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Mario Esequiel fala sobre a advocacia do futuro

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No mercado jurídico há mais de 15 anos, o economista Mario Esequiel se dedica diariamente a aprender, ensinar e aplicar empreendedorismo e gestão de negócios para advogados. E faz tudo isso além de ser empreendedor, consultor, diretor executivo do Instituto Internacional de Gestão Legal e membro fundador do Grupo de Excelência de Administração Legal do Conselho Regional de Administração de São Paulo. O currículo é extenso – e olha que nós nem revelamos ele inteiro! Sempre atento às atualizações do mercado, Mario Esequiel abriu a trilha de palestras do primeiro Aurum Summit com o tema “A advocacia do futuro”. Para apresentar um pouco do trabalho do economista especializado em mercado jurídico, conversamos com ele sobre carreira e inovação na advocacia. Confira a entrevista completa:

Você é economista. Por que resolveu atuar junto ao mercado jurídico? Como aconteceu essa escolha?

Mario Esequiel: O meu ingresso no mercado jurídico se deu em 2000 através de um headhunter [profissional cuja função é “caçar” os melhores profissionais do mercado em áreas executivas] que me localizou e ofereceu uma proposta para trabalhar em um escritório de advocacia relativamente jovem – na época, ele [o escritório] tinha 8 anos. O escritório Mattos Filho Advogados havia crescido muito rapidamente e precisava de alguém para assumir toda a área administrativa.
No primeiro momento, não me pareceu interessante sair de uma multinacional do ramo de consultoria, uma das maiores do mundo, onde eu era o controller regional responsável pelos escritórios do Brasil e Argentina, para ir para um escritório de advocacia. Então eu fui pesquisar o mercado do setor e observei que os escritórios estavam crescendo muito rapidamente. E quando comparados com países mais maduros nesse segmento, como Estados Unidos e Inglaterra, percebi uma interessante oportunidade. Unindo isso a uma certa intuição, resolvi aceitar.

Que oportunidades de negócios e carreira você enxergou no mercado jurídico?

Mario Esequiel: Observei que a grande maioria dos escritórios era administrada por advogados que não tinham conhecimento das ferramentas de gestão. A administração era feita de maneira informal e intuitiva. Então notei que os sócios iriam precisar de um suporte administrativo de qualidade para poder gerir seus escritórios – caso contrário, teriam sérios problemas de organização, que iriam afetar a prestação do serviço jurídico. Foi aí que vi que a minha experiência poderia ser útil, em primeiro lugar no Mattos Filho Advocacia, mas, ao mesmo tempo, para o mercado como um todo.
Dentre inúmeras outras iniciativas, no Mattos Filho tive a oportunidade de organizar toda a área administrativa de modo a dar um bom suporte para as áreas jurídicas e levar aos sócios do escritório alguns conceitos de gestão e a sua importância. Paralelamente, comecei a me expor mais para o mercado jurídico, dando aulas em cursos voltados para gestão de escritórios de advocacia, palestras, criando grupos e centros de estudos para fomentar a discussão da gestão legal no Brasil, produzindo conteúdo para colunas em sites especializados e escrevendo o livro “Gestão eficiente de escritórios de advocacia”.

Que tipo de trabalho você desenvolve atualmente?

Mario Esequiel: Atualmente sou sócio fundador da Bórea, uma consultoria de gestão de escritórios de advocacia. Continuo dando palestras e participando do grupo de estudos de administração legal no Brasil dentro do CRA-SP – Conselho Regional de Administração de São Paulo, publico quinzenalmente vídeos de gestão legal na minha coluna “Minuto da Gestão” no site Conjur e também tenho divulgado o meu livro.

Tivemos o prazer e a satisfação de contar com a sua presença na palestra de abertura do primeiro Aurum Summit. Por que você escolheu o tema “a advocacia do futuro”?

Mario Esequiel: Não é surpresa nem novidade, pelo menos não deveria ser, que o mundo está mudando numa velocidade assustadora. O mercado jurídico não será diferente, portanto acho importante alertá-los para isto, ajudá-los a refletir como o segmento jurídico deverá atuar, produzir, criar valor, ofertar o seu serviço no futuro próximo.É ingenuidade acreditar que o segmento jurídico é conservador e não irá mudar com a velocidade do mercado em geral. Aqueles que pensarem assim com certeza terão surpresas desagradáveis.
A Inteligência Artificial está se tornando exponencialmente melhor no entendimento do mundo. O Watson, da IBM, já está ajudando médicos a diagnosticar câncer e é quatro vezes mais exato do que médicos humanos – inclusive, já existe escritório de advocacia que o utiliza. Em 2018, os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Diante de tudo isso, acreditar que a prestação do serviço jurídico não será afetada é muita ingenuidade.

Para você, o que é a advocacia do futuro?

Mario Esequiel: A advocacia oferece conhecimento cada vez mais acessível através das novas ferramentas de tecnologia e comunicação. Mas a produção, o acesso e a oferta desse conhecimento irá mudar consideravelmente.
O advogado continuará existindo, mas a forma como ele terá acesso ao conhecimento, como irá produzir o seu trabalho e entregá-lo aos seus clientes irá mudar, e é importante estar preparado e aberto para isso. As regulamentações terão que se ajustar às novidades para não gerarem dificuldades e obstáculos para os agentes do serviço jurídico.

