-los.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"2\">O que \u00e9 judicializa\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/judicializacao\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/judicializacao\/\">judicializa\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 um fen\u00f4meno contempor\u00e2neo<\/strong>, oriundo da quantidade de demandas que t\u00eam sido levadas ao judici\u00e1rio para que seja dada uma senten\u00e7a de m\u00e9rito, resolvendo o caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um aumento de demandas que buscam o judici\u00e1rio para resolver quest\u00f5es que, primordialmente, deveriam ser resolvidas no \u00e2mbito dos outros poderes (legislativo e executivo).<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno da judicializa\u00e7\u00e3o se deu a partir da promulga\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/a>, j\u00e1 que a Carta Magna vigente redemocratizou o pa\u00eds, e passou a dar acesso para que o Poder Judici\u00e1rio intervisse em v\u00e1rias demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese,<strong> judicializa\u00e7\u00e3o significa que uma parcela do Poder Pol\u00edtico est\u00e1 sendo transferido das inst\u00e2ncias pol\u00edticas tradicionais para o Poder Judici\u00e1rio<\/strong>. Significa dizer que a \u00faltima palavra sobre quest\u00f5es econ\u00f4micas, sociais ou morais de largo alcance, est\u00e3o tendo a sua inst\u00e2ncia final de decis\u00e3o perante o Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A judicializa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 um fato decorrente de um certo arranjo institucional. Esse arranjo produziu uma constitucionaliza\u00e7\u00e3o abrangente, aliada a um modelo de controle de constitucionalidade que faz com que todos os ju\u00edzes de direito sejam ju\u00edzes constitucionais e tamb\u00e9m permite que caibam as a\u00e7\u00f5es diretas propon\u00edveis diretamente perante o STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, devemos sempre lembrar que temos uma Constitui\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, que \u201ccuida\u201d de tudo: idosos, previd\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as, sa\u00fade, fam\u00edlia, crimes. Como diz o Ministro Barroso, nossa Constitui\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o traz a pessoa amada em 3 dias.<strong> Ou seja, qualquer assunto \u00e9 pass\u00edvel de chegar ao Supremo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar a propor\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o levadas para o judici\u00e1rio, a justi\u00e7a j\u00e1 teve que decidir que a espuma do colarinho faz parte do chopp. \u00c9 s\u00e9rio! Pode pesquisar no Google. \ud83d\ude42<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"3\">Qual a rela\u00e7\u00e3o entre ativismo judicial e judicializa\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O ativismo judicial \u00e9 uma consequ\u00eancia da judicializa\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 mas n\u00e3o somente dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O excesso de demandas de cunho pol\u00edtico levadas ao judici\u00e1rio \u00e9 que faz com que os ju\u00edzes atuem de maneira expansiva, ultrapassando o limite da lei, tornando-se um juiz legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>Num Estado democr\u00e1tico de direito, <strong>\u00e9 de suma import\u00e2ncia o equil\u00edbrio entre os Poderes, de maneira que nenhum se destaque em rela\u00e7\u00e3o ao outro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no \u00e2mbito da aplica\u00e7\u00e3o do direito, \u00e9 desej\u00e1vel que ele se afaste da pol\u00edtica, a fim de n\u00e3o sofrer inger\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos entender melhor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A separa\u00e7\u00e3o entre Direito e Pol\u00edtica t\u00eam sido considerada essencial no Estado Constitucional Democr\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto na pol\u00edtica vigoram a soberania popular e o governo da maioria, no direito o que vigora \u00e9 a supremacia da lei e o respeito aos <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/direitos-fundamentais\/\">direitos fundamentais<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>a pol\u00edtica \u00e9 o universo da maioria, e o