{"id":29396,"date":"2024-07-16T08:00:00","date_gmt":"2024-07-16T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/?p=29396"},"modified":"2024-08-06T08:43:04","modified_gmt":"2024-08-06T11:43:04","slug":"jurisdicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/jurisdicao\/","title":{"rendered":"Juridis\u00e7\u00e3o: princ\u00edpios, tipos, exemplos e artigos do C\u00f3digo Civil"},"content":{"rendered":"<div id=\"bsf_rt_marker\"><\/div>\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Jurisdi\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a um terceiro imparcial para tutelar direitos, resolvendo conflitos jur\u00eddicos por meio de decis\u00f5es pass\u00edveis se tornarem indiscut\u00edveis.&nbsp;<\/pre>\n\n\n\n<p>Imagine-se em uma situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea <strong>compra um produto pela internet <\/strong>e, ao receb\u00ea-lo, percebe que est\u00e1 danificado. Voc\u00ea entra em contato com a empresa, mas n\u00e3o consegue resolver o problema. Em um cen\u00e1rio como esse, a quem voc\u00ea recorre?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro exemplo, considere uma <strong>disputa sobre a propriedade de um terreno<\/strong>, no qual uma das partes possui a escritura p\u00fablica de compra, outra est\u00e1 com o registro na matr\u00edcula e outra est\u00e1 na posse do im\u00f3vel. Quem dever\u00e1 dizer quem tem direito sobre o bem?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas situa\u00e7\u00f5es cotidianas nos levam ao cerne da jurisdi\u00e7\u00e3o, um conceito fundamental no direito que influencia diretamente nossa vida em sociedade, possibilitando a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos e a pacifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 a base para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, assegurando que as leis sejam aplicadas de maneira justa e equitativa. Segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), em 2020, o Brasil registrou mais de <strong>77 milh\u00f5es de processos em tramita\u00e7\u00e3o<\/strong>, o que evidencia a import\u00e2ncia do sistema judici\u00e1rio e da jurisdi\u00e7\u00e3o na vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 Jurisdi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Algumas defini\u00e7\u00f5es se apresentam ao conceito de jurisdi\u00e7\u00e3o. A mais cl\u00e1ssica delas descreve a jurisdi\u00e7\u00e3o como o poder conferido ao Estado para aplicar o <strong>direito em casos concretos, resolvendo conflitos e assegurando a ordem jur\u00eddica.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este poder \u00e9 exercido por meio dos \u00f3rg\u00e3os judiciais, como tribunais e ju\u00edzes, conforme determinado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no artigo 5\u00ba, inciso XXXV, ao prescrever que &#8220;<em>a lei n\u00e3o excluir\u00e1 da aprecia\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio les\u00e3o ou amea\u00e7a a direito<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ao inserir o dispositivo acima no art. 5\u00ba, o Constituinte deixou claro que a jurisdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um poder do Estado, mas, sobretudo, <strong>um direito fundamental.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9, \u00e9 direito de todo cidad\u00e3o acionar o Poder Judici\u00e1rio para que ele exer\u00e7a a jurisdi\u00e7\u00e3o, resolvendo, definitivamente, os conflitos sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo, por\u00e9m, que a resolu\u00e7\u00e3o pelo Poder Judici\u00e1rio tem se revelado cada vez mais lenta, menos especializada, mais onerosa e frustrante a todas as partes envolvidas. Em face disso, muitas pessoas e empresas t\u00eam procurado meios alternativos de resolver seus conflitos, inclusive de forma definitiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/arbitragem-empresarial\/\">arbitragem<\/a>, na qual um terceiro imparcial, de natureza privada, \u00e9 levado a conhecer um conflito e julg\u00e1-lo de forma vinculativa aos interessados&nbsp; exercendo jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, percebe-se que a jurisdi\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o mais est\u00e1 restrita ao Estado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro avan\u00e7o na defini\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o est\u00e1 em seu <em>objetivo<\/em>. Na ordem jur\u00eddica baseada na <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/principio-da-dignidade-da-pessoa-humana\/#:~:text=O%20princ%C3%ADpio%20da%20dignidade%20humana,inclusiva%2C%20independentemente%20de%20caracter%C3%ADsticas%20pessoais.\">dignidade da pessoa humana<\/a>, n\u00e3o basta que o conflito seja resolvido: <strong>\u00e9 preciso que seja resolvido de modo a reconhecer, efetivar ou proteger direitos.<\/strong> Assim, a jurisdi\u00e7\u00e3o, ao pacificar as disputas, dever ser direcionada \u00e0 tutela de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, Fredie Didier Jr. define jurisdi\u00e7\u00e3o como<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>a fun\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a um terceiro imparcial de (a) realizar o Direito de modo imperativo e (b) criativo (reconstrutivo), (c) reconhecendo\/efetivando\/protegendo situa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, (d) concretamente deduzidas, (e) em decis\u00e3o insuscet\u00edvel de controle externo (f) e com aptid\u00e3o para tornar-se indiscut\u00edvel.