Acessibilidade e advocacia: Entenda a relação entre os dois temas

Acessibilidade e advocacia: Entenda a relação entre os dois temas

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Quando o assunto é acessibilidade eu me sinto bem à vontade para falar, pois sem ela eu jamais seria um advogado – e muito menos estaria aqui escrevendo para vocês. Para quem não sabe, eu sou tetraplégico e advogo com expertise em matéria de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Então, a princípio, você pode até pensar que falar de acessibilidade aqui, no blog da Aurum, seria motivo de interesse apenas para o público com deficiência ou profissionais já relacionados com o tema. Porém, eu te convido para ler este post até o final e certamente vou te provar que a acessibilidade pode fazer toda a diferença no seu trabalho. Inclusive, pode ser o que está faltando para diferenciar a sua advocacia no mercado.

Acessibilidade e advocacia: Como isso afeta a rotina dos profissionais do Direito?

Então vamos lá! Você sabe o que é acessibilidade? O conceito mais atual de acessibilidade pode ser resumido como a possibilidade ou condição de alcance para utilização de qualquer ambiente, bem ou serviço, de forma livre e sem barreiras por qualquer pessoa, sem distinção.
Logo, nada melhor do que se colocar no lugar dos outros para entender a importância desse tema. Imagine se você fosse um advogado cego, que já dominasse a prática da advocacia quando veio a revolução do processo eletrônico… Como seria?

Se para muitos advogados sem nenhuma deficiência a migração para o mundo digital já foi um caos, imagine para os advogados com deficiência visual, por exemplo. Foi necessário lidar com as mais diversas plataformas de processo eletrônico do Poder Judiciário, em sua maioria incompatíveis com os softwares de leitura para cegos.

A título de exemplo, as primeiras versões do Processo Judicial Eletrônico (PJe), sistema desenvolvido pelo CNJ, nasceram inacessíveis para pessoas com deficiência visual (e muitas ainda são), complicando a vida de profissionais que ficaram com seu ofício comprometido pela falta de acessibilidade em software para trabalhar.

Isso tudo sem falar nos fóruns, prédios e repartições públicas que fazem parte da saga da advocacia e que, em boa parte, ainda não estão de acordo com as normas de acessibilidade, complicando o ofício de profissionais e de cidadãos que necessitam de um ambiente plenamente acessível.

Fato é que a acessibilidade hoje, além de uma obrigação legal, é fundamental para o alcance de todo e qualquer perfil de cliente ou usuário de qualquer serviço. Se determinado ambiente, produto ou serviço é acessível para atender de forma confortável a quem mais precisa, pode ter certeza que todos os demais eventuais interessados também serão bem atendidos. Isso se aplica a tudo, inclusive ao seu escritório! Sabe aquela regra do “quem pode o mais, pode o menos”? É exatamente isso!

Acessibilidade na gestão de processos

Trazendo essa visão de acessibilidade para a prática da advocacia, eu gostaria de compartilhar a experiência de uma ferramenta que tem sido essencial para a minha vida profissional. A acessibilidade no software jurídico Astrea.

Em virtude da tetraplegia, eu não mexo nenhum dos dedos das mãos e utilizo órteses para usar o computador. São praticamente dois “palitos” que me ajudam a peticionar e gerir os processos do escritório. Lá no meu Instagram você encontra alguns vídeos e fotos para entender melhor.

Eu já testei inúmeras plataformas para avaliar a acessibilidade em softwares jurídicos, mas quando testamos o Astrea a diferença na organização do nosso trabalho foi nítida. Um sistema com interface limpa, leve, bem intuitivo e fluido que permite com poucos cliques o controle de todo o seu trabalho, desde o controle de processos judiciais, andamentos e publicações até a parte financeira da sua advocacia.

Isso tudo sem falar na sincronização com o aplicativo nos smartphones de cada advogado que trabalha com você. É como se cada um andasse com o escritório o bolso.

Em termos de acessibilidade em software, o Astrea simplificou o nosso trabalho em único ambiente, reduzindo o número de atos e auxiliando na gestão do tempo. Em suma, adotamos o sistema pensando em diminuir as barreiras para o meu trabalho, mas acabamos identificando uma solução que atendeu a todo o escritório.

Quanto mais organização para o escritório de advocacia, maior a segurança para exercer um ofício tão nobre quanto a advocacia, que exige de nós profissionais não apenas a boa técnica jurídica, mas a capacidade de gestão do tempo, de gestão de negócios e principalmente de suprir com excelência as necessidades dos seus clientes.

Pensar em acessibilidade pode impactar positivamente os seus resultados

Vamos trazer essa reflexão para a nossa vida prática na advocacia: quanto mais gente bem atendida e satisfeita você tiver no seu negócio, mais repercussão e engajamento positivo você pode gerar. Consequentemente, mais bem visto no mercado você estará e poderá abrir possibilidades de novos clientes e novos contratos. 🙂

Infelizmente, diversos segmentos não enxergam o público com deficiência como consumidores em potencial. O que muitos empreendedores não levam em consideração é a enorme possibilidade de negócios que pode surgir quando se pensa nessa “grande minoria” da sociedade.

Muitos advogados ficam estagnados profissionalmente por direcionar o seu marketing jurídico (quando existe) tão somente à sua área atuação, sem pensar que, às vezes, o diferencial da sua advocacia pode ser focar em determinado público.

Segundo dados do IBGE, aproximadamente 24% da população brasileira alega ter alguma deficiência. São pessoas que se envolvem nas mais diversas relações jurídicas e que podem necessitar de um advogado para inúmeras situações da vida. Além disso, costumam ser pessoas que tem família e amigos que prezam muito pelo seu bem-estar.

Logo, oferecer um serviço que atenda a esse público com todas as condições de acessibilidade é garantir que tais pessoas estarão satisfeitas e com potencial de indicação dos seus serviços para outras redes de contatos.

Isso se aplica a qualquer modelo de negócio. Foi o que o Astrea conseguiu fazer comigo. Pensaram na acessibilidade em um software jurídico e atenderam as minhas necessidades como cliente. O sistema eliminou minhas barreiras para o trabalho e hoje estou aqui compartilhando minha experiência com vocês.

Desses milhões de brasileiros com alguma deficiência, quantos já contrataram os seus serviços? Será que o seu escritório está pronto para receber toda e qualquer pessoa? Se do ponto de vista arquitetônico o seu negócio possui barreiras de acessibilidade, já pensou em derrubá-las, alterar o seu layout ou expandir para uma plataforma online acessível a toda diversidade de futuros clientes e até sócios ou funcionários?

Aqui eu trouxe a discussão para esse tipo de público, mas a ideia é abrir a visão do advogado empreendedor para os mais diversos grupos sociais que podemos impactar com nosso trabalho.

Pense nisto e reinvente-se! A advocacia só está saturada para quem não possui um diferencial. Se o seu serviço não está pronto para atender a todos, certamente o seu serviço possui alguma deficiência. Até a próxima!

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