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As tendências de inovação e tecnologia no Direito para 2020

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As transformações provocadas pela inovação e pela tecnologia afetam as mais diversas áreas – inclusive a advocacia. Surgem demandas de legislação, novas áreas de atuação e ferramentas para operacionalizar atividades. Mas quais tendências de inovação e tecnologia no Direito esperar para 2020? 

Victor Fonseca, advogado especialista em tecnologia e inovação na TozziniFreire Advogados, teve a missão de falar sobre o assunto em sua palestra no Aurum Summit 2019. Para ele, no entanto, essa seria a “palestra impossível”, pois algumas questões essenciais para prever tendências talvez nunca sejam respondidas. Se preparar para o futuro do Direito vai além de saber exatamente o que vem por aí. É se preparar para diferentes possibilidades de futuro.

E é sobre isso que vamos falar neste artigo especial,  que encerra a série #ConexãoFuturoDaAdvocacia, criada para abordar com profundidade os temas apresentados no Aurum Summit. São textos para ampliar os debates e trazer novas perspectivas sobre assuntos relacionados à advocacia.

Quer saber mais sobre as tendências de inovação e tecnologia no Direito para 2020? Então continue a leitura! 😉

Tendências de inovação e tecnologia no Direito para 2020

É difícil – quase impossível – apontar quais serão as tendências de inovação e tecnologia no Direito para o futuro. Afinal, de que inovação e tecnologia estamos falando? A qual profissional do Direito estamos nos referindo? E como é esse futuro?

Para Victor, as respostas para as perguntas acima variam de acordo com cada referencial. Confira a explicação para cada uma delas:

O que é inovação?

Victor compartilhou que já viu inovação como algo muito relacionado ao desenvolvimento de uma nova tecnologia. Inclusive é o que está na Lei de Inovação, baseada em novas tecnologias, centro de cooperação com universidades, entre outras medidas de incentivo. 

Mas o significado de inovação vai muito além – e é algo que não pode ser encontrado em livros. Para Victor, a inovação está em cada lugar, organização ou pessoa que precisa inovar. E cada modelo tem a sua resposta para “o que é inovação”. 

Assim, como ser humano, é impossível olhar para as diferentes organizações e apontar uma tendência de tecnologia no Direito uniforme. Cada escritório vai ter necessidade de inovação – e a sua resposta também. 

O que é tecnologia?

Analisando sob diferentes referenciais, o conceito de tecnologia é um dos que mais varia. Victor explicou que isso acontece por conta do fator “tempo”. A tecnologia de ponta há 30 anos não é a mesma que temos hoje. Aquela está, inclusive, ultrapassada.

Em um universo com tantas inovações disruptivas, que implicam mudanças instantâneas, é difícil apontar qual será a próxima tecnologia de ponta. O que faz com que não seja fácil, também, pensar nas suas tendências de tecnologia no Direito para o futuro.

O que é o profissional do Direito?

Parece fácil pensar nessa resposta, mas na verdade é outra pergunta difícil de responder. Isso porque, segundo Victor, em uma realidade como a brasileira existem inúmeros perfis na área.. Só para ter uma ideia, são mais de 1 milhão de advogados e outros tantos profissionais.

São pessoas completamente opostas umas das outras: advogados que atuam no interior, em grandes corporações, advogados autônomos ou até mesmo do setor público. Victor explicou que fica ainda mais mais difícil determinar uma tendência para o Direito em um universo tão amplo.

O que é o futuro?

Logo de cara sabemos que essa resposta é relativa. Futuro é o que está acontecendo hoje. Pode ser o que vai acontecer daqui um mês. E pode ser o que vai acontecer em 2020. Mas, para Victor, a questão gira em torno da impossibilidade de entender esse futuro e prever uma tendência de forma assertiva. 

O futuro pode mudar num estalar de dedos. Pode surgir uma nova tecnologia no Direito amanhã que mude os cenários que conhecemos. E até mesmo algo já criado pode passar a ser aplicado de formas diferentes daquelas pensadas anteriormente. 

Dicas para se preparar para a tecnologia no Direito do amanhã

Deu pra entender porque Victor disse que essa seria a palestra impossível: realmente não há como apontar tendências de inovação e tecnologia no Direito diante de um universo tão amplo e com tantas variáveis. Assim, concluiu que, na verdade, inovação e previsibilidade não combinam. 

A tendência para 2020 é ter cada vez menos tendências.

Mas isso não quer dizer que os profissionais do Direito não tenham perspectivas que possam se inspirar. Muito pelo contrário! Pensando nessa preparação para o futuro, Victor compartilhou com público do Aurum Summit cinco dicas para o que ele chamou de “Direito do amanhã”. Confira cada uma delas abaixo:

1. É inútil tentar prever tendências, é preciso se preparar para diferentes futuros

Na verdade, os profissionais do Direito não devem mais se preparar para “o futuro” e sim para “os futuros”. Cada novidade de tecnologia no Direito pode impactar em um futuro diferente, com inúmeras possibilidades e caminhos a serem seguidos. É necessário estudar e analisar o que seguir para ser relevante e se destacar na área.