direito \u00e9 o dom\u00ednio da raz\u00e3o p\u00fablica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O direito e a pol\u00edtica interagem mutuamente. No entanto, o direito deve ter uma forte pretens\u00e3o de autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo real, essa autonomia \u00e9 relativa, e devemos dividir essa rela\u00e7\u00e3o em dois momentos:<strong> o da cria\u00e7\u00e3o do direito e o da aplica\u00e7\u00e3o do direito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Conhe\u00e7a os <\/em><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/principios-gerais-do-direito\/\"><em>princ\u00edpios gerais do direito<\/em><\/a><em> aqui no Portal da Aurum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cria\u00e7\u00e3o do direito<\/h3>\n\n\n\n<p>No momento de cria\u00e7\u00e3o do direito, n\u00e3o h\u00e1 como separ\u00e1-lo da pol\u00edtica, pois o direito \u00e9 o produto do processo constituinte e do processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas democracias, isso significa que o direito \u00e9 o produto da vontade das maiorias.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, <strong>o direito \u00e9 um dos principais produtos da pol\u00edtica<\/strong>, sendo que a cria\u00e7\u00e3o dele \u00e9 um dos objetivos pelos quais as batalhas pol\u00edticas s\u00e3o disputadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre as democracias, o direito legitima o exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico, e procura limitar o exerc\u00edcio desse poder (entenda sobre as <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/areas-do-direito\/\">\u00e1reas do direito<\/a> aqui no Portal).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aplica\u00e7\u00e3o do direito<\/h3>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no que tange \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o entre direito e pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 desej\u00e1vel, como tamb\u00e9m necess\u00e1ria, para que subsistam as bases democr\u00e1ticas de um determinado Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem dois grandes institutos que fazem a separa\u00e7\u00e3o do direito e da pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O primeiro \u00e9 a independ\u00eancia do Poder Judici\u00e1rio<\/strong>: essa independ\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria para que a pol\u00edtica n\u00e3o possa ter influ\u00eancia decisiva na interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do Direito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o Judici\u00e1rio possui uma s\u00e9rie de garantias institucionais (autonomia administrativa, financeira e capacidade de auto-organiza\u00e7\u00e3o). Al\u00e9m dessas, os ju\u00edzes possuem garantias funcionais, tais como a vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas garantias buscam resguardar o Judici\u00e1rio da n\u00e3o inger\u00eancia pol\u00edtica, para que este seja independente dos demais poderes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O segundo instituto \u00e9 o da vincula\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes <\/strong>ao direito posto e aos valores e categorias da dogm\u00e1tica jur\u00eddica de uma maneira geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Ju\u00edzes n\u00e3o criam e n\u00e3o inventam o direito. As decis\u00f5es jur\u00eddicas sempre precisam ser reconduzidas a alguma norma. Ou seja,<strong> o juiz n\u00e3o pode abrir m\u00e3o do direito para julgar o caso concreto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que essa parte \u00e9 muito te\u00f3rica e at\u00e9 chata, mas \u00e9 de suma import\u00e2ncia para que voc\u00ea n\u00e3o tenha mais aquela vis\u00e3o que fora erroneamente difundida na m\u00eddia de que o ativismo judicial, numa defini\u00e7\u00e3o simplista, \u00e9 a interfer\u00eancia do judici\u00e1rio na pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como operadores do direito, n\u00e3o podemos limitar nosso conhecimento \u00e0quilo que \u00e9 tido como senso comum.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"4\">Intera\u00e7\u00e3o entre direito e pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p>Em todo mundo democr\u00e1tico, uma parcela dos poderes pol\u00edticos \u00e9 reservada a agentes p\u00fablicos que n\u00e3o s\u00e3o eleitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E como que isso acontece?