{"id":15512,"date":"2025-03-11T07:52:27","date_gmt":"2025-03-11T10:52:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/?p=15512"},"modified":"2025-03-11T07:52:28","modified_gmt":"2025-03-11T10:52:28","slug":"violencia-obstetrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/violencia-obstetrica\/","title":{"rendered":"Principais aspectos jur\u00eddicos da viol\u00eancia obst\u00e9trica no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"bsf_rt_marker\"><\/div>\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">\u201cNa hora que voc\u00ea estava fazendo, voc\u00ea n\u00e3o tava gritando desse jeito, n\u00e9?\u201d \u201cN\u00e3o se esque\u00e7a do ponto do marido\u201d. \u201cMulher perde filho e morre ap\u00f3s aguardar mais de 12 horas por leito.\u201d<strong> Viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/strong>, todo ato capaz de negativar a experi\u00eancia do pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto. Uma viol\u00eancia institucional e de g\u00eanero\u00a0<\/pre>\n\n\n\n<p>O parto \u00e9 um ato biol\u00f3gico e como tal deveria acontecer sem nenhuma \u2013 ou com a menor interfer\u00eancia m\u00e9dica poss\u00edvel. Por\u00e9m, os dados demonstram o contr\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme os dados emitidos pelo IBGE, a taxa de natalidade no Brasil em 2022 diminuiu consideravelmente e atingiu o patamar de 1977 com 2,54 milh\u00f5es de nascimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que, nascer no Brasil de maneira humanizada naturalmente \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. \u00c9 fato que, diante de complica\u00e7\u00f5es, se faz necess\u00e1rio o uso da ci\u00eancia da medicina. <\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que o Brasil ocupa o 2\u00ba lugar no ranking de ces\u00e1rias (dados de 2022), perdendo apenas para a Rep\u00fablica Dominicana. Estes dados apontam para um crescimento nas taxas de morbimortalidade materna e infantil, desvirtuando os objetivos da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. Soma-se mais um desafio: gestar e nascer respeitosamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma <strong>consulta de rotina, o momento do nascimento, o p\u00f3s-parto podem se tornar palcos para uma pr\u00e1tica de viol\u00eancia<\/strong>:<strong> <\/strong>a viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Engana-se quem acredita que viol\u00eancia obst\u00e9trica atinge apenas algumas mulheres ou algumas classes sociais. Ela est\u00e1 presente (infelizmente) nos hospitais p\u00fablicos e privados, postos de sa\u00fade e cl\u00ednicas particulares, praticados pelo profissional que se recusa a destinar um tratamento digno e humano para a pessoa gestante\/parturiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 viol\u00eancia obst\u00e9trica?&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>De forma geral, a viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 <strong>toda a\u00e7\u00e3o que gerar maus tratos, desrespeito e abusos no momento do pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto<\/strong>, inclusive quando h\u00e1 a perda gestacional. Ela tamb\u00e9m se configura como uma nega\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e dos direitos sexuais reprodutivos \u00e0s mulheres.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, toda a\u00e7\u00e3o que cause um dano f\u00edsico, emocional, psicol\u00f3gico \u00e0 gestante\/pessoa tornando a experiencia do pr\u00e9-parto, parto e p\u00f3s-parto negativa <strong>pode<\/strong> ser considerada viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o tema viol\u00eancia obst\u00e9trica em n\u00edvel nacional n\u00e3o possui legisla\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o impediu que o Distrito Federal tomasse \u00e0 frente e legislasse sobre o assunto atrav\u00e9s da Lei 7.461\/2024 que tem por objetivo prevenir e combater a viol\u00eancia obst\u00e9trica nesta regi\u00e3o a fim de garantir que todas as mulheres tenham direito a parto digno e gesta\u00e7\u00e3o respeitosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a lei, considera-se viol\u00eancia obst\u00e9trica:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>\u201cqualquer ato praticado por profissional da sa\u00fade que cause constrangimento, dor, sofrimento f\u00edsico ou psicol\u00f3gico \u00e0 mulher no momento do parto ou do pr\u00e9-natal, incluindo a recusa de atendimento, a realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos desnecess\u00e1rios, o uso excessivo de medicamentos, a n\u00e3o informa\u00e7\u00e3o sobre os procedimentos realizados, entre outros\u201d (art. 2, I).<br><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Importante registrar que a lei do Distrito Federal protege \u00e0s mulheres no pr\u00e9-natal e no parto. Acontece, por\u00e9m, que<strong> a viol\u00eancia obst\u00e9trica tamb\u00e9m existe no p\u00f3s-parto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender melhor quando \u00e9 que se ocorre a viol\u00eancia obst\u00e9trica, \u00e9 preciso antes compreender o que \u00e9 uma gesta\u00e7\u00e3o respeitosa e parto digno. Ou melhor. O que \u00e9 um parto humanizado a fim de atender os Objetivos do Desenvolvimento sustent\u00e1vel da OMS.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-que-e-violencia-obstetrica-1024x1024-1.jpg\" alt=\"Confira o que \u00e9 viol\u00eancia obst\u00e9trica\" class=\"wp-image-31027\" srcset=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-que-e-violencia-obstetrica-1024x1024-1.jpg 1024w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-que-e-violencia-obstetrica-1024x1024-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-que-e-violencia-obstetrica-1024x1024-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/o-que-e-violencia-obstetrica-1024x1024-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entenda os principais aspectos da viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 assist\u00eancia\/parto humanizado?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 direito da pessoa gestante ser tratada com respeito, dignidade durante o seu pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto. Este direito tem fundamento na <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/direitos-humanos\/#:~:text=Artigo%201%3A%20%E2%80%9CTodos%20os%20seres,liberdade%20e%20%C3%A0%20seguran%C3%A7a%20pessoal.%E2%80%9D\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/direitos-humanos\/#:~:text=Artigo%201%3A%20%E2%80%9CTodos%20os%20seres,liberdade%20e%20%C3%A0%20seguran%C3%A7a%20pessoal.%E2%80%9D\">Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos<\/a> e se sustenta como um objetivo de desenvolvimento sustent\u00e1vel \u2013 OMS.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong> assist\u00eancia humanizada possui 3 pilares: <\/strong>respeito a fisiologia da mulher, evidencias cient\u00edficas e protagonismo da mulher. Deve acontecer durantes as consultas e exames do pr\u00e9-natal, tanto no parto vaginal, quanto na cirurgia cesariana, seja em casa ou no hospital e, no retorno p\u00f3s-parto, sempre acompanhada por uma pessoa de sua escolha.