Como você enxerga a relação tradição x inovação na advocacia?

Mario Esequiel: A tradição é importante, ela traz história, conhecimento e experiência – que não pode ser perdida, tem apenas que ser ajustada através das inovações. Assim, poderemos melhorar, produzir mais, mais rápido, mais barato e com melhor qualidade. Não podemos esquecer que a tradição de hoje já foi novidade no passado, e a inovação de hoje poderá representar tradição no futuro. Talvez o que esteja mudando é a velocidade com que tudo isso está acontecendo.

Na sua opinião, que pensamentos e atitudes devem fazer parte do perfil do advogado moderno?

Mario Esequiel: O advogado, em geral, é orientado e, em alguns casos, até condicionado a não ser criativo, a seguir as regras e leis como foram previstas. A princípio, faz todo sentido. Mas o mundo está mudando e nos convidando, ou melhor, nos obrigando a mudar junto. Portanto, é fundamental que o advogado abra sua cabeça. Veja bem, eu não estou falando aqui em mudar a lei, mas sim a maneira de acessá-la.

Que dicas você pode dar para advogados e escritórios de advocacia que querem inovar a gestão de seus negócios jurídicos?

Mario Esequiel: Em primeiro lugar, não lutarem contra, nem ficarem resistentes às mudanças, às inovações. É melhor aceitá-las, aprender como usá-las melhor para extrair benefícios.
Eu não vejo grandes resistências nos jovens advogados. Eles já nasceram nesse mundo e tudo isso faz parte da vida deles. Mas não posso dizer o mesmo daqueles profissionais do direito que são “presos”, arraigados a conceitos e formas antigas. Acho que até certo ponto é natural, mas é importante forçarem a si próprios a quebrarem o preconceito em relação às novidades.
Para isso existem até técnicas que estimulam a pensar com o outro lado do cérebro, que, se exercitado regularmente, produz mudança no comportamento. Faça coisas diferentes, como, por exemplo, mudar regularmente o caminho que você faz para o trabalho e para casa. Assim, você terá oportunidade de ver outras ruas, outras lojas, outros ares e talvez descobrir um restaurante novo e interessante. Troque o lado do relógio de pulso – isso poderá gerar um desconforto inicial, mas vai lhe obrigar a olhar para o outro pulso. Use o mouse do computador com a outra mão, mude a disposição dos móveis da sua sala, procure novas perspectivas para as coisas com as quais você está acostumado.
E aí, gostou da entrevista? O que você pensa sobre o assunto? Como você enxerga a inovação na advocacia? Participe nos comentários! 😉
O Mario Esequiel foi palestrante do Aurum Summit 2016, nosso evento de tecnologia e inovação para advogados. Para saber mais sobre a próxima edição, acesse <a href=”http://summit.aurum.com.br”” target=”_blank” rel=”noopener”>summit.aurum.com.br.

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Vamos continuar a conversa?

  • Dr. Luiz Carlos Avallone disse:

    Sim, gostei da entrevista e desejo receber continuamente mensagens atinentes.
    Sou advogado há mais de 30 anos, atuante notadamente na área cível. Tambem na trabalhista com menor intensidade nos últimos anos, mas, procurando retomar tal atividade, notadamente, até mesmo em função de ser pós-graduado nessa área.
    Apenas e tão-somente, atuo mais na cível em face de que o escritório onde trabalho estar situado no bairro da Liberdade (Centro de São Paulo) e a procura dar-se notadamente na referida área cível. Porem, gosto muito da área trabalhista, tambem.
    O escritório não é meu, mas, pretendo montar o meu próprio e com total planejamento para que tudo dê certo, motivo de ter ficado muito lisonjeado com a entrevista e no anseio de novas outras para que eu possa concretizar meu sonho com a montagem de meu próprio escritório e de forma, se possível, totalmente, informatizado, evitando-se, a todo o custo e a toda a prova possível, guarda, arquivo e demais em papel, pois, em minha opinião, papéis, já são coisas do passados, coisas ultrapassadas, alem de que, desta forma, quem assim passa a agir, estárá com certeza, contribuindo para com a NATUREZA.
    Li, há pouco, uma outra entrevista com relação a criação pelos japonêses de um advogado robô. Fiquei maravilhado, porque, pelo incrível que possa parecer, desde há muito tempo, assim penso, mas, tal para que seja colocado, tambem, como membros julgadores do Judiciário em geral.
    Vejo que, se tal, assim, vier a ocorrer, tudo passará a ser julgado com maior acêrto, porque, o Ser Humano em qualquer área que atue, sempre estará sujeito a êrro, e, erros podem ser muito perigosos, evidentemente, sem qualquer insinuação.
    Conseguindo montar o meu próprio escritório, muito gostaria de ter, tambem, um advogado robô, mas, evidentemente, por ora e no início, deve custar uma fortuna. Mas, o povo japonês é muito inteligente e sabe-se que no Japão, até mesmo, há robõs para entrega de correspondências.
    Grato
    Dr.Avallone (11) 3104-5903 – São Paulo – Capital.

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