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bom, o Poder Judici\u00e1rio desempenha um poder de interpretar e aplicar o direito, correto?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o juiz decide mat\u00e9rias associadas aos interesses privados das pessoas, essa atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o costuma suscitar grandes controv\u00e9rsias.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, esse mesmo judici\u00e1rio, quando declara uma lei inconstitucional, determina que o SUS ou um governo estadual financie o tratamento de um indi\u00edvduo fora do pa\u00eds, ou suspende uma execu\u00e7\u00e3o de obra p\u00fablica por quest\u00f5es ambientais, a\u00ed sim surgem os questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque h\u00e1 uma sobreposi\u00e7\u00e3o da vontade do judici\u00e1rio da vontade pol\u00edtica dos outros dois poderes, daqueles representantes que foram eleitos pelo voto do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>h\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o entre judici\u00e1rio e pol\u00edtica<\/strong>, na medida em que o judici\u00e1rio produz decis\u00f5es que interferem com a atua\u00e7\u00e3o do Legislativo e do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Saiba mais sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/crimes-eleitorais\/\">crimes eleitorais<\/a>&nbsp;aqui no Portal da Aurum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"5\">Aprofundamento em ativismo judicial<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a segunda guerra mundial, o mundo percebeu que um judici\u00e1rio independente e forte era importante para a preserva\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais. Ao lado disso, tamb\u00e9m se verificou uma progressiva desilus\u00e3o e descr\u00e9dito com a pol\u00edtica majorit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, <strong>o Poder Legislativo n\u00e3o \u00e9 capaz de produzir consensos<\/strong> e, portanto, normatiza\u00e7\u00e3o perante temas controvertidos na sociedade. E a\u00ed cabe ao Poder Judici\u00e1rio resolver esses problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas surgem na vida e o judici\u00e1rio precisa resolv\u00ea-los independentemente da exist\u00eancia ou n\u00e3o de normas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O juiz n\u00e3o pode invocar a lacuna no <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/ordenamento-juridico\/\">ordenamento jur\u00eddico<\/a> para n\u00e3o resolver um problema<\/strong>; ele precisa decidir essas mat\u00e9rias mesmo que o legislativo n\u00e3o tenha atuado.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim surge o ativismo judicial, que nada mais \u00e9 do que a atua\u00e7\u00e3o expansiva do judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa eventual demanda em que o Poder Legislativo tenha atuado fazendo escolhas pol\u00edticas, tomando decis\u00f5es e editando leis, o judici\u00e1rio, como regra geral, deve ser deferente para com essa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, decis\u00f5es pol\u00edticas, numa democracia, devem ser tomadas por quem tem voto, e o judici\u00e1rio n\u00e3o tem voto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quando chega uma demanda ao judici\u00e1rio em que o legislativo n\u00e3o fez o seu papel? Ou quando estiver em jogo um direito fundamental?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como eu disse um pouco mais acima, o juiz n\u00e3o pode se esquivar do julgamento.<strong> Diante da demanda, ele tem o dever de julgar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por isso que tivemos, nos \u00faltimos anos, um apanhado de decis\u00f5es consideradas ativistas. As demandas chegavam ao judici\u00e1rio, e o legislativo n\u00e3o havia atuado para prever uma solu\u00e7\u00e3o para aquela situa\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n\n\n\n<style>\n    #adpost-block_e5d55f52fd37c7fb3e8cf9dc725c5b55.anuncio-post-reverse {\n        display: flex;\n        gap: 24px;\n        border-radius: 8px;\n        width: 100%;\n        max-width: 752px;\n        padding: 40px;\n        background: #e7f4fe;\n        margin: 16px auto;\n    }\n\n    #adpost-block_e5d55f52fd37c7fb3e8cf9dc725c5b55 .anuncio-container {\n        