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>parto humanizado acontece quando a pessoa n\u00e3o \u00e9 submetida a viol\u00eancias.<\/strong> A gestante \u00e9 protagonista do seu parto, respeitada. As interven\u00e7\u00f5es acontecem somente quando necess\u00e1rias e a mulher participa das decis\u00f5es em parceria com os profissionais que assistem a parturiente e acompanhante.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00edtulo de conhecimento, a Lei 7461\/2024 &#8211; DF, apresenta os princ\u00edpios que devem garantir o direito da mulher a um pr\u00e9-natal e parto digno:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>I \u2013 informa\u00e7\u00e3o \u2013 o direito de ser informada sobre os procedimentos que s\u00e3o realizados durante o pr\u00e9-natal e o parto, incluindo seus riscos e benef\u00edcios<br>II \u2013 de escolher a forma como \u00e9 assistida durante o parto, incluindo a presen\u00e7a de acompanhantes de sua escolha;<br>III \u2013 de receber atendimento digno e respeitoso durante o pr\u00e9-natal e parto, sem qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o.<br>IV \u2013 garantir que os procedimentos realizados durante o pr\u00e9-natal e o parto sejam necess\u00e1rios e adequados, evitando pr\u00e1ticas invasivas ou desnecess\u00e1rias.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem pode realizar a viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h2>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia obst\u00e9trica tem rela\u00e7\u00e3o direta ao profissional que assiste a gestante. Ent\u00e3o ela pode ser praticada por <strong>m\u00e9dicos(as), enfermeiros(as), t\u00e9cnicos(as) em enfermagem, obstetrizes ou outro profissional que preste alguma assist\u00eancia \u00e0 gestante<\/strong> durante o pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto pode ser autor da mencionada viol\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar que o hospital onde ocorrer a viol\u00eancia tamb\u00e9m pode ser responsabilizado pelos danos causados pelos seus prepostos, por falhas estruturais, em raz\u00e3o do n\u00e3o atendimento \u00e0 gestante ou outro fato que lhe caiba a responsabilidade pela a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, bem como os planos de sa\u00fade, pois estes integram a cadeia de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Veja o que \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/responsabilidade-civil-medica\/\">responsabilidade civil m\u00e9dica e suas caracter\u00edsticas aqui.<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/h2>\n\n\n\n<p>Na viol\u00eancia obst\u00e9trica h\u00e1 o <em>\u201cdesrespeito \u00e0 mulher, \u00e0 sua autonomia, ao seu corpo e aos seus processos reprodutivos, podendo manifestar-se por meio de viol\u00eancia verbal, f\u00edsica ou sexual e pela ado\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es e procedimentos desnecess\u00e1rios e\/ou sem evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Xingamentos, humilha\u00e7\u00f5es, coment\u00e1rios constrangedores em raz\u00e3o da cor, da ra\u00e7a, da etnia, da religi\u00e3o, da orienta\u00e7\u00e3o sexual, da idade, da classe social, do n\u00famero de filhos;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Episiotomia (\u201cpique\u201d no parto vaginal) sem necessidade, sem anestesia ou sem informar \u00e0 mulher;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Ocitocina (\u201csorinho\u201d) sem necessidade;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Manobra de Kristeller (press\u00e3o sobre a barriga da mulher para empurrar o beb\u00ea);<\/li>\n\n\n\n<li>Lavagem intestinal durante o trabalho de parto;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Raspagem dos pelos pubianos;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Amarrar a mulher durante o parto ou impedi-la de se movimentar;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o permitir que a mulher escolha sua posi\u00e7\u00e3o de parto, obrigando-a a parir deitada com a barriga para cima e pernas levantadas;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Impedir a mulher de se alimentar e beber \u00e1gua durante o trabalho de parto;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Negar anestesia, inclusive no parto normal;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Toques realizados, muitas vezes por mais de uma pessoa, sem o esclarecimento e consentimento da mulher;<\/li>\n\n\n\n<li>Dificultar o aleitamento materno na primeira hora;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Impedir o contato imediato, pele a pele do beb\u00ea com a m\u00e3e, ap\u00f3s o nascimento sem motivo esclarecido \u00e0 mulher;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Proibir o acompanhante, que \u00e9 de escolha livre da mulher;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Realizar procedimentos sem esclarecimentos ou desconsiderar a recusa informada;<\/li>\n\n\n\n<li>Utilizar inadequadamente procedimentos para acelerar partos e vagar leitos;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Prestar assist\u00eancia sem observar as melhores evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis para a seguran\u00e7a e\/ou da efetividade das interven\u00e7\u00f5es;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Cirurgia cesariana desnecess\u00e1ria e sem informar \u00e0 mulher sobre seus riscos;<\/li>\n\n\n\n<li>Peregrina\u00e7\u00e3o de gestantes entre maternidades pela negativa de atendimento \u00e0 gestante &#8211; vale lembrar que desde 2012 as maternidades n\u00e3o podem recusar o atendimento \u00e0 gestante;<\/li>\n\n\n\n<li>Violar direitos da mulher garantidos por lei;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Parto desassistido dentro do ambiente hospitalar;<\/li>\n\n\n\n<li>Descumprir normativas e legisla\u00e7\u00e3o vigentes;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Coagir mulheres a contratarem servi\u00e7os e planos, como fotografia,&nbsp; filmagem ou plano do tipo &#8220;apartamento&#8221;, como \u00fanica forma de garantir direitos j\u00e1 adquiridos por lei \u00e0s mulheres.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que algumas das a\u00e7\u00f5es listadas podem ser realizadas pela pessoa <strong>por livre espont\u00e2nea vontade<\/strong>, como por exemplo, a raspagem de pelos pubianos e a escolha pela ces\u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>O elemento caracterizador da pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica <strong>\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas em desacordo com as boas pr\u00e1ticas e as necess\u00e1rias e os sem o livre consentimento da mulher<\/strong> \u2013 entendido pela aus\u00eancia da devida e correta informa\u00e7\u00e3o sobre a necessidade dos atos ou violando a lei.