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;A explica\u00e7\u00e3o do Prof. Didier Jr. \u00e9 extensa, mas essencial para a compreens\u00e3o integral e detalhada da ideia de jurisdi\u00e7\u00e3o. Avan\u00e7aremos sobre ela nos pr\u00f3ximos t\u00f3picos, esclarecendo seus elementos internos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1200\" src=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-e-jurisdicao-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29397\" srcset=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-e-jurisdicao-1.jpg 1200w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-e-jurisdicao-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-e-jurisdicao-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/o-que-e-jurisdicao-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entenda o conceito de jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Qual \u00e9 o objetivo da jurisdi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Desde a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, o principal objetivo da jurisdi\u00e7\u00e3o deixou de ser a mera resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e passou a ser <strong>a tutela de direitos em disputas jur\u00eddicas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por evidente, o reconhecimento do direito, no caso concreto, deve ser apto a encerrar o conflito de modo definitivo, tornando-o indiscut\u00edvel n\u00e3o apenas perante o \u00f3rg\u00e3o julgador, mas por qualquer \u00f3rg\u00e3o de controle externo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa autoridade capaz de deixar a situa\u00e7\u00e3o indiscut\u00edvel leva o nome de <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/glossario-juridico\/coisa-julgada-material\/\">coisa julgada.<\/a> Assim, apenas a jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de fazer coisa julgada sobre os fatos e pessoas sujeitos \u00e0 decis\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 importante frisar: <strong>o objetivo da jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 tutelar direitos, n\u00e3o fazer coisa julgada<\/strong>. Afinal, existem muitas causas insuscet\u00edveis \u00e0 coisa julgada, como aquelas de versam sobre situa\u00e7\u00f5es de trato permanente, com exemplo dos alimentos entre parentes.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais os princ\u00edpios da Jurisdi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 regido por princ\u00edpios que condicionam a efic\u00e1cia do julgamento e, na eventualidade de n\u00e3o serem respeitados, podem gerar a <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/nulidade\/\">nulidade<\/a> ou anula\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o judicial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses princ\u00edpios s\u00e3o a <strong>territorialidade, a indelegabilidade, a inafastabilidade e o juiz natural<\/strong>. Vamos a eles<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">a) Territorialidade&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Os ju\u00edzes, representantes da jurisdi\u00e7\u00e3o estatal, apenas t\u00eam autoridade nos <strong>limites territoriais estabelecidos pelos tribunais.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o disso, o cumprimento de ordem em territ\u00f3rio distinto ao da jurisdi\u00e7\u00e3o de um juiz depende da coopera\u00e7\u00e3o judicial. Em regra, isso \u00e9 feito por <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/carta-precatoria\/\">cartas precat\u00f3rias<\/a>: requerimentos de um juiz a outro, para que o destinat\u00e1rio fa\u00e7a cumprir a ordem judicial em seu territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o interessante \u00e9 o caso dos atos praticados \u00e0 dist\u00e2ncia por interm\u00e9dio da tecnologia. Nesse sentido, o art. 385, \u00a73\u00ba, e art. 453, \u00a71\u00ba e 2\u00ba, permitem a colheita de depoimento de testemunhas e partes por videoconfer\u00eancia, em qualquer lugar onde se encontrem, relativizando o princ\u00edpio da territorialidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">b) Indelegabilidade<\/h3>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o pode ser delegada. <\/strong>Isso significa que o poder de julgar \u00e9 exclusivo dos \u00f3rg\u00e3os judiciais e n\u00e3o pode ser transferido a terceiros, por oportunidade ou conveni\u00eancia do julgador.<\/p>\n\n\n\n<p>Como dito, por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel a coopera\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais. A pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o (art. 102, I, \u201cm\u201d), autoriza que os ju\u00edzes de primeiro grau pratiquem atos de execu\u00e7\u00e3o determinados pelos Ministros do STF.