display: flex;\n        flex-direction: column;\n        gap: 24px;\n        width: 100%;\n        max-width: 333px;\n    }\n\n    #adpost-block_e5d55f52fd37c7fb3e8cf9dc725c5b55 .anuncio-container .logo {\n        width: 100%;\n        max-width: 177px;\n        margin: 0;\n    }\n\n    #adpost-block_e5d55f52fd37c7fb3e8cf9dc725c5b55 .anuncio-text-container {\n        display: flex;\n        flex-direction: column;\n        gap: 24px;\n    }\n\n    #adpost-block_e5d55f52fd37c7fb3e8cf9dc725c5b55 .anuncio-text-container .title {\n        font-family: 'Ubuntu';\n        font-size: 1.5rem; 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Nem a lei e nem a constitui\u00e7\u00e3o previu as rela\u00e7\u00f5es homoafetivas, mas essa era uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas do mesmo sexo viviam juntas por d\u00e9cadas, constru\u00edam patrim\u00f4nio, se separavam, e como ficavam as decis\u00f5es diante do caso concreto? Como ficaria o direito \u00e0 pens\u00e3o? A partilha de bens?<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso levou o STF a reconhecer a uni\u00e3o homoafetiva, mesmo sem previs\u00e3o legal. <strong>Foi uma decis\u00e3o ativista<\/strong>, utilizando-se da muta\u00e7\u00e3o constitucional, para atender um anseio da sociedade para o qual o legislativo se manteve inerte.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros exemplos de ativismo judicial no Brasil<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Fidelidade partid\u00e1ria:<\/strong> mesmo sem previs\u00e3o legal, o STF decidiu que o pol\u00edtico eleito por determinado partido, se mudasse de partido durante o mandato, perderia o mandato. Para chegar a essa decis\u00e3o, o Supremo interpretou o princ\u00edpio democr\u00e1tico e a ideia de representatividade pol\u00edtica. Em minha concep\u00e7\u00e3o, uma decis\u00e3o acertada.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade da proibi\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o dos crimes hediondos<\/strong>: Apesar do debate ocorrido nas duas Casas Legislativas, entre os representantes eleitos do povo, que editaram, por lei, a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 progress\u00e3o de regime em casos de crimes hediondos, o STF, alegando uma densa base principiol\u00f3gica, entendeu que tal veda\u00e7\u00e3o era inconstitucional. Nesse ponto, o STF atropelou os outros dois poderes (Legislativo e Executivo), impondo a sua vontade, mesmo diante de um procedimento legislativo leg\u00edtimo.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Veda\u00e7\u00e3o ao voto impresso nas urnas eletr\u00f4nicas<\/strong>: mais uma vez, ap\u00f3s o regular procedimento legislativo que aprovou a minirreforma eleitoral, o STF interviu, de maneira ativista ao declarar a inconstitucionalidade do voto impresso na urna eletr\u00f4nica. Tamb\u00e9m se utilizou uma s\u00e9rie de princ\u00edpios, numa tentativa de dar raz\u00e3o \u00e0 sua decis\u00e3o. Sobre essa decis\u00e3o, destaco que o voto impresso n\u00e3o ficaria de posse do eleitor, e mesmo assim, um dos princ\u00edpios que norteou a decis\u00e3o do STF foi a veda\u00e7\u00e3o ao retrocesso. Essa decis\u00e3o foi, e ainda \u00e9, muito questionada no que tange \u00e0 inger\u00eancia pol\u00edtica sofrida para que fosse declarada esta inconstitucionalidade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Criminaliza\u00e7\u00e3o de homofobia como racismo<\/strong>: por mais repugnante que possam ser os crimes de homofobia e racismo, essa decis\u00e3o do Supremo, em minha opini\u00e3o, \u00e9 uma das mais perigosas para o Estado Constitucional Democr\u00e1tico e o equil\u00edbrio dos Poderes. Isso porque t\u00e3o somente por lei pode ser criado um crime. E, nesse caso, o Supremo criou um crime. Refor\u00e7o: por mais louv\u00e1vel que seja a inten\u00e7\u00e3o do Supremo, ela abre um precedente perigoso e que pode ser utilizado de maneira desarrazoada em casos futuros.