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 s\u00f3 contra mulheres?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. <strong>\u00c9 poss\u00edvel viol\u00eancia obst\u00e9trica contra homens.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pais que gestam \u2013 pessoas trans &#8211; tamb\u00e9m podem ser v\u00edtimas de viol\u00eancia obst\u00e9trica. Os desafios em rela\u00e7\u00e3o a identidade de g\u00eanero podem tamb\u00e9m ser percebidos tamb\u00e9m durante o pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto. \u00c0 eles, soma-se ainda, a transfobia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso&nbsp;preparo dos enfermeiros e enfermeiras que prestaram atendimento ao casal e ao beb\u00ea, haja vista ser um direito das pessoas trans serem reconhecidas pelo g\u00eanero com o qual se identificam com o devido registro na Declara\u00e7\u00e3o de aborto ou nascimento (nascido vivo ou natimorto) e, por consequ\u00eancia, na Certid\u00e3o de Nascimento da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema sugere-se a leitura do trabalho de<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-81232024294.20072023\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-81232024294.20072023\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Priscila Fernanda Gon\u00e7alves Cardoso &#8211; Viol\u00eancia obst\u00e9trica e LGBTQIA+fobia:<\/a> o entrela\u00e7amento de opress\u00f5es e viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 tamb\u00e9m considerada como erro m\u00e9dico?<\/h2>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um tema que gera debate no \u00e2mbito jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns tribunais enquadram a viol\u00eancia obst\u00e9trica como erro m\u00e9dico \u2013 se utilizando dos crit\u00e9rios gerais de responsabilidade de profissionais da sa\u00fade, hospitais, planos de sa\u00fade e o pr\u00f3prio poder P\u00fablico, pelo fato de inexistir legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que trate a pr\u00e1tica da viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se tratar da mesma forma, \u00e9 percept\u00edvel a dificuldade de muitas mulheres n\u00e3o conseguirem produzir prova suficiente para a prote\u00e7\u00e3o do seu direito.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da doutrina espec\u00edfica sobre o erro m\u00e9dico, pode-se concluir que a viol\u00eancia obst\u00e9trica pode acontecer simultaneamente ao erro m\u00e9dico, por\u00e9m, n\u00e3o depende dele para acontecer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ao se fazer uma an\u00e1lise de casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e0 luz da teoria cl\u00e1ssica da responsabilidade m\u00e9dica, d\u00e1-se muita \u00eanfase \u00e0 necessidade de provas documentais e testemunhais que possam permitir a apura\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia do erro m\u00e9dico, o que conduz \u00e0 improced\u00eancia de muitas a\u00e7\u00f5es sob a alega\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de culpa ou nexo causal.\u201d\u00a0 (NOGUEIRA; SEVERI, 2016; LEITE, 2016).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O tema foi objeto de an\u00e1lise do TJMS, nos autos da Apela\u00e7\u00e3o c\u00edvel 0801532-69.2016.8.12.0045. No ac\u00f3rd\u00e3o que abordou ambos os temas, destacou a Desembargadora que \u201c<strong>Tratam-se, entretanto, de conceitos e atos (viol\u00eancia obst\u00e9trica e erro m\u00e9dico) que, embora pr\u00f3ximos, n\u00e3o se confundem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>Isso porque a viol\u00eancia obst\u00e9trica est\u00e1 relacionada a procedimentos e condutas adotadas pela equipe m\u00e9dica durante o per\u00edodo gestacional da mulher que impliquem viola\u00e7\u00e3o \u00e0 integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica da parturiente, atingindo inclusive aspectos n\u00e3o aferidos diretamente em sua fisionomia.<br>[&#8230;]<br>Revela-se, portanto, uma ofensa de dif\u00edcil mensura\u00e7\u00e3o, pois atinge aspectos mais rec\u00f4nditos do ser, a causar les\u00e3o al\u00e9m da fisiol\u00f3gica \u2013 percebida pelos sentidos naturais \u2013, visto se desdobrar em medo, ansiedade e traumas decorrentes de um momento que, a princ\u00edpio, deveria trazer alegria e n\u00e3o desesperan\u00e7a e sofrimento.\u00a0<br>E tal viol\u00eancia n\u00e3o se equipara necessariamente ao erro m\u00e9dico (stricto sensu), na medida em que abrange condutas de apropria\u00e7\u00e3o do corpo das mulheres gestantes, parturientes e em puerp\u00e9rio, sem respeito \u00e0s suas escolhas, vontades e decis\u00f5es. Utiliza-se da posi\u00e7\u00e3o de vantagem e conhecimento t\u00e9cnico para preterir aquela que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, justamente porque necessita de cuidados especiais\u201d.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Como visto, o estudo da viol\u00eancia obst\u00e9trica ultrapassa as provas documentais da responsabilidade m\u00e9dica (envolve uma conduta profissional com inobserv\u00e2ncia da t\u00e9cnica, uma atua\u00e7\u00e3o pautada por neglig\u00eancia, imprud\u00eancia ou imper\u00edcia). Trata-se de uma responsabilidade institucional e de g\u00eanero contra a mulher, como destacado no precedente abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p><br>(&#8230;) No caso, desnecess\u00e1ria a produ\u00e7\u00e3o de prova pericial para analisar se a anestesia foi aplicada ou n\u00e3o no momento adequado. Isso porque a causa de pedir n\u00e3o se refere a erro m\u00e9dico. A autora reclama, na verdade, do \u201clado humano\u201d do tratamento dispensado pela equipe m\u00e9dica. Deveras, aduz que foi tratada com descaso e ironia pela equipe m\u00e9dica, o que lhe teria causado danos morais. Verifica-se, portanto, que a exist\u00eancia ou n\u00e3o de erro m\u00e9dico em nada interfere no m\u00e9rito da demanda, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o foi deferida a produ\u00e7\u00e3o de exame pericial. (&#8230;)<br>Somado ao inadimplemento contratual, restou comprovado nos autos a chamada \u201cviol\u00eancia obstetr\u00edcia\u201d. De fato, durante a instru\u00e7\u00e3o foi ouvida uma testemunha que presenciou os fatos e confirmou o evento noticiado na inicial. Noticiou o ambiente insalubre no qual foi instalada a requerente e o descaso da equipe m\u00e9dica, sendo que as enfermeiras chegaram a indicar que autora estava \u201cenchendo o saco\u201d.\u00a0<br>(&#8230;) E tudo isso ocorreu em um dos momentos mais importantes da vida da requerente, o que ela recordar\u00e1 para sempre, acarretando sentimentos de amargura e injusti\u00e7a. Assim, verificado o dever de indenizar, cabe agora estabelecer a sua dimens\u00e3o (&#8230;) (TJSP. Comarca de Tabo\u00e3o da Serra. 1\u00aa Vara C\u00edvel. Autos n. 1003315- 16.2015.8.26.0609. Julgado em 21\/08\/2017).