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses atos, por\u00e9m, s\u00e3o apenas de cunho execut\u00f3rio, n\u00e3o decis\u00f3rio. Isto \u00e9, o juiz competente decide, e pode solicitar a coopera\u00e7\u00e3o de outros para que a decis\u00e3o seja cumprida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A indelegabilidade assegura que as decis\u00f5es judiciais sejam proferidas por \u00f3rg\u00e3os imparciais, que n\u00e3o tenham interesse pessoal no resultado do lit\u00edgio. Isso \u00e9 fundamental para manter a confian\u00e7a no sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">c) Inafastabilidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Provocada a jurisdi\u00e7\u00e3o, com respeito \u00e0s regras de compet\u00eancia, os julgadores devem julgar o caso. <strong>N\u00e3o pode o juiz optar por n\u00e3o julgar.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se da leitura literal do art. 5\u00ba, XXXV, da Constitui\u00e7\u00e3o: o Poder Judici\u00e1rio <strong>deve<\/strong> apreciar les\u00e3o ou amea\u00e7a a direito. Este princ\u00edpio garante que todos possam acessar o Poder Judici\u00e1rio para resolver suas disputas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, h\u00e1 aspecto controvertido quanto \u00e0 necessidade de <strong>esgotamento pr\u00e9vio das inst\u00e2ncias administrativas<\/strong>. \u00c9 o caso da lei do <em>habeas data <\/em>(Lei n. 9.507\/1997, art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico), que exige a demonstra\u00e7\u00e3o da recusa administrativa por parte da autoridade p\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma restri\u00e7\u00e3o juridicamente v\u00e1lida ao princ\u00edpio da inafastabilidade, na medida em que a pr\u00f3pria lei imp\u00f5e uma condicionante para o conhecimento do caso pelo Judici\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">d) Juiz natural<\/h3>\n\n\n\n<p>Por fim, o \u00faltimo princ\u00edpio \u00e9 o do juiz natural. Imp\u00f5e que a jurisdi\u00e7\u00e3o <strong>somente ser\u00e1 exercida por quem tenha sido regularmente investido das fun\u00e7\u00f5es de juiz<\/strong>, nos termos da lei.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, como j\u00e1 trabalhado no nosso <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/principio-do-juiz-natural\/\">artigo de juiz natural<\/a>, trata-se da garantia de que a autoridade competente ser\u00e1 aquela indicada pela lei ou pelas partes em comum acordo, sendo vedada a escolha do juiz estatal ao arb\u00edtrio de um dos interessados (pr\u00e1tica de <em>forum shopping<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse princ\u00edpio tamb\u00e9m pro\u00edbe o tribunal de exce\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o \u00f3rg\u00e3o julgador criado especificamente para apreciar um caso em espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais os tipos de jurisdi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o pode ser classificada de diversas maneiras, conforme o \u00e2mbito de atua\u00e7\u00e3o e a mat\u00e9ria tratada.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>jurisdi\u00e7\u00e3o c\u00edvel <\/strong>trata de quest\u00f5es relacionadas ao direito privado, como disputas contratuais, direitos de propriedade, fam\u00edlia e sucess\u00f5es, conflitos societ\u00e1rios e a\u00e7\u00f5es de responsabilidade extracontratual. Exemplos incluem <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/divorcio\/\"><strong>div\u00f3rcios<\/strong><\/a><strong>, disputas por heran\u00e7a e lit\u00edgios contratuais<\/strong>. Esta jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 regida pelo <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/novo-cpc-comentado\/\">C\u00f3digo de Processo Civil<\/a> e seus princ\u00edpios pr\u00f3prios, como o da celeridade e da promo\u00e7\u00e3o \u00e0 autocomposi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a<strong> jurisdi\u00e7\u00e3o criminal<\/strong> lida com condutas qualificadas como tipos penais e a execu\u00e7\u00e3o da pena. A atua\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea \u00e9 regida por princ\u00edpios como a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e legalidade estrita em benef\u00edcio do acusado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem ainda <strong>jurisdi\u00e7\u00f5es especializadas, como a trabalhista<\/strong>, que trata de conflitos entre empregados e empregadores; e a <strong>eleitoral,<\/strong> que cuida de quest\u00f5es relacionadas ao processo eleitoral e aos partidos pol\u00edticos. Cada uma dessas jurisdi\u00e7\u00f5es possui a compet\u00eancia de avocar para si a mat\u00e9ria objeto de seu julgamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, questiona-se a chamada \u201c<strong>jurisdi\u00e7\u00e3o administrativa.<\/strong>\u201d Atualmente, existem diversos tribunais administrativos que julgam conflitos. S\u00e3o exemplos o Conselho Administrativos de Recursos Fiscais (CARF), o Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (CADE).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong>n\u00e3o h\u00e1, propriamente, jurisdi\u00e7\u00e3o administrativa.