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Aborto at\u00e9 o 3\u00ba m\u00eas n\u00e3o \u00e9 crime<\/strong>: em outra decis\u00e3o ativista, o Supremo descriminalizou o aborto at\u00e9 o 3\u00ba m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou entrar em quest\u00f5es religiosas aqui, n\u00e3o \u00e9 oportuno. Mas, diante do caso concreto, essa decis\u00e3o p\u00f5e em xeque a <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/seguranca-juridica\/\">seguran\u00e7a jur\u00eddic<\/a>a, j\u00e1 que ela \u00e9 contra legem, uma vez que o aborto \u00e9 crime, e as exce\u00e7\u00f5es legais j\u00e1 est\u00e3o previstas no <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/codigo-penal-brasileiro\/\">C\u00f3digo Penal Brasileiro<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"7\">Exemplos de decis\u00f5es ativistas no mundo<\/h3>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do texto, eu disse que o ativismo judicial \u00e9 um fen\u00f4meno mundial, e como tal, trouxe algumas decis\u00f5es ativistas proferidas pelas cortes supremas mundo afora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A Suprema Corte do Canad\u00e1<\/strong> decidiu se os Estados Unidos poderia ou n\u00e3o fazer testes com m\u00edsseis em territ\u00f3rio canadense.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Em Israel<\/strong>, a Suprema Corte sobre a constru\u00e7\u00e3o de um muro separando a parte Palestina.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Nos Estados Unidos<\/strong>, a Suprema Corte decidiu sobre o resultado das elei\u00e7\u00f5es do ano 2000.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"8\">Vantagens e desvantagens do ativismo judicial<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A grande vantagem do ativismo judicial <\/strong>\u00e9 que toda e qualquer demanda ser\u00e1 decidida pelo judici\u00e1rio, mesmo em caso de in\u00e9rcia do poder legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ningu\u00e9m ficar\u00e1 sem a tutela jurisdicional, mesmo que os pol\u00edticos eleitos n\u00e3o consigam atuar de maneira suficiente para atender aos anseios da sociedade, que est\u00e1 em permanente evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O lado negativo \u00e9 o desequil\u00edbrio dos poderes<\/strong> e a imposi\u00e7\u00e3o daquilo que se chama de ditadura do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que o judici\u00e1rio deve decidir o m\u00e9rito de quest\u00f5es n\u00e3o abrangidas por lei, ele tamb\u00e9m deve ser sol\u00edcito diante das situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 uma lei que regulamente a quest\u00e3o em lide, devendo declarar inconstitucionalidade somente quando esta realmente ocorrer, e n\u00e3o se aproveitar de dogm\u00e1ticas principiol\u00f3gicas para dar a sensa\u00e7\u00e3o de razoabilidade em suas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O populismo do judici\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o ruim quanto qualquer outro<\/strong>, e por isso que toda e qualquer decis\u00e3o ativista deve ser extremamente cautelosa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caso concreto em que eu pedi ativismo judicial<\/h3>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 23\/07\/2019, em <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/sustentacao-oral\/\">sustenta\u00e7\u00e3o oral<\/a> no TJDFT, eu pedi para que os desembargadores fossem ativistas diante do meu pleito.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratava-se de uma demanda sobre a limita\u00e7\u00e3o de idade de 30 anos para ingresso na Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha argumenta\u00e7\u00e3o foi que a lei que imp\u00f4s tal limita\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1988, e que passados 35 anos ap\u00f3s a sua edi\u00e7\u00e3o, <strong>ela n\u00e3o mais atendia a sua fun\u00e7\u00e3o social<\/strong> (de garantir que somente candidatos com boa condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica adentrem aos quadros da corpora\u00e7\u00e3o, pois a atividade exige bastante vigor f\u00edsico), j\u00e1 que a qualidade e expectativa de vida do brasileiro subiram muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, deveria ser declarada inconstitucional esse limite (usei bastante princ\u00edpios para isso, seguindo a linha de racioc\u00ednio que o Supremo usa em seus julgados). Utilizei tamb\u00e9m, em meus argumentos, os ensinamentos da Ilustre Professora Maria Helena Diniz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 lei que n\u00e3o contenha uma finalidade social imediata. Por isso o conhecimento do fim \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es prec\u00edpuas da ci\u00eancia jur\u00eddica e do \u00f3rg\u00e3o aplicador do direito&#8230; O fim social \u00e9 o objetivo de uma sociedade, encerrado na somat\u00f3ria de atos que constituir\u00e3o a raz\u00e3o de sua composi\u00e7\u00e3o; \u00e9, portanto, o bem social, que pode abranger o \u00fatil, a necessidade social e o equil\u00edbrio de interesses etc.