<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, indica-se a leitura do trabalho de Julia Campo Leite em <em>A Desconstru\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica enquanto Erro M\u00e9dico e seu enquadramento como viol\u00eancia institucional e de g\u00eanero.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">TJSP. Comarca de Tabo\u00e3o da Serra. 1\u00aa Vara C\u00edvel. Autos n. 1003315- 16.2015.8.26.0609. Julgado em 21\/08\/2017<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>No caso, desnecess\u00e1ria a produ\u00e7\u00e3o de prova pericial para analisar se a anestesia foi aplicada ou n\u00e3o no momento adequado. Isso porque a causa de pedir n\u00e3o se refere a erro m\u00e9dico.<br>A autora reclama, na verdade, do \u201clado humano\u201d do tratamento dispensado pela equipe m\u00e9dica. Deveras, aduz que foi tratada com descaso e ironia pela equipe m\u00e9dica, o que lhe teria causado danos morais. Verifica-se, portanto, que a exist\u00eancia ou n\u00e3o de erro m\u00e9dico em nada interfere no m\u00e9rito da demanda, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o foi deferida a produ\u00e7\u00e3o de exame pericial. (&#8230;)<br>Somado ao inadimplemento contratual, restou comprovado nos autos a chamada \u201cviol\u00eancia obstetr\u00edcia\u201d. De fato, durante a instru\u00e7\u00e3o foi ouvida uma testemunha que presenciou os fatos e confirmou o evento noticiado na inicial. Noticiou o ambiente insalubre no qual foi instalada a requerente e o descaso da equipe m\u00e9dica, sendo que as enfermeiras chegaram a indicar que autora estava \u201cenchendo o saco\u201d.\u00a0<br>E tudo isso ocorreu em um dos momentos mais importantes da vida da requerente, o que ela recordar\u00e1 para sempre, acarretando sentimentos de amargura e injusti\u00e7a. Assim, verificado o dever de indenizar, cabe agora estabelecer a sua dimens\u00e3o (&#8230;)\u00a0<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 extremamente importante um olhar diferenciado pelo Poder Judici\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao tema, como defende Julia Campo Leite em <em>A Desconstru\u00e7\u00e3o Da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica Enquanto Erro M\u00e9dico E Seu Enquadramento Como Viol\u00eancia Institucional E De G\u00eanero.<\/em><\/p>\n\n\n\n<style>\n    #adpost-block_7d2b5968fb31e46117c89d3dbba68d77.anuncio-post-reverse {\n        display: flex;\n        gap: 24px;\n        border-radius: 8px;\n        width: 100%;\n        max-width: 752px;\n        padding: 40px;\n        background: #e7f4fe;\n        margin: 16px auto;\n    }\n\n    #adpost-block_7d2b5968fb31e46117c89d3dbba68d77 .anuncio-container {\n        display: flex;\n        flex-direction: column;\n        gap: 24px;\n        width: 100%;\n        max-width: 333px;\n    }\n\n    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de garantir que todas as mulheres tenham direito a parto digno e gesta\u00e7\u00e3o respeitosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda projetos de lei em tramita\u00e7\u00e3o, como o Estatuto da Gestante &#8211; Senado PL 5435\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 gestante e maternidade tem fundamento legal na:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>na Constitui\u00e7\u00e3o Federal,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Decreto 1.973\/96 &#8211; Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Conven\u00e7\u00e3o para a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de\u00a0 discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher (Cedaw, 1979);<\/li>\n\n\n\n<li>Declara\u00e7\u00e3o e Programa de A\u00e7\u00e3o da 2\u00aa Confer\u00eancia\u00a0 Internacional de Direitos Humanos (Viena, 1993);<\/li>\n\n\n\n<li>Declara\u00e7\u00e3o e Plano de A\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia\u00a0 Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e\u00a0 Desenvolvimento (Cairo, 1994);<\/li>\n\n\n\n<li>Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Prevenir, Punir e\u00a0 Erradicar a Viol\u00eancia contra a Mulher (Conven\u00e7\u00e3o Bel\u00e9m\u00a0 do Par\u00e1, 1994);\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Lei Org\u00e2nica da Sa\u00fade &#8211; Lei n\u00ba 8080\/1991;\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Marco legal da primeira inf\u00e2ncia &#8211; Lei n\u00ba 13.257, de 8 de\u00a0 mar\u00e7o de 2016,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>ECA,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Lei 11.634\/2007,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Lei Federal n\u00ba 11.108\/2005,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>RDC 36\/2008 da ANVISA,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>as RNs 211 e 262 da ANS,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>C\u00f3digo Civil,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor,\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica \u2013 Resolu\u00e7\u00e3o 1921\/2009 (com destaque aos artigos 23 a 28).\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><em>Entenda qual \u00e9 o papel dos operadores do Direito na <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/judicializacao-da-saude\/#:~:text=garantido%20%C3%A0%20todos.-,E%20qual%20o%20papel%20dos%20operadores%20do%20direito%3F,a%20evitar%20a%20demanda%20judicial.\">judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no Brasil neste artigo<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Plano de parto protege contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. O plano de parto pode proteger a mulher contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica, desde que bem elaborado.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano de parto \u00e9 um documento realizado, sempre que poss\u00edvel em conjunto com o m\u00e9dico, pela mulher no qual constar\u00e1 o que ela autoriza e n\u00e3o autoriza durante o parto a partir de justificativas em evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dever\u00e1 a gestante descrever, ent\u00e3o, que deseja ou n\u00e3o fazer o corte da vagina, uso de ocitocina, quem ser\u00e1 o seu acompanhante (direito exclusivo da gestante), quem ser\u00e1 a sua Doula (e Doula n\u00e3o \u00e9 acompanhante), quest\u00e3o do toque e o intervalo entre eles, entre outras informa\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este documento precisa ser entregue ao Hospital onde ser\u00e1 realizado o parto (vale destacar que o hospital do parto \u00e9 registrado na carteira da gestante e \u00e9 direito da gestante saber desde o ato da sua inscri\u00e7\u00e3o no programa de assist\u00eancia pr\u00e9-natal, em qual maternidade realizar\u00e1 o parto e ser\u00e1 atendida nos casos de intercorr\u00eancia. (Lei do v\u00ednculo \u00e0 maternidade \u2013 lei n\u00ba 11.634\/2007). Vale a pena ter sempre uma c\u00f3pia com a gestante, para os casos de emerg\u00eancias. Este documento deve ser anexado ao prontu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 inclusive, em tramita\u00e7\u00e3o, o PL 7.867\/2017 (apensado ao PL 7633\/2014) que disp\u00f5e sobre medidas de prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica e de divulga\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas para a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidez, parto, nascimento, abortamento e puerp\u00e9rio que destaca como obrigat\u00f3ria a elabora\u00e7\u00e3o do plano de parto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como identificar que fui v\u00edtima de viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o poder. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das pr\u00e1ticas de viol\u00eancia obst\u00e9trica somente s\u00e3o percebidas ou reconhecidas pelas gestantes por conhecerem bem como deve ser o pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se limita apenas ao conhecimento da lei, \u00e9 importante saber como s\u00e3o as fases do parto, o que \u00e9 esperado e n\u00e3o esperado de cada fase, quais pr\u00e1ticas a comunidade jur\u00eddica e m\u00e9dica entende ser uma pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica come\u00e7a na primeira consulta. N\u00e3o tenha medo de questionar o m\u00e9dico. \u00c9 importante que a mulher gestante tamb\u00e9m conhe\u00e7a os seus direitos para poder se defender e lhe auxiliar a identificar se foi ou n\u00e3o v\u00edtima de viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a do acompanhante tamb\u00e9m protege contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica. \u00c9 direito da pessoa gestante ter <strong>sempre<\/strong> um acompanhante durante <strong>todos<\/strong> os procedimentos, de sua escolha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A quem denunciar sobre viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h3>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia pode (e deve ser) feita no hospital em que aconteceu a viol\u00eancia; na secretaria de sa\u00fade do Munic\u00edpio\/Estado; no conselho de classe que pertence quem realizou a pr\u00e1tica de viol\u00eancia (CRM e COREN).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Realizar a den\u00fancia \u00e0 Delegacia de Pol\u00edcia \u2013 central de atendimento \u00e0 Mulher (180) e Disque sa\u00fade (136).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as Defensorias P\u00fablicas e os Minist\u00e9rios P\u00fablicos (estadual e federal) tamb\u00e9m poder\u00e3o ser acionados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde obter informa\u00e7\u00f5es sobre viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h2>\n\n\n\n<p>Diversas entidades, tanto p\u00fablica como privada, possuem cartilha sobre a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Vejam algumas dicas de leitura para saber mais sobre o combate a essa viol\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.as.saude.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/livreto_violencia_obstetrica-2-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartilha do estado do Mato Grosso do Sul<\/a>;<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.mpsc.mp.br\/campanhas\/violencia-obstetrica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartilha do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Santa Catarina<\/a>;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"http:\/\/defensoria.sc.def.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Cartilha-UNIVALI-Violencia-obstetrica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartilha da Defensoria P\u00fablica de Santa Catarina e Univali<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/educapes.capes.gov.br\/bitstream\/capes\/602861\/2\/CARTILHA%20VIOL%C3%8ANCIA%20OBST%C3%89TRICA%20%281%29.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartilha da EduCAPES&nbsp;<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/paraiba.pb.gov.br\/diretas\/secretaria-da-mulher-e-da-diversidade-humana\/arquivos\/cartilha-sobre-violencia-obstetrica.pdf\/@@download\/file\/Cartilha%20sobre%20Viol%C3%AAncia%20%20Obst%C3%A9trica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartilha do Governo da Para\u00edba.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jurisprud\u00eancia de casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica<\/h2>\n\n\n\n<p>O tema viol\u00eancia obst\u00e9trica vem sendo objeto de precedentes nos Tribunais de Justi\u00e7a dos Estados brasileiros sob a compet\u00eancia dos ju\u00edzos relacionados \u00e0 responsabilidade civil e penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma consulta r\u00e1pida pelos Tribunais do Brasil, encontramos alguns precedentes sobre o assunto, reconhecendo e n\u00e3o reconhecedo a exist\u00eancia da viol\u00eancia obst\u00e9trica. A exemplo de:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO. A\u00c7\u00c3O INDENIZAT\u00d3RIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO, LATO SENSU. VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA. DANO MORAL. ALEGA\u00c7\u00c3O DE FALHA NA PRESTA\u00c7\u00c3O DO SERVI\u00c7O E ERRO M\u00c9DICO. SUPOSTOS DANOS SOFRIDOS NO PARTO DE SUA FILHA. SENTEN\u00c7A DE PROCED\u00caNCIA. INCONFORMISMO DO R\u00c9U. Cuida-se de a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria decorrente de suposto erro m\u00e9dico, que teriam ocasionado danos morais, est\u00e9ticos e materiais. Compulsando-se os autos v\u00ea-se que a pretens\u00e3o autoral tem arrimo na responsabilidade objetiva da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, nos termos do artigo 37, \u00a76\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. A obriga\u00e7\u00e3o dos profissionais m\u00e9dicos \u00e9 de meio, e n\u00e3o de resultado. autora foi admitida no Hospital Estadual Albert Schweitzer no dia 31\/03\/2009, com 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o e press\u00e3o arterial de 140x90mmHg. Parto natural realizado com episiotomia e f\u00f3rceps, havendo lacera\u00e7\u00e3o do per\u00edneo de do reto. Ruptura anterior do esf\u00edncter interno e externo do \u00e2nus. Viol\u00eancia obst\u00e9trica. Estado do Rio de Janeiro que n\u00e3o disponibilizou ao perito o prontu\u00e1rio m\u00e9dico completo referente ao per\u00edodo em que a autora esteve internada para ser submetida ao parto. Aus\u00eancia de prova de qualquer das excludentes de responsabilidade de modo a afastar o dever de indenizar, motivo pelo qual a condena\u00e7\u00e3o reparat\u00f3ria deve ser mantida. Danos moral e est\u00e9tico configurados. Observ\u00e2ncia aos verbetes n\u00ba 215 e n\u00ba 343 da s\u00famula de Jurisprud\u00eancia deste TJRJ. Verbas indenizat\u00f3rias corretamente fixadas. Pensionamento vital\u00edcio devido, em raz\u00e3o da incapacidade parcial permanente. Incapacidade laborativa. Precedente jurisprudencial. No que se refere aos juros de mora, eis que, tratando-se de responsabilidade extracontratual, eles devem fluir a partir do evento danoso, na forma do verbete sumular n\u00ba 54 do STJ. DESPROVIMENTO DO RECURSO.