Liderança: o que aprendi em 20 anos de trabalho em equipe

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Para levar a cabo certos trabalhos e iniciativas, é necessário trabalhar em equipe. E sempre que há trabalho que envolva mais do que duas pessoas, há a necessidade de algum tipo de liderança. A ideia deste post é compartilhar um pouco do que aprendi nos últimos 20 anos de trabalho em equipe em Startups.
Definitivamente liderar não é uma ciência exata. Meu conhecimento é empírico. Há muitos estilos e maneiras de liderar, indico aqui alguns em que acredito.

Iniciativa

Esta é a característica básica de qualquer líder. Se a liderança é boa ou ruim é outra coisa, mas sem iniciativa ela não existe. Exemplo: digamos que um grupo quer fazer uma fogueira. Se ninguém tomar iniciativa, a fogueira não acontece. Por outro lado, se alguém começar a procurar madeira e perguntar quem tem fósforo, essa pessoa se torna o líder daquele grupo naquela tarefa e a fogueira é acesa.
Para ter iniciativa é preciso ter coragem para se expor. É sempre mais fácil esperar que a iniciativa parta dos outros, mas, em determinadas situações, você terá que “tomar a frente”, o que nem sempre é confortável.
Oportunidades de liderança aparecem a todo instante. Cabe a você identificar quais valem a pena.

Propósito

Fica mais fácil um time ir na mesma direção se seus integrantes sabem qual é o objetivo a ser alcançado. É papel do líder fazer com que isso aconteça. Parece fácil, mas em muitas situações nem o líder sabe claramente qual é o objetivo. Também é comum se enganar acerca do entendimento do objetivo pelo time.
Além de deixar claro para a sua equipe quais objetivos queremos alcançar, o próximo passo é montar um time com pessoas que acreditam no que você acredita. Vocês já notaram que torcedores de um mesmo time se simpatizam um com outro antes mesmo de se conhecerem? O mesmo ocorre com pessoas do mesmo país quando se encontram em viagem. Isso acontece porque essas pessoas compartilham um mesmo conjunto de crenças e criam uma relação de confiança.
Para conseguir isso, a primeira coisa a fazer é comunicar claramente o que você acredita para o time. Aliás, antes ainda, é necessário fazer um exame de consciência e identificar as coisas em que você acredita para saber o que comunicar. Aqueles que se identificarem com suas ideias vão agir como um time, uma tribo. Vão desenvolver um nível de confiança elevado.

Integridade

Aqui entra a diferença entre um bom e um mau líder. Para exemplificar, vou contar uma pequena história: jogo futebol aos sábados, a popular “pelada”. Um dos jogadores é o organizador e tem a função de separar os dois times. Ele joga em um dos times. Se ele abusar dessa posição de liderança e sempre escalar um time forte para si, uma de duas coisas pode acontecer: a pelada vai perdendo gradativamente seus jogadores e acaba; ou outro líder aparece e substitui o primeiro.
Integridade tem a ver com não abusar da posição de liderança. Não extrair para si vantagens indevidas por conta da posição atingida. Liderança sem integridade é bem comum, há uma porção de exemplos na política, em qualquer lugar. Mas destrói a confiança e é insustentável no longo prazo.

Flexibilidade

Nem todas as ideias (boas ou ruins) têm que necessariamente sair da cabeça do líder. Aliás, nos times de alta performance, a maioria das ideias nasce dentro do time. Para isso acontecer é necessário que o líder seja flexível, não fique muito apegado a suas ideias e saiba ouvir.
Para dar um exemplo, recentemente tive uma reunião com um de meus diretores, e sugeri adiantarmos em um mês uma ação que constava em nosso planejamento. O diretor argumentou que a ideia dele era seguir o planejado, ao que eu contra argumentei: planejamento a gente segue quando a coisas estão saindo conforme o planejado – o que não era o caso – senão adaptamos.
Pode parecer um conflito com que eu escrevi acima em relação ao propósito. Mas ideias e crenças não estão escritas em pedra. E isso é particularmente importante nos dias de hoje, em que tudo muda a todo instante. É preciso estar disposto a mudar de planos quando muda o cenário. Como dizia Raul Seixas: “eu prefiro ser aquela metamorfose ambulante… do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Importar-se

No Vale do Silício, a autora Kim Scott cunhou o conceito de Radical Candor. A história é mais ou menos assim:
Ela era responsável pelo projeto do AdSense na Google, e apresentou o projeto para o Larry Page (então CEO da Google), que ficou extremamente impressionado com os resultados e a elogiou bastante.
No caminho de volta ao escritório, a chefe dela, que estava na reunião, elogiou o trabalho mas fez uma observação: Kim tinha mania de preencher a fala com aqueles sons que não significam nada. Os “humm” e “ahnnn” que algumas pessoas usam. E perguntou se não era o caso de Kim fazer um curso de oratória para corrigir isso.
Kim achou ridículo conversar sobre aquilo depois de, nas palavras dela, ter agarrado o tigre pela cauda. Porém, a chefe não se deu por vencida, insistiu no assunto e só conseguiu a atenção da Kim quando mencionou que “ela parecia uma idiota quando fazia aquilo”. A afirmativa chamou a atenção de Kim e, no final da história, ela concordou em fazer o tal curso de oratória, inclusive apresentou um TED Talk sobre o assunto.
O ponto é que a chefe dela fez isso é porque se importava. Ela percebeu que isso prejudicava a Kim e que precisava fazer algo a respeito, para desenvolver a Kim. Se importar é isso, é prestar atenção nas pessoas que você lidera e, no linguajar de RH, enfatizar oportunidades de desenvolvimento sempre que perceber uma.
Dessa maneira, você melhora continuamente o desempenho do seu time.

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