Na opinião de Victor, um dos futuros possíveis é que o Direito nunca vai ser disruptivo. Existem, sim, novidades surgindo na área que geram grandes transformações. Mas os advogados precisam entender as mudanças e como aplicá-las.

2. Sem colaboração, é impossível construir o futuro do Direito (e o Direito do futuro)

É necessário entender como diferentes profissionais – do Direito e de outras áreas – podem complementar o trabalho do advogado. Para Victor, a colaboração é essencial para o profissional do futuro, seja compartilhando experiências, tirando dúvidas, ou auxiliando colegas.

Além disso, é necessário ter em mente que a tecnologia dialoga com o Direito. Isso sempre existiu, desde o surgimento das primeiras ferramentas humanas e da necessidade de criar normas para regulamentá-las. A diferença é que hoje a tecnologia no Direito chega com uma velocidade cada vez maior, gerando demandas mais urgentes. Nesse sentido, a interdisciplinaridade é essencial para entender como outros profissionais podem contribuir.

Por fim,  é preciso olhar com atenção para o fenômeno geracional que está acontecendo no mercado. Segundo Victor, os conflitos entre gerações acabam se sobressaindo, quando, na verdade, deveriam ser os diálogos. Para ele, muitas vezes novos problemas não demandam novas soluções, e a união de profissionais de diferentes gerações pode ser o caminho para encontrar essas respostas. 

3. Pessoas são mais importantes que tecnologias

É fato que a tecnologia no Direito está cada vez mais presente, mas o fator humano ainda é que diferencia os profissionais. E na rotina dos advogados as habilidades socioemocionais são essenciais.

Conforme explicou Victor, um estudo apontou que conhecimento jurídico é a base para qualquer advogado do mercado. Isso quer dizer que, a princípio, todos têm as mesmas habilidades. Em seguida, apareceram outros fatores que vão destacando algumas pessoas de outras, como gestão de projetos, conhecimentos de tecnologia, habilidades de comunicação e marketing. E, por fim, o topo de todas as habilidades são as características socioemocionais.

Mas por que isso é tão importante? Para Victor foi fácil explicar: é por meio dessas habilidades que o advogado consegue se colocar no lugar do cliente e pensar no problema dele com empatia. E é assim que é preciso agir sempre.

Para contribuir ainda mais para a adoção de habilidades socioemocionais, lançamos o portal O Futuro da Advocacia.

Nele, você tem acesso a trilhas completas de conteúdos gratuitos e aprofundados sobre temas que vão, de fato, contribuir para que o seu trabalho tenha cada vez mais excelência e para que você conquiste mais e melhores clientes por meio de um atendimento excelente. 😉

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4. Cada organização ou indivíduo se adapta ao novo em ritmos diferentes

É necessário entender que, apesar de as transformações acontecerem, em geral, de maneira muito rápida, está tudo bem ir devagar. Victor explicou que algumas áreas demoram mais tempo mesmo para inovar, como é o caso do Direito. Não é possível impor inovação, é necessário esperar o fluxo natural das coisas.

Isso se aplica também a colegas, colaboradores e pessoas ao redor. Cada um tem um tempo para se adaptar ao novo e praticar mudanças. É necessário olhar com empatia para o próximo e entender essas diferenças.

5. A humanidade diferencia as pessoas de qualquer máquina

Victor deixou claro que o discurso de que o ser humano vai ser substituído pela tecnologia hoje não mais se sustenta. Quem pensa dessa forma está limitando perspectivas, pois é necessário pensar na tecnologia como uma aliada.

No dia a dia da advocacia, por exemplo, os softwares jurídicos podem operacionalizar tarefas repetitivas, deixando para os advogados a atividade de advogar. Assim, o profissional pode melhorar suas habilidades socioemocionais, dedicar mais tempo aos clientes e ter mais produtividade.

A tecnologia no Direito é um complemento para facilitar o trabalho e a tomada de decisão dos profissionais. Mas o ser humano sempre será fundamental para olhar para a tecnologia com senso de moral e ética.

Conclusão

A dica final de Victor Fonseca é que é preciso abraçar o futuro para construir sua melhor versão profissional. Isso implica em adotar boas práticas e se libertar o que trava e atrapalha o seu trabalho, caso contrário nenhuma possibilidade de futuro será confortável. E estar confortável depende de como você se coloca no mercado. 

Sobre o Aurum Summit

O Aurum Summit é o evento de inovação e tecnologia para advogados realizado anualmente pela Aurum. É a oportunidade para os profissionais do Direito ficarem por dentro das principais tendências da área, vivenciar experiências e ampliar suas conexões.

Em 2019, o evento aconteceu no dia 10 de outubro, em São Paulo e, pela primeira vez, em transmissão online simultânea. Saiba como foi o Aurum Summit 2019.

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