<br>(0106502-09.2010.8.19.0001 &#8211; APELA\u00c7\u00c3O. Des(a). ANDRE EMILIO RIBEIRO VON MELENTOVYTCH &#8211; Julgamento: 04\/02\/2025 &#8211; SEXTA CAMARA DE DIREITO PUBLICO (ANTIGA 21\u00aa C\u00c2MARA C\u00cdVEL))<br>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O DE REPARA\u00c7\u00c3O DE DANOS MATERIAIS, MORAIS E EST\u00c9TICOS. Alegadas falhas na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos durante realiza\u00e7\u00e3o de parto cesariano. Senten\u00e7a de parcial proced\u00eancia. Insurg\u00eancia da requerida. Laudo pericial que atesta o nexo de causalidade entre os danos experimentados e a conduta m\u00e9dica. Desnecessidade da realiza\u00e7\u00e3o de cesariana emergencial. Perfura\u00e7\u00e3o de bexiga e perman\u00eancia de restos placent\u00e1rios na cavidade uterina, atribu\u00eddos \u00e0 falta de dilig\u00eancia da equipe m\u00e9dica. Danos morais e est\u00e9ticos configurados. Indeniza\u00e7\u00f5es arbitradas, de forma proporcional e razo\u00e1vel, em R$ 20.000,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, com vistas ao cumprimento das fun\u00e7\u00f5es da responsabiliza\u00e7\u00e3o civil. Custeio de procedimentos est\u00e9ticos, tamb\u00e9m devido, com o objetivo de atenuar o dano correlato. Elementos configuradores da responsabiliza\u00e7\u00e3o civil presentes no caso. Senten\u00e7a mantida. RECURSO N\u00c3O PROVIDO. \u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1009041-92.2022.8.26.0554; Relator (a):\u00a0M\u00e1rcio Boscaro; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 10\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado; Foro de Santo Andr\u00e9 &#8211;\u00a01\u00aa Vara C\u00edvel; Data do Julgamento: 24\/02\/2025; Data de Registro: 24\/02\/2025)<br>Responsabilidade Civil \u2013 Danos morais e materiais &#8211; Erro m\u00e9dico \u2013 Morte do nascituro ap\u00f3s o parto \u2013 Laudo pericial concluiu pela ado\u00e7\u00e3o das condutas m\u00e9dicas corretas -Nexo causal n\u00e3o estabelecido por laudo pericial \u2013 Senten\u00e7a de improced\u00eancia mantida \u2013 Recurso n\u00e3o provido. \u00a0<br><br>(TJSP; Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1010959-08.2020.8.26.0068; Relator (a):\u00a0Marrey Uint; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 3\u00aa C\u00e2mara de Direito P\u00fablico; Foro de Barueri &#8211;\u00a0Vara da Fazenda P\u00fablica; Data do Julgamento: 20\/02\/2025; Data de Registro: 20\/02\/2025)<br>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL.\u00a0A\u00c7\u00c3O INDENIZAT\u00d3RIA. ALEGA\u00c7\u00c3O DE VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA EM RAZ\u00c3O DE CIRURGIA CESARIANA DESNECESS\u00c1RIA E N\u00c3O CONSENTIDA. PROVA PERICIAL QUE DEMONSTROU A CORRE\u00c7\u00c3O DA CONDUTA M\u00c9DICA E QUE A SITUA\u00c7\u00c3O EXIGIA CESARIANA DE URG\u00caNCIA.\u00a0MEDIDA IMPERIOSA \u00c0 SALVAGUARDA DA VIDA DA DEMANDANTE E PARA O NASCIMENTO SEGURO E SEM SEQUELAS DE SUA FILHA. AUS\u00caNCIA DE PROVA DO PREJU\u00cdZO AO ALEITAMENTO MATERNO. SITUA\u00c7\u00c3O EMERGENCIAL QUE JUSTIFICA A DISPENSA DA FORMALIDADE DE ACOMPANHAMENTO DA GESTANTE DURANTE A CES\u00c1REA.\u00a0O CONTEXTO F\u00c1TICO N\u00c3O DEMONSTRA QUALQUER DESRESPEITO \u00c0 MULHER, SUA AUTONOMIA, SEU CORPO OU SEUS PROCESSOS REPRODUTIVOS, INEXISTINDO NOT\u00cdCIA\u00a0DE QUALQUER EFETIVO DANO SOFRIDO PELA PARTE AUTORA OU\u00a0AO REC\u00c9M-NASCIDO\u00a0EM DECORR\u00caNCIA DO PROCEDIMENTO REALIZADO DENTRO DOS PADR\u00d5ES DA T\u00c9CNICA M\u00c9DICA.\u00a0A CONDUTA M\u00c9DICA FOI CORRETA, N\u00c3O CAUSANDO QUALQUER COMPLICA\u00c7\u00c3O OU MESMO DANO TANTO \u00c0 AUTORA QUANTO \u00c0\u00a0SUA FILHA, INEXISTINDO PROVA DA ALEGADA VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA. AUS\u00caNCIA DE ATO IL\u00cdCITIO.\u00a0DEVER DE INDENIZAR N\u00c3O CARACTERIZADO. APELO N\u00c3O PROVIDO.\u00a0(<strong>Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel\u00a0N\u00ba 5001239-77.2017.8.21.0072\/RS)<\/strong><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>A leitura dos julgados nos mostra que \u00e9 extremamente importante um olhar atento pelo Poder Judici\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao tema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 percept\u00edvel pelos precedentes que s\u00e3o encontrados que a maior dificuldade enfrentada pelas Autoras \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o das provas e a an\u00e1lise do tema sob o prisma do erro m\u00e9dico o que dificulta, em alguns casos a prova da configura\u00e7\u00e3o do dano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos dos casos, os danos n\u00e3o se limitam \u00e0 m\u00e3e, estendendo ao beb\u00ea (parto desassistido com a queda do beb\u00ea e fratura\/danos cerebrais; n\u00e3o acompanhamento dos batimentos card\u00edacos do beb\u00ea, falta de oxigena\u00e7\u00e3o com sequelas) e ao acompanhante (proibi\u00e7\u00e3o da entrada ou perman\u00eancia no local).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, percebe-se uma prepara\u00e7\u00e3o pontual do operador do direito que ir\u00e1 atuar no caso, o que \u00e9 extremamente importante, pois como salientado acima, a viol\u00eancia obst\u00e9trica ultrapassa o erro m\u00e9dico ao se tornar uma viol\u00eancia institucional e decorrente do g\u00eanero. Trata-se de um estudo que ultrapassa as doutrinas usuais, um estudo multidisciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o aspecto penal, diante da inexist\u00eancia de tipifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, identificam-se como inj\u00faria, amea\u00e7a, constrangimento ilegal, maus tratos, les\u00e3o corporal, n\u00e3o descartando a possibilidade de tentativa de homic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 poss\u00edvel demandar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais em casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim, \u00e9 poss\u00edvel. O tema \u00e9 analisado sob a \u00f3tica da responsabilidade civil, em especial os artigos 186, 187 e 927 do C\u00f3digo Civil. Desta feita, para que haja o ressarcimento \u00e0 pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica imprescinde do reconhecimento da conduta, o dano e o nexo causal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>RESPONSABILIDADE CIVIL &#8211; Erro m\u00e9dico &#8211; A\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais &#8211; Aventada neglig\u00eancia no atendimento prestado na realiza\u00e7\u00e3o de parto normal do qual teria resultado les\u00e3o do plexo braquial esquerdo do rec\u00e9m-nascido &#8211; Senten\u00e7a de improced\u00eancia &#8211; Inconformismo dos autores &#8211; Suposta falha do atendimento prestado &#8211; Pleito cuja proced\u00eancia depende de prova de culpa da equipe m\u00e9dica envolvida (art. 14, \u00a7 4\u00ba, do CDC) &#8211; Conjunto probat\u00f3rio que n\u00e3o apontou esse fato &#8211; Exame pericial realizado por especialistas que n\u00e3o apresentou subs\u00eddios probat\u00f3rios de falha procedimental do requerido &#8211; Per\u00edcia que n\u00e3o reconheceu a ocorr\u00eancia de falha m\u00e9dica, concluindo que n\u00e3o havia indica\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o da ces\u00e1rea &#8211; Laudos que n\u00e3o observaram nexo causal entre a conduta obst\u00e9trica e as t\u00e9cnicas empregadas no parto &#8211; Autor que foi submetido ao tratamento adequado t\u00e3o logo constatada a les\u00e3o, sendo de grau leve a repercuss\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o funcional verificada na per\u00edcia &#8211; Aus\u00eancia de ato il\u00edcito que justifique a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar &#8211; Recurso desprovido.