<\/strong> Como visto pela defini\u00e7\u00e3o do Prof. Didier, um dos elementos da jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 capacidade de se conferir decis\u00e3o com aptid\u00e3o para se tornar indiscut\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que os julgamentos proferidos pelos tribunais administrativos podem ser revistos pelo Poder Judici\u00e1rio, por for\u00e7a do pr\u00f3prio princ\u00edpio da inafastabilidade da jurisdi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento essencial do sistema jur\u00eddico, atuando como a ferramenta atrav\u00e9s da qual o Estado aplica o direito, resolve conflitos e assegura a ordem social. Com suas diversas caracter\u00edsticas e princ\u00edpios, a jurisdi\u00e7\u00e3o garante que a justi\u00e7a seja feita de maneira imparcial e eficiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender a jurisdi\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas para profissionais do direito, mas para todos os cidad\u00e3os que buscam entender melhor como seus direitos s\u00e3o protegidos e como a justi\u00e7a \u00e9 administrada em nossa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perguntas frequentes sobre o tema<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 jurisdi\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Poder do Estado para aplicar o direito, resolver conflitos e impor decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que diferencia jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e contenciosa?&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o envolve lit\u00edgios, lidando com interesses p\u00fablicos ou privados em situa\u00e7\u00f5es sem conflito, como registros ou tutelas. A contenciosa ocorre quando h\u00e1 um conflito real entre partes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o princ\u00edpio da inafastabilidade da jurisdi\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Este princ\u00edpio garante que nenhuma les\u00e3o ou amea\u00e7a a direito pode ser exclu\u00edda da aprecia\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como funciona a jurisdi\u00e7\u00e3o concorrente?&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Na jurisdi\u00e7\u00e3o concorrente, mais de um \u00f3rg\u00e3o tem compet\u00eancia para julgar o mesmo tipo de quest\u00e3o, permitindo ao autor escolher entre eles com base em crit\u00e9rios legais. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mais conhecimento para voc\u00ea<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/novo-cpc-comentado\/\">Novo CPC Comentado: TUDO que voc\u00ea precisa saber<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/guarda-compartilhada-de-animais\/\">Guarda compartilhada de animais existe?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/gestao-de-risco\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/gestao-de-risco\/\">Gest\u00e3o de risco: import\u00e2ncia e o papel do advogado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/usucapiao-rural\/\">Entenda o que \u00e9 a Usucapi\u00e3o Rural<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/cessao-de-direitos-hereditarios\/\">Como funciona a Cess\u00e3o de Direitos Heredit\u00e1rios?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/responsabilidade-objetiva-do-cdc\/#\">A responsabilidade objetiva no CDC<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/art-313-do-cpc\/\">An\u00e1lise ao art 313 do Novo CPC \u2013 Suspens\u00e3o do processo<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/carta-de-preposicao\/\">Veja o que \u00e9 carta de preposi\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/art-523-do-cpc\/\">Art. 523 do CPC: entenda a aplica\u00e7\u00e3o da multa<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/agravo-de-instrumento-trabalhista\/\">Agravo de instrumento trabalhista [+MODELO]<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/advogado-ambientalista\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/advogado-ambientalista\/\">Advogado ambientalista: tudo o que voc\u00ea precisa saber<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/federacao-partidaria\/\">Saiba como \u00e9 criada a federa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/doacao-de-sangue\/\">Aspectos legais e pr\u00e1ticos da Doa\u00e7\u00e3o de Sangue<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a um terceiro imparcial para tutelar direitos, resolvendo conflitos jur\u00eddicos por meio de decis\u00f5es pass\u00edveis se tornarem indiscut\u00edveis.&nbsp; Imagine-se em uma situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea compra um produto pela internet e, ao receb\u00ea-lo, percebe que est\u00e1 danificado. Voc\u00ea entra em contato com a empresa, mas n\u00e3o consegue resolver o problema. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":29603,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-29396","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria-do-direito"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29396"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29396\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30145,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29396\/revisions\/30145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29603"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}