<\/em><br><br><em>O int\u00e9rprete-aplicador poder\u00e1: a) concluir que um caso que se enquadra na lei n\u00e3o dever\u00e1 ser por ela regido porque n\u00e3o est\u00e1 dentro de sua raz\u00e3o, n\u00e3o atendendo \u00e0 finalidade social; e b) aplicar a norma a hip\u00f3teses f\u00e1ticas n\u00e3o contempladas pela letra da lei, mas nela inclu\u00eddas, por atender a seus fins.<\/em><br><br><em>Consequentemente, f\u00e1cil ser\u00e1 perceber que comando legal n\u00e3o dever\u00e1 ser interpretado fora do meio social presente; imprescind\u00edvel ser\u00e1 adapt\u00e1-lo \u00e0s necessidades sociais existentes no momento de sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/em><br><br><em>Essa diversa aprecia\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o no meio social, em raz\u00e3o da a\u00e7\u00e3o do tempo, n\u00e3o est\u00e1 a adulterar a lei, que continua a mesma.&#8221;<\/em><br><\/p>\n<cite>(Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro Interpretado, 17\u00aa ed., p\u00e1g. 188-9)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, <strong>os julgadores entenderam que se a lei traz a previs\u00e3o de 30 anos, eles n\u00e3o poderiam fazer o papel de legislador<\/strong>, independente dos meus argumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 claro que levarei a quest\u00e3o ao Supremo, e utilizarei v\u00e1rios votos que os Ministros j\u00e1 proferiram em suas decis\u00f5es ativistas para garantir o direito de meu cliente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O ativismo judicial deve ser encarado como \u00e9, de fato: uma t\u00e9cnica aplic\u00e1vel em decis\u00f5es judiciais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o pejorativa que vem permeando esse tema \u00e9 por culpa de decis\u00f5es absurdas proferidas pelo Supremo, nas quais atropelam, e muito, aquilo que fora decidido pelos outros poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>O judici\u00e1rio pode \u2013 e deve \u2013 julgar as demandas que batem \u00e0s suas portas todos os dias; mas isso n\u00e3o lhes d\u00e1 o direito de causar uma balb\u00fardia em nosso ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mais conhecimento para voc\u00ea<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/direito-previdenciario\/\">Direito previdenci\u00e1rio<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/sustentacao-oral\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/sustentacao-oral\/\">Dicas para se preparar para uma sustenta\u00e7\u00e3o oral<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/reforma-trabalhista-lei-13467\/\">Reforma trabalhista &#8211; Lei 13.467<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/litispendencia\/\">Litispend\u00eancia<\/a> no Novo CPC<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/contrato-de-compra-e-venda\/\">Contrato de compra e venda<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/beneficio-prestacao-continuada\/\">Benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/fator-previdenciario\/\">Fator previdenci\u00e1rio<\/a>: aspectos gerais e dicas <\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/honorarios-advocaticios\/\">Honor\u00e1rios advocat\u00edcios<\/a>: o que s\u00e3o, tipos, como cobrar<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/licenciamento-ambiental\/\">O que \u00e9 e para que serve o licenciamento ambiental?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/mandado-de-injuncao\/\">Saiba o que \u00e9 mandado de injun\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/interpelacao\/\">O que \u00e9 interpela\u00e7\u00e3o, para que serve e como fazer<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/direitos-da-personalidade\/\">Conhe\u00e7a as classifica\u00e7\u00f5es dos Direitos da Personalidade<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/liberdade-de-imprensa\/\">Tire as suas d\u00favidas sobre liberdade de imprensa<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Siga acompanhando os conte\u00fados aqui do Portal! 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