\u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1005733-10.2018.8.26.0224; Relator (a):\u00a0Galdino Toledo J\u00fanior; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 9\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado; Foro de Guarulhos &#8211;\u00a02\u00aa Vara C\u00edvel; Data do Julgamento: 26\/11\/2024; Data de Registro: 26\/11\/2024)<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais as consequ\u00eancias jur\u00eddicas para institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade envolvidas nesses casos?<\/h2>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, na grande maioria dos casos, trata-se de responsabilidade objetiva. Ser\u00e1 preciso analisar a conduta das institui\u00e7\u00f5es no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00edtulo de exemplo apresentamos os seguintes julgados que reconhecem e afastam a responsabiliza\u00e7\u00e3o de planos de sa\u00fades e entidades hospitalares:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote classe bq-small\"><blockquote><p>CIVIL E PROCESSUAL CIVIL \u2013 RESPONSABILIDADE CIVIL \u2013 PROCEDIMENTO COMUM \u2013 REPARA\u00c7\u00c3O DE DANOS \u2013 SERVI\u00c7O P\u00daBLICO \u2013 ERRO M\u00c9DICO \u2013 PROCEDIMENTO OBST\u00c9TRICO \u2013 PARTO NORMAL \u2013 \u00d3BITO FETAL \u2013 FALHA DO SERVI\u00c7O \u2013 DEVER DE INDENIZAR EXISTENTE. 1. Ilegitimidade passiva ad causam dos agentes p\u00fablicos. Aplica\u00e7\u00e3o do entendimento assentado no julgamento do Tema n\u00ba 940 do STF. Extin\u00e7\u00e3o do processo, sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito (art. 485, VI, CPC). 2. Aquele que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o volunt\u00e1ria, neglig\u00eancia ou imprud\u00eancia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato il\u00edcito. E aquele que, por ato il\u00edcito, causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo (artigos 186 e 927 do C\u00f3digo Civil). 3. Falha na presta\u00e7\u00e3o de atendimento m\u00e9dico-hospitalar em estabelecimento sob gest\u00e3o de pessoa jur\u00eddica de direito privado prestadora de servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade. Entidade conveniada do Munic\u00edpio prestadora de servi\u00e7os no SUS. Imper\u00edcia constatada em laudo pericial. Exist\u00eancia de nexo causal entre a atua\u00e7\u00e3o da equipe m\u00e9dica e o resultado danoso. Dever de indenizar existente. 4. Dano moral evidente. Redu\u00e7\u00e3o do valor da indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral. Pens\u00e3o mensal devida da data em que a crian\u00e7a falecida completaria 14 anos at\u00e9 quando completaria 25 anos. Modifica\u00e7\u00e3o dos encargos da mora. Aplica\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba da EC n\u00ba 113\/2021. Reexame necess\u00e1rio, considerado interposto, acolhido, em parte. Recursos dos r\u00e9us providos, em parte.\u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1004173-07.2016.8.26.0126; Relator (a):\u00a0D\u00e9cio Notarangeli; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 9\u00aa C\u00e2mara de Direito P\u00fablico; Foro de Caraguatatuba &#8211;\u00a03\u00aa Vara C\u00edvel; Data do Julgamento: 29\/01\/2025; Data de Registro: 29\/01\/2025)<br>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O DE OBRIGA\u00c7\u00c3O DE FAZER. Plano de sa\u00fade. Resili\u00e7\u00e3o unilateral imotivada. Senten\u00e7a de proced\u00eancia que manteve a rela\u00e7\u00e3o contratual. Insurg\u00eancia recursal da requerida. N\u00e3o convencimento. Contrato coletivo empresarial com apenas 03 benefici\u00e1rios. &#8220;Falso coletivo&#8221;. Incid\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o consumerista. Veda\u00e7\u00e3o da rescis\u00e3o unilateral imotivada. N\u00e3o bastasse, uma das benefici\u00e1rias est\u00e1 gr\u00e1vida. Necessidade de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica cont\u00ednua. Tema 1082 do C. STJ. Lei n\u00ba 11.634\/2007. Direitos Humanos da mulher, especialmente o da seguran\u00e7a da paciente gestante. Declara\u00e7\u00e3o 14.23 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. Efic\u00e1cia horizontal de direitos fundamentais. Fartos precedentes deste E. Tribunal de Justi\u00e7a. Acerto do ju\u00edzo origin\u00e1rio. Senten\u00e7a mantida. RECURSO IMPROVIDO. \u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1045641-48.2024.8.26.0100; Relator (a):\u00a0Wilson Lisboa Ribeiro; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 9\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado; Foro Central C\u00edvel &#8211;\u00a038\u00aa Vara C\u00edvel; Data do Julgamento: 14\/02\/2025; Data de Registro: 14\/02\/2025)<br>A\u00c7\u00c3O ORDIN\u00c1RIA \u2013 Pedido de repara\u00e7\u00e3o de danos morais fundado em erro m\u00e9dico \u2013 Fato n\u00e3o confirmado pela per\u00edcia judicial \u2013 Senten\u00e7a reformada \u2013 Recurso da Municipalidade provido. Recurso da autora prejudicado. \u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1032858-11.2022.8.26.0224; Relator (a):\u00a0Luiz Sergio Fernandes de Souza; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 7\u00aa C\u00e2mara de Direito P\u00fablico; Foro de Guarulhos &#8211;\u00a02\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica; Data do Julgamento: 06\/02\/2025; Data de Registro: 06\/02\/2025)<br>APELA\u00c7\u00c3O C\u00cdVEL. A\u00c7\u00c3O INDENIZAT\u00d3RIA. VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA. CONFIGURA\u00c7\u00c3O. DANOS MORAIS \u00c0 PARTURIENTE E \u00c0 MENOR CARACTERIZADOS. MANUTEN\u00c7\u00c3O. VALOR BEM FIXADO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITA\u00c7\u00c3O. DANOS MORAIS AO GENITOR N\u00c3O EVIDENCIADOS. AFASTAMENTO. DANOS MATERIAIS N\u00c3O COMPROVADOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Demonstrado o nexo de causalidade entre a conduta do corpo cl\u00ednico integrante do hospital credenciado \u00e0 operadora (pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica) e o dano moral experimentado pela parturiente e a rec\u00e9m-nascida, de rigor a condena\u00e7\u00e3o daquela ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. 2. O valor fixado a t\u00edtulo de compensa\u00e7\u00e3o por danos morais, cujo arbitramento respeitou aos princ\u00edpios da proporcionalidade e da razoabilidade, deve ser mantido e n\u00e3o comporta redu\u00e7\u00e3o. 3. Tratando-se de rela\u00e7\u00e3o contratual, o termo inicial dos juros de mora \u00e9 a data da cita\u00e7\u00e3o. 4. O sofrimento alheio que pode causar dano reflexo \u00e9 aquele de ampla gravidade, que leva pessoa pr\u00f3xima \u00e0 morte, a invalidez permanente ou qualquer cat\u00e1strofe, segundo entendimento jurisprudencial. N\u00e3o \u00e9 esse, entretanto, o caso dos autos.\u00a0<br><br>(TJSP; \u00a0Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1014036-85.2021.8.26.0554; Relator (a):\u00a0Maria do Carmo Honorio; \u00d3rg\u00e3o Julgador: 6\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado; Foro de Santo Andr\u00e9 &#8211;\u00a01\u00aa Vara C\u00edvel; Data do Julgamento: 18\/12\/2024; Data de Registro: 18\/12\/2024)<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por que precisamos combater a viol\u00eancia obst\u00e9trica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fato de o termo possuir consigo a palavra <strong><em>viol\u00eancia<\/em><\/strong> j\u00e1 \u00e9 uma raz\u00e3o para combater. N\u00e3o se pode admitir em uma sociedade a exist\u00eancia de tratamentos desrespeitosos, discriminat\u00f3rios, sexistas, elitistas ou qualquer outro que diminua a pessoa ou que coloquem sua vida em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata apenas de respeito.&nbsp; \u00c9 um direito.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u00a0\u201cToda mulher tem o direito de ser protagonista na hora do parto e ter autonomia total sobre seu pr\u00f3prio corpo, tendo suas vontades e necessidades respeitadas.\u201d<\/em> Defensoria P\u00fablica do Estado do MS.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que o respeito \u00e0s necessidades e vontades da mulher n\u00e3o pode sobrepor as medidas m\u00e9dicas protocolares e necess\u00e1rias para salvar a vida da m\u00e3e e do beb\u00ea. E isso \u00e9 mat\u00e9ria de an\u00e1lise e debate para o reconhecimento ou n\u00e3o da pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que deve ser buscado durante o pr\u00e9-natal, parto e p\u00f3s-parto \u00e9 que as mulheres tenham direito a parto digno e gesta\u00e7\u00e3o respeitosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: pr\u00e1tica de viol\u00eancia obst\u00e9trica contribui para a manuten\u00e7\u00e3o dos altos \u00edndices de mortalidade materna e neonatal no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Combater a viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 proteger a Vida \u2013 da m\u00e3e e do beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o papel dos advogados na orienta\u00e7\u00e3o e defesa das v\u00edtimas desse tipo de viol\u00eancia?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os advogados (aqui incluo a Defensoria P\u00fablica e o Minist\u00e9rio P\u00fablico) possuem um papel muito importante na orienta\u00e7\u00e3o e defesa das v\u00edtimas da viol\u00eancia obst\u00e9trica, pois \u00e9 atrav\u00e9s do seu trabalho que as v\u00edtimas poder\u00e3o buscar perante o Poder Judici\u00e1rio ressarcimento pelos preju\u00edzos c\u00edveis e criminais sofridos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desta feita, \u00e9 muito importante que o conhecimento do profissional sobre o assunto n\u00e3o seja raso. Se faz necess\u00e1ria uma prepara\u00e7\u00e3o pontual do operador do direito que ir\u00e1 atuar no caso, o que \u00e9 extremamente importante, pois a viol\u00eancia obst\u00e9trica ultrapassa o erro m\u00e9dico ao se tornar uma viol\u00eancia institucional e decorrente do g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um estudo que ultrapassa as doutrinas usuais, um estudo multidisciplinar, afinal \u00e9 um tema delicado, que imprescinde de provas concretas, um laudo t\u00e9cnico muito bem elaborado, pois n\u00e3o \u00e9 um tema gen\u00e9rico. Cada viv\u00eancia \u00e9 \u00edmpar e por isso demanda uma an\u00e1lise pontual para o reconhecimento ou n\u00e3o da pr\u00e1tica<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do nascimento ser um ato biol\u00f3gico e natural, muitas mulheres ainda enfrentam o desrespeito, a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o clara, a viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou psicol\u00f3gica, com a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seu corpo e sua sexualidade, tornando momentos que deveriam ser especiais, em pesadelos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese combatida, ela \u00e9 vivenciada por muitas mulheres que, por estarem em um estado de fragilidade, s\u00e3o violentadas confirmando que n\u00e3o se trata de um erro m\u00e9dico, \u00e9 uma viol\u00eancia institucional, de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado do direito da mulher no parto de assist\u00eancia humanizada e de n\u00e3o ser v\u00edtima de nenhuma viol\u00eancia, informa\u00e7\u00f5es sobre o pr\u00e9-parto, parto e p\u00f3s-parto, o que pode e n\u00e3o pode acontecer, as poss\u00edveis intercorr\u00eancias e a\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas dispon\u00edveis s\u00e3o imprescind\u00edveis para a gestante para poder exercer o seu direito como tamb\u00e9m para os operadores do direito que queiram atuar neste campo defendendo as gestantes\/m\u00e3es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mais conhecimento para voc\u00ea<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/partilha-de-bens\/\">Partilha de bens:<\/a> entenda o que \u00e9 e como funciona<\/li>\n\n\n\n<li>Veja o que \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/marco-legal-das-startups\/\">Marco Legal das Startups<\/a> e o que muda<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/sustentacao-oral\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/sustentacao-oral\/\">Dicas para se preparar para uma sustenta\u00e7\u00e3o oral<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>Entenda o que \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/acessao\/\">acess\u00e3o<\/a> e quais seus principais tipos<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/impericia-imprudencia-neglicencia\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/impericia-imprudencia-neglicencia\/\">Diferen\u00e7a entre neglig\u00eancia, imprud\u00eancia e imper\u00edcia<\/a><\/li>\n\n\n\n<li>Confira o que s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/crimes-hediondos\/\">crimes hediondos<\/a> e os principais aspectos da Lei 8.072\/90<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/nome-social\/\">Nome social<\/a>: aspectos legais sobre o direito de mudar o nome de registro<\/li>\n<\/ul>\n\n\n<style>\r\n  .news-post {\r\n    background: url('https:\/\/www.aurum.com.br\/blog\/wp-content\/themes\/aurum\/img\/bg-news-artigo.svg') no-repeat top center #3C48AA;\r\n    padding: 1.5rem;\r\n    border-radius: 6px;\r\n    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